Categoria: Abordagens

O “cuidado”_ reflexões fenomenológicas sobre a psicoterapia na contemporaneidade

O “cuidado”: reflexões fenomenológicas sobre a psicoterapia na contemporaneidade

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A palavra cuidado de acordo com seu significado em dicionários faz menção ao ato de demonstrar atenção ao outro, em que há cautela, prudência, onde se medem os riscos, sendo assim, podemos inferir este ato como elemento primordial no processo terapêutico. O “cuidado” para a psicoterapia O “cuidado” na perspectiva fenomenológica existencial, uma das abordagens da Psicologia, está muito relacionado ao plano da própria existência do homem, do questionamento diário, das vivências do sofrimento e das possibilidades de mudanças. O cuidado é uma essência deste processo. Cuidar na psicoterapia é possibilitar um relacionamento dinâmico, de forma temporal, que acontece no presente momento no sentido amplo da palavra. No aqui e agora. O cuidado que permite você como cliente tomar consciência e conhecimento de si mesmo. Aqui não estou falando de subjetivismo ou das ferramentas utilizadas pelo profissional no cuidado (Psicoterapeuta) ou ao embasamento teórico da técnica, nem mesmo está relacionado...

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O-Sofrimento-para-a-Psicanalise

O Sofrimento para a Psicanálise

  |  Tempo de leitura: 5 minutos

O sofrimento e angústia, muitas vezes podem advir de uma dificuldade para lidar com os problemas contextuais, sem conseguir dar o devido direcionamento para sua resolução, sem conseguir uma vazão criativa. O sofrimento advém da estagnação da sua própria condição no contexto em que se exige atitudes para elaborar as mudanças necessárias garantindo assim sua própria existência e manutenção dos fluxos das forças vitais. Por isso a psicanálise fala tanto em libido e sexualidade, pressuponho que seja concebida como a força básica e primordial de criação e propagação da vida. Criar, produzir, transformar são meios de se utilizar da libido e dar seu devido fluxo reestabelecendo a homeostase orgânica diante de demandas pessoais. A energia excedente, tendo garantido a estabilidade e subsistência, é manifesta como desejo (expansão/desenvolvimento). A humanidade como espécie conseguiu cada vez mais reduzir a quantidade de energia necessária para garantir sua sobrevivência e subsistência, diante de nossa...

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Reflexões acerca da morte e do câncer

Reflexões acerca da morte e do câncer

  |  Tempo de leitura: 6 minutos

O homem é um ser essencialmente relacional, formador de vínculos e constante usuário de diversos tipos de comunicação para transmitir mensagens. No decorrer de uma trajetória existencial, é possível observar que indivíduos criam laços breves ou duradouros, sendo iniciados através de um aceno, um “olá”, um elogio e até mesmo um pedido de desculpas depois de um esbarrão inesperado na rua. Assim, comunicar-se é essencial na construção e manutenção das relações. Porém não é sempre que a relação entre emissor e receptor ocorre de maneira eficiente, havendo mensagens que ficam em segundo plano, nas entrelinhas ou em um lugar obscuro de difícil acesso, como é o caso de alguns assuntos na sociedade que, por medo ou para manter uma proteção imaginária, tornaram-se tabus. Nesse cenário, vemos a morte e o câncer como alguns dos protagonistas. É comum que metáforas e eufemismos sejam utilizados ao se referir a estes temas, principalmente...

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Crítica psicológica de Breaking Bad_

Crítica psicológica de Breaking Bad (S02 E10)

  |  Tempo de leitura: 4 minutos

Essa é a primeira crítica de série que escrevo e tenho que admitir que sempre fugi disso por ser difícil falar só de um episódio sem levar toda a obra em consideração. Por esse motivo escolhi falar de “Over” (S02E10), que é um episódio sensacional por si só, mas que também me fala muito sobre o que foi e se tornou Breaking Bad, seja no roteiro primoroso, seja na fotografia de brilhar os olhos. Neste episódio a câmera ainda treme muito, como é característica das primeiras temporadas, mas é em cenas como a do discurso de Skyler na festa, em que Walt está em foco, mas é Marie que ocupa grande parte do quadro, que vemos que as cenas que todos lembram da 5ª temporada como perfeitas já estavam presentes desde o início. Este quadro em específico nos mostra como a fotografia casa com o conflito escrito para Walter nesse...

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Os Otimistas, Os Realistas e os Pessimistas

Os Otimistas, Os Realistas e os Pessimistas

  |  Tempo de leitura: 7 minutos

Tenho o privilégio de atender muitas pessoas realistas, muito embasadas em determinados assuntos. Por um lado, serve de linha de raciocínio para a pessoa mostrar sua personalidade, sua história de vida (“onde você aprendeu tudo isso?”) etc. Por outro lado, acabo aprendendo bastante coisa. Já temi me embaralhar. Acabar desfocando os objetivos da sessão para uma conversa informal do meu interesse. Quando agi assim, deu tempo de mudar de direção. Além disso, em todo discurso livre expressam-se conteúdos próprios.  Duas pacientes em específico sempre trouxeram muito sobre seus ideais e, antagonicamente, sua prática no dia a dia. Nem sempre contraditórias, às vezes apenas descontentes com os limites de transformação social que poderiam lutar. Ambas exigentes consigo próprias. Com alguns anos e cursos aprofundando certas convicções, mostram-se munidas de um repertório teórico, e ao mesmo tempo, cansadas pelas desesperanças ou decepções. Engrandecidas pelo processo, diminuídas pelo desgaste. Dicotomicamente, quanto mais se...

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Espontaneidade, o Patinho Feio e Paulo Leminski

Espontaneidade, o Patinho Feio e Paulo Leminski

  |  Tempo de leitura: 6 minutos

Jacob Levy Moreno, criador do Psicodrama, pesquisou desde muito cedo a Espontaneidade. Ela, de acordo com Moreno, é a capacidade em dar respostas novas a situações conhecidas ou inusitadas. Isso não significa que alguém que é espontâneo falando, seja espontâneo dançando. Podemos ter alguma facilidade em uma determinada área, mas somos espontâneos naqueles papéis que nos debruçamos. Espontaneidade e os papéis que assumimos na vida Por falar em papéis, Moreno também os lapidou. Papéis teatrais existem desde a Grécia Antiga. Papel nesse sentido, em inglês, se fala role, e em sua etimologia estão os rolos que os primeiríssimos atores das tragédias gregas liam enquanto teatralizavam (nem sempre era decorado). Papéis são unidades de funções e modos de ser que os indivíduos adquirem ao longo de sua convivência com os grupos. O primeiro papel, naturalmente, é o de filho. Assim que nascemos, somos matrizados em um grupo, com certo funcionamento, certas...

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