Categoria: Abordagens

Os Otimistas, Os Realistas e os Pessimistas

Os Otimistas, Os Realistas e os Pessimistas

  |  Tempo de leitura: 7 minutos

Tenho o privilégio de atender muitas pessoas realistas, muito embasadas em determinados assuntos. Por um lado, serve de linha de raciocínio para a pessoa mostrar sua personalidade, sua história de vida (“onde você aprendeu tudo isso?”) etc. Por outro lado, acabo aprendendo bastante coisa. Já temi me embaralhar. Acabar desfocando os objetivos da sessão para uma conversa informal do meu interesse. Quando agi assim, deu tempo de mudar de direção. Além disso, em todo discurso livre expressam-se conteúdos próprios.  Duas pacientes em específico sempre trouxeram muito sobre seus ideais e, antagonicamente, sua prática no dia a dia. Nem sempre contraditórias, às vezes apenas descontentes com os limites de transformação social que poderiam lutar. Ambas exigentes consigo próprias. Com alguns anos e cursos aprofundando certas convicções, mostram-se munidas de um repertório teórico, e ao mesmo tempo, cansadas pelas desesperanças ou decepções. Engrandecidas pelo processo, diminuídas pelo desgaste. Dicotomicamente, quanto mais se...

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Espontaneidade, o Patinho Feio e Paulo Leminski

Espontaneidade, o Patinho Feio e Paulo Leminski

  |  Tempo de leitura: 6 minutos

Jacob Levy Moreno, criador do Psicodrama, pesquisou desde muito cedo a Espontaneidade. Ela, de acordo com Moreno, é a capacidade em dar respostas novas a situações conhecidas ou inusitadas. Isso não significa que alguém que é espontâneo falando, seja espontâneo dançando. Podemos ter alguma facilidade em uma determinada área, mas somos espontâneos naqueles papéis que nos debruçamos. Espontaneidade e os papéis que assumimos na vida Por falar em papéis, Moreno também os lapidou. Papéis teatrais existem desde a Grécia Antiga. Papel nesse sentido, em inglês, se fala role, e em sua etimologia estão os rolos que os primeiríssimos atores das tragédias gregas liam enquanto teatralizavam (nem sempre era decorado). Papéis são unidades de funções e modos de ser que os indivíduos adquirem ao longo de sua convivência com os grupos. O primeiro papel, naturalmente, é o de filho. Assim que nascemos, somos matrizados em um grupo, com certo funcionamento, certas...

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Pandemia, A Rotina e Tudo Bem Não Estar Bem

Pandemia, A Rotina e Tudo Bem Não Estar Bem?

  |  Tempo de leitura: 3 minutos

Conheço poucas pessoas que conseguem mudar sua rotina de forma impecável e rápida. Na maioria das vezes, mudar de rotina envolve um pequeno delay confuso, um fuso-horário desajustado que com o tempo adapta-se. Desde Darwin fomos avisados da importância em saber adaptar-se. Nessa quarentena causada pela pandemia, a maioria das pessoas tiveram suas rotinas reviradas, totalmente alteradas. Algumas se adaptaram com facilidade, outras com dificuldade (ou não se adaptaram). Os obstáculos são variados: medo do vírus, organização, privacidade, stress, tédio, filhos, preguiça, entre outros. De fato, não é fácil. Pandemia e tudo bem não estar bem? É muito provável que além da rotina externa, nossa “rotina interna” seja impactada. Estamos expostos a menos luz solar, praticamos menos atividades físicas, nos estressamos com a situação mundial, as refeições às vezes perdem a hora, nem mínimos lazeres como dar uma volta onde quer que seja… Nossa rotina hormonal também é impactada com...

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A Tecnologia Comeu o Mundo lá Fora, Delivery e o Tinder

A Tecnologia Comeu o Mundo lá Fora, Delivery e o Tinder

  |  Tempo de leitura: 3 minutos

Três pacientes impactados pela quarentena e isolamento social devido à Covid-19, trouxeram assuntos muito similares numa mesma semana: A tecnologia é um copo de suco detox com uma dose cavalar de whisky no meio. Meio detox, porque graças aos benditos dispositivos móveis, eu trabalho, vou ao banco, supermercado, converso com familiares e amigos, e pipipi e popopó. Resolvo tudo daqui ó, do meu sofá. Meio whisky porque eu perco muito tempo aqui, às vezes fazendo nada. E num é que é nada nada, tipo a tela preta, é uma coisa meio passageira, efêmera, que não leva a nada, mas que sei lá… Eu continuo fazendo e perdendo um bom tempo nessa certa ilusão em estar fazendo algo. Cada paciente traz as suas vantagens e desvantagens em relação à tecnologia Um desses pacientes é solteiro, e usa o Tinder. Outro desses pacientes namora, mas não está em isolamento com o namorado. Enquanto...

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Seja grato

Gratidão na prática: seja grato

  |  Tempo de leitura: 2 minutos

A gratidão é um tema TÃO falado ultimamente. Entre as emoções positivas que devemos cultivar de fato essa é uma das mais importantes. Mas o que é o sentimento de gratidão? A gratidão, aquele sentimento genuíno, que de fato você sente, possui grandes benefícios para a vida humana: Aumenta a sua sensação de bem-estar; Auxilia na manutenção de sua autoestima; Desenvolve seu autocontrole emocional; Diminui sua impaciência. Sem contar que ela é preditora da felicidade. Ou seja, sem a gratidão quase não é possível encontrar felicidade. A prática de se sentir grato(a) Porém, preciso advertir você em algo. Se sentir grato, demonstrar gratidão, é uma prática diária, que deve ser exercida constantemente. Contudo, devemos tomar cuidado para não virarmos uma pessoa gratitude. E o que é isso? São aquelas pessoas que parecem que são gratas por tudo, que demonstram uma gratidão exacerbada, porém não conseguem de fato se conectar e...

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A Clínica, Sancho Pança e as Polêmicas

A Clínica, Sancho Pança e as Polêmicas

  |  Tempo de leitura: 3 minutos

O formato de trabalho da psicoterapia individual é, por definição restrita. Confidencial. Alguém angustiado busca ajuda clínica, muitas vezes sobre assuntos íntimos e delicados. Muitas vezes não é claro, mas para trazer alguém a terapia… Algo deve ser perceptível. O diálogo então pode virar um campo minado, já que existem assuntos polêmicos e sensíveis que serão tocados. Dito isso, mudo de assunto e trago Sancho Pança para uma reflexão sobre a clínica Sancho Pança é uma figura muito curiosa. Dom Quixote, um camponês de meia-idade visivelmente desconexo da realidade, assume a tarefa de tornar-se cavaleiro andante, derrotar inimigos enormes e conquistar sua amada Dulcinéia. Dom Quixote então, convida Sancho para ser seu fiel escudeiro. Ao saber disso, ao invés de contrariá-lo e assumir a “realidade compartilhada”, Sancho Pança pergunta: “Pera lá Dom, e eu ganho o quê com isso?”   Já é de se impressionar que Sancho Pança esperava ganhar em...

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