Baleia Azul

Baleia Azul: o jogo perigoso que tem levado jovens ao suicídio

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Baleia Azul é o nome atribuído a um conjunto de 50 desafios diários e autodestrutivos — ganhou repercussão midiática ao fazer vítimas fatais. Em todo o mundo, jovens e adolescentes se envolveram com o sinistro convite ao suicídio (última etapa do “jogo”). 

Toda a dinâmica de participação envolvia o uso de redes sociais, como o Facebook, onde grupos secretos determinavam as ações e cobravam provas de que os desafios haviam sido cumpridos. Twitter e WhatsApp também foram usados com esse intuito, disseminando a prática macabra e “selecionando” novos participantes.

Empregamos o termo “selecionar” porque, para integrar o desafio, era preciso que um curador ou administrador — como se denominavam os instrutores do jogo — escolhesse a quem dirigiria o convite. E, uma vez que o jovem aceitasse o chamado, não poderia voltar atrás, sofrendo ameaças, caso insinuasse desistência.

Aparentemente, o Baleia Azulsaiu de “moda”. Mas outros jogos, com características similares, continuam sendo notícias. 

Como o Baleia Azulé emblemático em muitas questões e discussões necessárias, o elegemos como foco de nossa análise. Neste post, abordamos a assunto a fim de percebê-lo de modo reflexivo. E, mais que isso, como um alerta crucial para os pais e responsáveis, diante dos perigos que rondam a adolescência no espaço virtual.

Desafios na internet: porque você deve prestar atenção

Você já notou como, de tempos em tempos, uma brincadeira viraliza nas redes sociais? Por vezes, elas usam o lúdico como forma de apoio a causas nobres, como ocorreu em 2014, com o desafio do Balde de Gelo. 

A proposta era que as pessoas virassem um balde de água gelada, ou com gelo, sobre suas cabeças e se filmassem no ato, compartilhando o feito em seguida. A onda atingiu de anônimos a celebridades, como Bill Gates, Mark Zuckerberg, Ivete Sangalo, Luciano Huck e Neymar.

O diferencial desse desafio era o propósito com o qual estava envolvido: angariar fundos para instituições de pesquisa e apoio a pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA). Com a ampla divulgação e adesão à brincadeira, o resultado da arrecadação chegou a 115 milhões de dólares.

O Balde de Gelo é um exemplo positivo — que bom seria se todos os virais seguissem essa premissa!

Contudo, as ações nobres são exceções nos desafios promovidos na internet. Muitos são apenas bobinhos, nonsense. Talvez essa característica acabe nos fazendo crer que todas as dinâmicas propostas sejam, sempre, inofensivas e divertidas.

Aí que mora o perigo! Prejulgamos que, quando uma criança ou adolescente diz que está fazendo um vídeo, uma foto, uma certa atividade, porque está participando de uma brincadeira da rede, não há motivos para preocupações. Satisfeitos com a resposta, damos às costas para o que, de fato, pode estar acontecendo.

O desafio da Baleia Azul

Baleia Azulfoi mais um dos desafios que viralizaram. Hoje sabemos que não se tratava de um jogo inocente e sem consequências. Porém, por falta de informação adequada, quantos pais deixaram de perceber indícios de que seus filhos estavam correndo riscos?

Portanto, mantenha-se alerta. Entenda que a convivência não se restringe aos amigos e conhecidos “reais”. Por meio de diversos aplicativos, conversas e vínculos com estranhos podem — e tendem — a ocorrer. Em certos casos, inclusive, as redes virtuais são os principais meios de socialização de adolescentes.

Assim como você busca se atualizar sobre o que acontece no mundo, consuma notícias que falem sobre o que se passa na internet. É uma forma de prevenção. 

Não pense que tudo é bobagem — e, muito menos, tenha essa postura com seu filho. Mantenha o interesse e o diálogo sobre o conteúdo online. Quanto mais natural e legítima for essa conversa, mais o adolescente irá revelar, pois se sentirá confortável para partilhar suas descobertas. Assim, caso ele venha a se deparar com algo atípico, as chances de você ficar sabendo são bem maiores.

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Baleia Azul: o que motiva os jovens a participar de um jogo suicida?

Essa inquietante pergunta não conta com resposta objetiva e definitiva. Infelizmente. Pois, se fosse mais simples concluir qual o fator de risco, seria mais efetivo contorná-lo.

Precisamos compreender que a adolescênciaé um período singular. Redescobrindo o mundo — pois a visão infantil dá lugar a novas percepções e desejos — e lidando com ebulição de hormônios, naturalmente, o comportamento e os humores dos jovens acabam sofrendo alterações.

Isso, por si só, já complica a noção do que devemos encarar como atitudes estranhas. Também, diferente das crianças, que podemos monitorar com mais facilidade, os adolescentes querem o respeito a sua privacidade. Essa situação acaba ofuscando a vigilância de pais e responsáveis. 

Em virtude da “condição da idade”, muitas das 50 tarefas da Baleia Azul passavam despercebidas pelos adultos. E outros jogos, tão perniciosos quanto esse, também.

Conheça os desafios da baleia azul

Para você ter uma ideia, dentre os desafios que o participante deveria cumprir estavam:

  • assistir filmes de terror, indicados pelo curador (que, depois, faria perguntas sobre cenas, para averiguar se a “missão” foi cumprida);
  • desenhar uma baleia azul;
  • cortar-se com uma navalha;
  • escrever códigos e palavras específicas em partes do corpo;
  • compartilhar certas hashtags nas redes sociais;
  • ouvir músicas psicodélicas por longos períodos;
  • subir num telhado;
  • furar a mão com uma agulha;
  • cortar o lábio;
  • não falar com ninguém, durante um dia inteiro;
  • encontrar-se com outro participante do jogo.

A última tarefa seria a de tirar a própria vida. Mas, até chegar a ela, o jogador recebia, diariamente, instruções como as que listamos acima. 

Note que, muitas delas, jamais seriam detectadas pelos pais como sinais de um problema maior. Outras, como os cortes, perfurações e escritas, poderiam ser escondidas com roupas ou justificadas com falsas desculpas.

Por mais que a Baleia Azul culminasse no suicídio — e mais de 100 adolescentes, tragicamente, concluíram essa etapa — as demais atividades se sugeriam como “provas de coragem”. 

Curiosidade pelo perigo ou depressão?

O flerte com o perigo não é uma novidade quando pensamos na adolescência. E, tampouco, significa — necessariamente — que o jovem em questão tenha tendências suicidas ou esteja em depressão

A curiosidade ou a busca pelo pertencimento a um grupo, por exemplo, já seriam motivos suficientes para uma experimentação arriscada.

Você pode questionar se, conforme as tarefas fossem se tornando mais assustadoras ou dolorosas, os participassem não se afastariam do jogo. Aí, reside outra face sombria da Baleia Azul: quem desejava desistir, era ameaçado.

Como todos os desafios eram transmitidos por aplicativos de uso pessoal, o instrutor/curador avisava que havia hackeado contas, que sabia tudo sobre a vida do jovem — e seus familiares. Se ele desistisse, alguém sofreria as consequências.

As chantagens envolviam ameaças de agressões físicas e divulgação de mensagens ou fotos privadas, que trariam grande constrangimento. Esse tipo de intimidação — característico do cyberbulling — deixa qualquer um desorientado. E, no caso de um adolescente, já envolvido no processo de obedecer comandos de uma figura misteriosa, fica ainda mais complicado perceber a saída.

Relação entre depressão e Baleia Azul

Embora o espírito de brincadeira e desafio possa, inicialmente, encorajar os adolescentes a se colocarem à prova, é difícil imaginar que aqueles que têm uma vida saudável — social e mental — possam se deixar levar, sem recuos.

E quanto ao cyberbulling, que pontuamos? Retomamos a importância do vínculo familiar. Quando o jovem tem abertura para odiálogo com os pais, sabe que encontrará apoio e compreensão em situações com as quais não sabe lidar. 

Em contrapartida, quando o adolescente não se vê acolhido, pode optar pelo silêncio. Com vergonha ou medo de expor seu problema, acaba não o compartilhando com mais ninguém. Se o grupo de participantes do Baleia Azul — ou equivalentes —for o único espaço onde se sente integrado, será lá onde depositará a legitimidade de sua conduta.

Por isso a depressão é um aviso — de causas ou consequências — de um comportamento autodestrutivo. Saber identificá-la e oferecer ajuda, evita resultados nefastos. 

Baleia Azul colocou tanto o suicídio quanto a depressão na adolescência em pauta. O que não podemos ignorar é que esses males não estão circunscritos ao jogo. A Baleia foi apenas um arauto dos problemas, que não se esgotam com o fim da “moda” do jogo.

Causas de depressão na adolescência

Como a adolescência é uma fase de incertezas — buscas de respostas e adequação — certas situações, que poderiam ser bem administradas por um adulto preparado e com autoestima resolvida, acabam ganhando contornos muito mais nebulosos. 

Logo, nem sempre o motivo da depressão é algo tão complexo quanto o luto, um trauma ou violência. Veja alguns desencadeadores do estado depressivo em adolescentes:

  • baixo desempenho escolar;
  • conflitos com a aparência física;
  • bulling;
  • dificuldade de integração social;
  • rejeição de colegas, antigos amigos ou amorosa;
  • dúvidas quanto à identidade sexual;
  • cotidiano estressante e/ou com excesso de cobranças;
  • sentimento de culpa;
  • abuso de álcool ou drogas.

Sintomas da depressão

Não apenas os pais, mas também amigos e professores, devem saber interpretar sinais de que algo não está “normal”. 

Segundo a pesquisadora Luiza de Lima Braga, dois terços dos suicídios, que ocorrem na adolescência, são cometidos por jovens que estavam com depressão. Propostas de jogos como Baleia Azul apenas alimentariam, nesses casos, pensamentos de morte que estavam latentes.

Verifique alguns sintomas nos quais você deve prestar atenção:

  • baixa autoestima e comentários autodepreciativos;
  • isolamento;
  • comportamento ansioso, apático ou que denote muita insegurança ou medo;
  • bruscas mudanças de humor, com rompantes de raiva, irritação ou tristeza;
  • insônia ou excesso de sono;
  • distúrbios alimentares (compulsão ou falta de apetite);
  • falta de entusiasmo generalizada.

Ao perceber alterações desse gênero, entenda que a repreensão ou deboche não trarão soluções. Demonstre atenção, chame para a conversa — e ouça, com respeito e disponibilidade de apoio. 

Caso note que a situação é persistente, não espere para procurar por ajuda profissional. A terapia, certamente, será bem-vinda pelo adolescente, desde que conduzida da forma adequada e por alguém com quem ele encontre afinidade. 

Afinal, se a Baleia Azulalcançou tanto “sucesso” é porque, efetivamente, encontrou lacunas abertas a receber orientações. Por que não ajudar os jovens a preencher tais lacunas com sugestões mais saudáveis? Diálogo franco e práticas terapêuticas são ótimas alternativas.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.