Adolescentes em isolamento social

Como lidar com filhos adolescentes no isolamento social

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Os filhos adolescentes também merecem atenção durante a pandemia. Muito se fala sobre como lidar com as crianças na quarentena, mas e os adolescentes? Como estão se sentindo nesse período sem escola, sem amigos e sem namoros?

A adolescência por si só é uma fase complicada com a abundância de novas experiências, alteração nos níveis de hormônios, busca pela identidade e a construção de novos relacionamentos.

É muito comum o adolescente se distanciar dos pais por inúmeras razões – vergonha, vontade de ser independente, necessidade de afirmar que não é mais criança, conflitos emocionais, influências de amigos, entre outras.

Para ele, esse distanciamento pode não ser nada demais, mas, para os pais, é um tanto desesperador. Se os adolescentes já escondem como se sentem durante períodos comuns, imagine, então, no isolamento social!

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Como o isolamento social afeta os adolescentes?

Não é possível atribuir um ou dois comportamentos para todos os filhos adolescentes. Enquanto uns não conseguem se acostumar com a falta de vida social, outros encaram a súbita solidão muito bem.

Por mais que os pais conheçam os filhos, nessa fase é um pouco difícil distinguir quando estão totalmente bem ou não. É ainda mais desafiador encontrar maneiras de ajudá-los já que alguns adolescentes não se mostram muito receptivos.

Ao mesmo tempo em que os pais desejam respeitar a privacidade dos filhos, querem saber os detalhes relevantes da vida deles para, então, identificar o que ou quem está afetando o seu bem-estar.

A verdade é que os adolescentes não têm total compreensão nem controle de suas emoções e podem não saber expressar nem digerir como se sentem.

Adolescentes em isolamento social: suporte emocional
Pode ser bastante difícil para o adolescente dar voz às emoções

Pensando nisso, identificamos alguns fatores que podem ser desafiantes para os adolescentes durante o isolamento social, buscando assim trazer mais clareza aos pais, especialmente os que encontram dificuldade para dialogar com os filhos.

  • Tédio
  • Solidão
  • Aulas remotas*
  • Namoro
  • Estresse
  • Ansiedade
  • Pressão para não atrasar o ano letivo
  • Preocupação com o vestibular
  • Apreensão com o futuro
  • Medo
  • Raiva
  • Falta de novas experiências

*Muitos adolescentes relataram ter dificuldade de assistir às aulas online por conta da conexão ruim ou dificuldade para usar os aplicativos. Esses desafios acabam deteriorando a saúde mental deles.  

Como ajudar os filhos adolescentes no isolamento social?

Caso você tenha notado algum comportamento atípico em seu filho(a) ou filhos adolescentes, não deixe de conversar sobre o assunto. Mesmo que demonstrem não gostar de ouvir os pais, o fato de estarem sendo cuidados os ajuda a se sentirem bem.  

No entanto, é preciso ter cautela e saber abordá-los. Não seja invasivo e tente praticar a comunicação não violenta. Sim, é chato receber uma rejeição do próprio filho, mas, antes de explodir em lágrimas ou em raiva, procure se colocar no lugar dele

Compreenda as suas necessidades

Você sabe como o isolamento social afeta os seus filhos adolescentes?

A vida social, por exemplo, é essencial para qualquer adolescente. Até os mais introvertidos gostam de ficar com os amigos. A solidão na quarentena pode se manifestar no confinamento no próprio quarto, no despertar tardio, nas noites mal dormidas e no desânimo. A recorrência desses comportamentos pode indicar o início de uma depressão.

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Segundo o Dr. Fábio Camilo, psicólogo e Head of HR da Vittude, é importante analisar se houve alguma alteração no comportamento do adolescente durante a pandemia.

Por exemplo, se o adolescente tinha uma vida social agitada e passou a se isolar, ficar trancado em seu quarto, o ideal é entender o porquê desse isolamento e descobrir juntos alternativas para isso.

Os pais, mais do que nunca, devem exercitar a paciência. Afinal, muitas das questões que são importantíssimas para os adolescentes, como popularidade ou saber das últimas tendências, não são prioridades para os adultos. A vida adulta pode ter afastado você de seu “eu” juvenil, tornando o convívio com os filhos adolescentes um pouco confuso.

Fábio Camilo ressalta que não devemos esquecer que um dia também fomos adolescentes e tivemos nossos desafios, com certeza adotando comportamentos que à época também podem ter sido difíceis para a compreensão de nossos pais.

Engaje-os em atividades e hobbies

Boas notícias: muitos pais relataram que o isolamento social estreitou os laços familiares! Já que passam mais tempo em casa, conseguem fazer atividades divertidas em grupo.

Pais de filhos adolescentes podem envolvê-los em atividades próprias para a idade e afastar o tédio, como convidá-los para participar de um hobby, organizar uma tarde de jogos ou piquenique no quintal e fechar a programação com uma noite de cinema.

Adolescentes em isolamento social: desenvolvimento do lazer
Que tal desenvolver um campeonato de videogame com seu adolescente?

Oriente-os para não sofrerem por amor

O isolamento social interrompeu e terminou muitos relacionamentos. Para os adolescentes, essas experiências são como o fim do mundo. Encoraje os seus filhos a se abrirem e demonstre preocupação e interesse no relacionamento deles.

Você pode até contar algumas das suas próprias experiências da adolescência (com cautela!) para mostrar que compreende os dilemas amorosos pelos quais estão passando.

É importante buscar conectar-se com seus filhos e, muitas vezes, mostrar que também passamos por experiências similares, mostrar como nos sentimos e como superamos isso, pode ajudar.

Entretanto, não devemos julgar o sentimento deles e sua intensidade, mas sim mostrar nossa preocupação com seu bem-estar, afirma Fábio Camilo.

Se ofereça para ajudá-los com os estudos

Hoje, os adolescentes precisam se preocupar em desempenhar bem em diversas áreas de suas vidas e qualquer erro já é motivo para acreditarem que estão destinados ao fracasso. O estudo costuma ser a maior dessas cargas.

Mesmo que você já tenha esquecido muitos conteúdos da escola, se ofereça para ajudá-los a estudar. Os pais não precisam necessariamente ensinar a matéria, mas, sim, técnicas de estudo úteis. Se os seus filhos estão em fase de vestibular, compartilhar dicas de estudo e de como controlar o estresse é ainda mais importante.

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Inicie uma conversa com os adolescentes

Como os filhos adolescentes não costumam gostar de conversar, os pais podem dar o primeiro passo ao expressar como se sentem.

Muitos pais ainda têm medo de parecerem fracos ou imperfeitos para os filhos, mas a verdade é que, ao observar a sua vulnerabilidade, eles compreendem que também podem se sentir assim. Logo, ficarão mais à vontade para expressar as próprias emoções.

Neste momento, os pais devem conter o impulso de dar conselhos. Os filhos também sentem necessidade de desabafar sem esperar soluções mágicas. Se eles pedirem a sua opinião, a forneça sem dúvidas. Porém, se eles quiserem apenas compartilhar basta dizer “entendo, eu também me sinto assim”.

“É importante criamos um ambiente que permita o diálogo, e isso pode começar pelos pais se demonstrando abertos a expor seus sentimentos. Se eu não me abro com meus filhos, como esperar que eles o façam?”, diz o Dr. Fábio Camilo.

Adolescentes em isolamento social: priorize o diálogo
Você tem cultivado um ambiente saudável para o diálogo com seus filhos?

Do mesmo modo, esclareça a necessidade de seguir as orientações de isolamento social. Seus filhos ou filho(a) podem tentar convencê-lo que a situação não está tão ruim porque amigos estão saindo normalmente, gerando conflitos entre vocês.

Explique a gravidade da situação de forma clara e, para não assustá-los, termine com uma lição sobre prevenção e esperança.

Agora, queremos saber de você! Compartilhe nos comentários as experiências com os seus filhos adolescentes no isolamento social. O seu relato pode inspirar e ajudar outros pais em apuros.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta