Cinco Estágios do luto

Cinco Estágios do Luto: sabemos lidar com a morte?

  |  Tempo de leitura: 6 minutos

Luto é o processo que se inicia com uma perda. Ele segue até sua elaboração, quando o indivíduo enlutado volta, novamente, ao mundo externo. Trata-se de um período de recolhimento. Uma experiência emocional profunda e individual que se define pela capacidade de lidar com essas perdas. Cada indivíduo reage de uma forma, a depender de sua estrutura emocional e vivências. A duração difere de pessoa para pessoa, mas psicólogos afirmam que há cinco estágios do luto.

Superar o luto é fundamental. É igualmente importante que a perda não seja reprimida. Do contrário, pode se manifestar posteriormente como algum outro sintoma. O luto não é considerado uma condição patológica. É comum que haja mudanças temporárias no estilo de vida. Diminuição do interesse pelo convívio social e pelas atividades do cotidiano. Sentimentos como entorpecimento (estado de choque), perturbação, crises de choro e dor profunda. Culpa, lembranças de momentos em que a pessoa poderia ter agido de maneira diferente, desespero, hostilidade, raiva e falta de interesse no mundo podem acontecer.

Os Cinco Estágios do Luto

Segundo a psiquiatra suíço-americana Elisabeth Kübler-Ross, pioneira em estudos de proximidade da morte com pacientes terminais e mais respeitada autoridade no assunto, o luto passa por 5 estágios descritos em seu livro “Sobre a Morte e o Morrer”, de 1969. Seu método de pesquisa era baseado em entrevistas com pacientes terminais e suas famílias, buscando a consciência e a aceitação da iminência da morte, sempre respeitando os limites emocionais dos envolvidos.

Ao contrário da crença popular, os cinco estágios do luto não ocorrem necessariamente em uma ordem específica. Passamos pelos estágios antes de alcançar uma aceitação da morte, mas cada indivíduo tem sua própria trajetória. A chave para esse processo, é entender que não há regra, nem todos vão passar pelos estágios na respectiva ordem.  É importante encará-los como guias no processo de luto. Os estágios podem ajudar a entender e contextualizar o momento pelo qual está passando.  

Primeiro estágio: Negação e isolamento

É o primeiro estágio do luto é um sentimento diante da notícia de doença terminal para um paciente ou de morte para um enlutado. Independentemente de como tomou conhecimento do fato, funciona como um para-choque para que o paciente ou o enlutado se acostume com tal situação. É preciso aguardar o momento oportuno para aproximar-se dele, observando os sinais demonstrados. A aceitação parcial é a fase que segue prontamente aos que não se utilizam da negação por muito tempo e consiste em um estado temporário do qual a pessoa se recupera gradativamente até acostumar-se à realidade e começar a reagir.

Segundo estágio: Raiva

O segundo estágio do luto surge quando não é mais possível negar o fato e há o sentimento de revolta, inveja e ressentimento. O paciente ou o enlutado se pergunta: “por que eu e não outra pessoa?”. A raiva é expressa por emoções projetadas no ambiente externo e pelo sentimento de inconformismo. Para a família e os amigos é uma fase difícil de lidar. As atitudes da pessoa não têm justificativa plausível. A raiva só se torna patológica quando se torna crônica.

Terceiro Estágio: Barganha

O paciente começa a ter esperança de uma cura divina ou de um prolongamento da vida em troca de méritos que acredita ter ou ações que promete empreender.

Quarto Estágio: Depressão

Inclui sentimentos de debilitação e tristeza acompanhados de solidão e saudade. Funciona para o paciente e seu entorno, como uma preparação para suas perdas. Essa fase requer muita conversa e intervenções ativas por parte dos que estão à sua volta, de modo a evitar uma depressão silenciosa. Isso porque só os que conseguem superar as angústias e as ansiedades são capazes de alcançar o próximo a aceitação.

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Quinto Estágio: Aceitação

Após externar sentimentos e angústias, inveja pelos vivos e sadios, raiva pelos que não são obrigados a enfrentar a morte, lamento pela perda iminente de pessoas e de lugares queridos, a tendência é que o paciente terminal aceite sua condição e contemple seu fim próximo com mais tranquilidade e menos expectativa. O enlutado que já conseguiu vencer os estágios anteriores. Chega agora ao momento em que a saudade se torna mais sossegada, com mais paz, e começa a ter condições de se reorganizar na vida.

A esperança é o sentimento mais comum a todos os estágios do luto. Até os mais conformados esperam por uma possibilidade de cura. Nesse momento, é fundamental o papel do médico, conservando no paciente a esperança e tentando salvá-lo para que ninguém se entregue. Afinal, a ausência de esperança é o prenúncio do fim.

Hoje, é mais frequente percebermos os hospitais, a medicina e a própria sociedade dando passos para a tão necessária humanização da morte, que não deixa de ser uma maneira de encontrar um sentido para a vida. De qualquer maneira, é importante perceber a dimensão emocional da perda, pois há lágrimas que têm de ser choradas e gritos que precisam ser gritados. Nossa condição humana pede e nossa  saúde mental exige. Entender a morte com mais naturalidade, entretanto, é tão necessário quanto valorizar a vida.

A atuação do Psicólogo

No entanto, nem todas as pessoas conseguem atravessar naturalmente todas essas fases. A aceitação de uma perda e elaboração da mesma pode levar anos. Nesse momento, como um psicólogo pode ajudar uma pessoa em processo de elaboração do seu luto?

O psicólogo tem o papel  de ajudar o indivíduo enlutado a encontrar ferramentas internas para se emancipar do luto. Juntos, paciente e psicólogo, irão trabalhar na elaboração da perda. Irão construir a ponte para o fortalecimento do paciente e encontrar ferramentas para enfrentar as frustrações e dores causadas pela morte.

Se você ou alguém próximo está enfrentando um momento difícil diante da perda de uma pessoa querida, busque ajuda!

Letícia Rangel é Psicóloga clínica e Psicanalista. É parceira da Vittude. Possui experiência no atendimento a adultos e adolescentes. Psicanalista de orientação Lacaniana. Ex-membro do grupo de estudos do Instituto Praxxi – Centro de estudos dos sintomas da contemporaneidade. Tem graduação em Economia e Administração em Marketing com experiência nessas áreas. Fluente em inglês, atendendo também nesse idioma. Marque já sua consulta!

Artigo revisado em: 15/10/2019

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.