Categoria: Psicanálise

Uma análise só começa no divã?

Uma análise só começa no divã?

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O divã chegou às sessões de psicanálise em 1890, quando uma das pacientes de Sigmund Freud o presenteou com a mobília. Segundo ela, para que sua mente fosse analisada era importante que se sentisse relaxada e confortável. O presente então, bege e modesto, foi revestido com tapetes persas e almofadas de veludo por escolha de Freud. A essa altura, Freud já havia desenvolvido seu principal método, que marcaria para sempre a história da psicanálise: a associação livre, que visa transcorrer os caminhos do inconsciente. E quanto mais Freud atendia seus pacientes no divã e mais escrevia sobre eles, mais dava-se conta da importância do uso da mobília. Ela funcionava como um dispositivo que compõe e favorece a prática psicanalítica. O divã como elemento da prática psicanalítica Nesse sentido, a ausência do olhar e a horizontalidade da postura são meios para que a associação livre decorra sem a rigidez da própria...

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Psicanálise em tempos de Covid-19

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A situação em que nos encontramos hoje traz um grande desafio: pela primeira vez na história da humanidade estamos todos enfrentando simultaneamente uma pandemia. E o que a Psicanálise teria a contribuir nessa pandemia de Covid-19? No nosso país, há 100 anos não temos uma grande doença como essa a nos acometer. Apesar de todo seu caráter coletivo, de estarmos passando por um choque abrupto, todos ao mesmo tempo, isso não significa que teremos os mesmos recursos e apresentaremos os mesmos tipos de resposta. Isso não garante também que, mesmo estando acompanhados, não possamos experimentar temores ou até mesmo a solidão. Parece que nosso modo de lidar com a vida se coloca à prova, e nesse momento nossos sintomas podem aflorar, se destacar, o que pode nos causar problemas. Absorvendo conceitos da psicanálise durante a Covid-19 Por outro lado, algumas pessoas continuam trabalhando, muitos estão tendo perdas financeiras, alguns estão...

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A Psicanálise e o Complexo de Édipo

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O Complexo de Édipo, pensado literalmente, tem pouco valor. Conceitos como pai, mãe, filho, matriarca e patriarca já não são como na época vitoriana. O patriarcado, neste sentido literal, acabou. Quer entender tudo sobre a Psicanálise? Experimente ler este artigo. Complexo de Édipo e a função materna E nem sempre as crianças têm disponível como referência essa figura da época vitoriana. A função materna pode ser exercida pelo pai, pela mãe, babá ou avó. Não importa quem assume esta posição. Assim, é uma posição onde aquele que cuida da criança nas suas necessidades, dá aquilo que garante que o desamparo seja contido. Que ela não fique solta no próprio desamparo. A criança não tem ideia do que está sentindo, ou o nome do que ela faz com que está sentindo. Como ela faz cessar o mal estar quando está com fome, com cólica, com a fralda suja, por exemplo. A...

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A psicologia e as feridas emocionais

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“Quem faz perguntas sobre a nossa infância quer saber alguma coisa a respeito da nossa alma” – Erika Burkhart. Que feridas emocionais você tem cultivado dentro de você? A debridação das feridas emocionais Debridamento é a remoção do tecido desvitalizado presente na ferida. A ferida emocional, tal como a ferida física, requer cuidados e atenção do profissional de saúde. Quando se inicia a terapia, o paciente experimenta um leve desconforto, que não chega a ser coceira ou comichão, mas uma sensação incômoda, de origem desconhecida. Algo dói, mas não se nomeia ou se reconhece. Momentos mais tarde, há um sutil rasgo, uma linha que o psicólogo traceja na pele do paciente, uma pequena incisão, através da qual o odor opressor da angústia vai se fazer notar. Entretanto, o mesmo não se esvai completamente, permanecem os restos mais grumosos, aderidas à pele, incrustadas das vivências infantis que estão camufladas. Um recurso...

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Dia Mundial das Doenças Raras e o Raro de Cada Um

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Fevereiro, o Dia Mundial das Doenças Raras e o Raro de Cada Um Os anos bissextos, como é o ano de 2020, são diferentes dos demais por contarem com um dia a mais no mês de Fevereiro – o dia 29. E justamente por ser um dia raro, que só existe a cada quatro anos, foi escolhido, inicialmente na Europa e depois, mundialmente, para celebrar o Dia Mundial das Doenças Raras, com o objetivo de conscientizar sobre as doenças raras, mobilizar a sociedade civil, autoridades em saúde, pesquisadores e profissionais da saúde para a causa, e, ainda, viabilizar avanços e melhora no acesso ao tratamento para os pacientes e suas famílias. De acordo com a plataforma Muitos Somos Raros1, a iniciativa de celebrar o Dia das Doenças Raras, criada pela EURORDIS-Rare Diseases Europe – uma aliança de organizações de países europeus em prol dos pacientes e familiares de pacientes diagnosticados...

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