Hiperconexão nos dias atuais gera ansiedade nos jovens

Hiperconexão, ansiedade e relacionamentos: como chegar ao equilíbrio

Hiperconexão, ansiedade e relacionamentos: como chegar ao equilíbrio
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Atualmente, os dispositivos online estão presentes em todos os lugares. Estamos acostumados a compartilhar nas redes sociais os nossos passos: onde vamos, o que comemos, com quem estamos. Tudo isso em tempo real. O lado bom dessa história é que temos acesso a muitas coisas que, em outro cenário, não seria possível. Mas será que a ansiedade acompanhada deste padrão de comportamento não traz um problema?

A psicóloga Americana Sherryl Turkle, em seu livro “Alone Together: Why we expect more from technology and less from each other” (Juntos separados: Por que esperamos mais da tecnologia e menos uns dos outros?), trata de alguns problemas que podem vir dessa conexão constante. Para ela, os dispositivos ocupam um vazio com o qual não sabemos mais lidar. Os momentos de solidão são substituídos pela navegação nas redes. Esse movimento, ainda que pareça inócuo, pode levar a uma inabilidade de ficar sozinho e, com isso, diminuir o auto-conhecimento. E se não nos conhecemos, como formaremos conexões valiosas com as pessoas com quem vivemos?

Vivendo um mundo editado

O tamponamento da solidão pela tecnologia pode levar à falta de oportunidades para relacionar-se. Assim, nos tornamos cada vez menos hábeis para lidar com o diferente. Vivendo em um mundo editado, a cada momento sabemos menos como nos relacionar com outras pessoas que, como nós, trazem suas demandas e suas “chatices”.

Ansiedade, estresse e insatisfação

Alguns problemas psicológicos também podem ser frutos dessa hiperconexão: estresse, ansiedade, insatisfação. Nosso organismo foi feito para fazer uma coisa de cada vez e para passar alguns momentos sozinhos. Se não respeitamos isso, a exigência pode ser muito grande, o que se traduz em estresse.

Além disso, estar conectado o tempo todo faz com que não tenhamos respiro de coisas ruins que podem acontecer. E elas acontecem o tempo todo, basta buscar as notícias para saber. É como se o perigo estivesse sempre ali, virando a esquina, o que pode gerar um estado eterno de ansiedade.

Ao compararmos com o mundo das redes sociais, nossa vida pode parecer chata e sem graça: não jantamos aquele prato da foto do colega de trabalho, não passamos as férias naquela praia paradisíaca. Nossa vida deixa de ser interessante, para ser uma vida chata e sem graça. E dá-lhe mais ansiedade!

Como construir uma relação mais consciente e produtiva com a tecnologia?

É preciso mais “olho no olho”

Primeiramente, é preciso enriquecer a vida. Trazer para o cotidiano aquelas coisas que nos fazem bem: nossos hobbies, preferências, vontades. Cultivar relações com pessoas afins, encontrar para conversas olho-no-olho. Deixar a ansiedade de lado e dedicar tempo – ainda que no começo seja por obrigação – para aprender aquelas coisas que sempre quisermos saber, mas, por falta de tempo, ainda não conseguimos. Engajar-se em atividades que tragam resultados bons para nós, sejam novas aprendizagens, bem estar ou bons momentos consigo e com os amigos.

Também ajuda se conseguirmos estar presentes nos pequenos momentos do cotidiano: fazer nossas refeições de forma presente e consciente. Prestar atenção ao mundo que nos cerca. Tomar banho sentindo a água escorrer pelo corpo. Ouvir o outro com atenção, sem criar nossas próprias narrativas acerca do que eles tem a dizer.

De forma prática, reservar “espaços livres de tecnologia” e “momentos off-line” como disciplina: não levar o telefone para a mesa das refeições, não usar redes sociais na cama antes de dormir, tirar um tempo para brincar sozinhos com as crianças, para conversar com o parceiro sobre o cotidiano e sobre os projetos de vida.

Com alguns cuidados, o mundo off-line pode se mostrar mais interessante que o mundo online. E naturalmente vamos acabar optando por ele, diminuindo o estresse de estar superconectado. Assim, deixaremos o mundo online para as coisas que ele pode nos trazer de bacana: novos conhecimentos e conexões, serviços mais acessíveis, economia de tempo.

Algumas vezes, porém, não conseguiremos chegar a esse equilíbrio sozinhos. Por isso, ao sentir que a ansiedade em relação à tecnologia está fugindo do controle, procure ajuda. Um psicólogo pode auxiliar nesse processo.

Carla Regina Zuquetto, psicóloga e parceira da Vittude, é especializada em Terapia Analítico Comportamental e Terapias Comportamentais de Terceira Onda. Marque sua consulta!

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