Cinco fases do luto - sabemos lidar com as perdas

Cinco fases do luto: sabemos lidar com as perdas?

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

As fases do luto são componentes essenciais do processo de aceitação das perdas. É um tanto peculiar que nós, como seres humanos, temos consciência da finitude da nossa existência, mas não é costumeiro estar pronto para ela. 

As perdas normalmente atingem as pessoas em cheio, causando lágrimas, arrependimentos, desespero e depressão. Essas são reações normais, esperadas e necessárias para aliviar a tristeza causada pela morte de alguém querido. Todavia, será que elas seriam mais brandas se houvesse a compreensão e a aceitação da eminência da morte? 

A verdade é que são poucos os que estão preparados para lidar com as perdas. 

O processo de luto ainda é um tabu. A maioria prefere deixar para se preocupar com isso no momento exato do acontecimento. Por conta das muitas superstições que circulam pelo Brasil, algumas pessoas até temem “chamar a morte” simplesmente por tocar neste assunto!

Com o objetivo de fazer esclarecimentos sobre o luto, neste post vamos abordar os cinco estágios desse processo. 

O que é o luto?

O luto é um processo que se inicia a partir da perda de uma pessoa querida. Uma sensação semelhante também surge quando se perde um vínculo afetivo ou o contato com uma experiência com a qual já se estava acostumado, como o trabalho. 

A pessoa enlutada entra em um estado de recolhimento, onde passa por uma trajetória emocional complexa, logo após a perda. Durante esse tempo, é comum que a pessoa enlutada aparente estar sempre triste, tenha crises de choro, se recuse a sair de casa e perca o interesse em atividades que antes amava.

Da mesma forma, ela pode alimentar um conjunto de emoções e expressá-las de maneiras que nem sempre são racionais, tais como culpa, frustração, irritabilidade, desânimo, angústia, medo e desespero. 

Embora dolorosa, essa experiência é necessária para ela retomar o contato com o mundo exterior – trabalho, vida social, relacionamento e projetos pessoais. Cada indivíduo passa por essa trajetória de forma única. 

Dependendo da sua personalidade, experiências de vida e capacidade de gerir emoções, a pessoa em luto pode sucumbir aos sentimentos ruins no meio do caminho ou chegar ao estágio de aceitação com naturalidade

Independente da situação o resultado deve ser o mesmo: superar o luto. Mesmo que demore anos para superar a morte de alguém próximo, especialmente quando a convivência com essa pessoa era diária, é preciso alcançar a superação. 

Os cinco estágios do luto

A primeira pessoa a falar sobre as cinco fases do luto foi a psiquiatra suíça-americana, Elisabeth Kübler-Ross (1926 – 2004). 

Ela dedicou a sua carreira a estudar as reações emocionais de pacientes terminais, principalmente de câncer e de AIDS, oferecendo lhes escuta em momentos de solidão e medo. O seu objetivo era humanizar o tratamento desses pacientes em hospitais e clínicas, além de educar uma nova geração de médicos sobre a morte e o luto de familiares. 

Em seu livro “Sobre a Morte e o Morrer”, Elisabeth escreveu sobre os cinco estágios do luto. Ela entrevistou pacientes e familiares, buscando compreender a sua relação com a iminência da morte e a aceitação da perda.

As cinco fases do luto não são vividas linearmente, como se costuma acreditar. Cada indivíduo enlutado passa por essa experiência de modo singular, de acordo com as suas competências emocionais e história de vida. Não há regras para viver o luto. 

Além disso, de acordo com as pesquisas de Elisabeth, a pessoa que está com uma doença em fase terminal também passa pelo processo de luto até aceitar a sua condição. Portanto, os cinco estágios abaixo também condizem com esse cenário.  

1. Negação 

Normalmente, a reação imediata ao ouvir a notícia da morte de alguém amado é rejeitá-la. A pessoa enlutada não acredita nem quer tentar acreditar na possibilidade de ter perdido um ente querido, então, rejeita a própria realidade. “É impossível!”, ela pensa constantemente. 

A negação, neste caso, tem como objetivo protegê-la de uma verdade inconveniente, a qual pode desestruturá-la psicologicamente. Deste modo, esse estágio do luto pode demorar minutos, dias ou semanas para passar.

É comum que a pessoa enlutada busque o isolamento social e o distanciamento de tudo que lembre o indivíduo que partiu neste período. 

2. Raiva

Sentimentos de raiva, angústia, desespero, medo, culpa e frustração se manifestam constantemente. Este turbilhão domina a mente da pessoa enlutada, fazendo-a ter condutas ríspidas e desagradáveis. Quando alguém tenta trazê-la para realidade, ela reage com agressividade, ainda incapaz de aceitar a perda. 

É possível que a pessoa em luto expresse a sua raiva por meio de atitudes autodestrutivas, como beber exageradamente, brigar com desconhecidos e destruir propriedade alheia. Como está transtornada, ela não compreende a gravidade de suas ações. 

3. Barganha ou Negociação

Esta fase do luto se constitui por negociações. A pessoa enlutada negocia consigo mesma ou com a entidade superior em que acredita na tentativa desesperada de aliviar a sua dor. Diversos pensamentos de “e se eu tivesse feito isso” ou de “se eu fizer X coisa, posso reverter a situação” rondam a mente da pessoa em luto. Mesmo que ela tenha consciência da impossibilidade desses feitos, ela os alimenta para consolar a si mesma. 

4. Depressão

Cinco fases do luto - sabemos lidar com as perdas

Uma das cinco fases do luto mais intensas é a depressão. A pessoa é acometida por um grande sofrimento, o qual pode se prolongar por semanas ou meses. Ela se apega à dor causada pela partida do ente querido, usando-a como combustível para permanecer em estado depressivo. 

Assim, a pessoa enlutada chora copiosamente, repensa as suas decisões e experiências de vida, se isola de familiares e amigos, tem crises de saudade e não consegue retomar à vida normal da mesma maneira que antes. 

Este estágio do luto requer muita conversa e apoio de pessoas próximas, além de acompanhamento psicológico. A pessoa em luto pode acabar desenvolvendo um transtorno de depressão profundo e não conseguir chegar ao estágio de aceitação da morte. 

5. Aceitação

A aceitação é o último estágio do luto, mesmo quando a experiência não é linear. É neste momento que a pessoa enlutada compreende a sua nova realidade, constituída pela ausência de quem partiu. Os sentimentos e angústias já foram externalizados, resultando em uma sensação de paz interior. 

Aceitar a perda não significa seguir a vida como se a pessoa amada nunca tivesse existido. Não é esquecer os momentos bons partilhados com ela nem enterrar lembranças calorosas em um canto da mente. A saudade ainda vai mexer com as emoções e a pessoa amada ainda vai visitar os pensamentos, mesmo anos após a sua partida. 

Aceitar significa conviver pacificamente com a perda. É o mesmo que se lembrar da pessoa que partiu com carinho, ser grato por ela ter participado de sua vida, compreender que é preciso continuar a viver mesmo sem a presença dela e compreender a finitude da vida. 

A aceitação pode ser trabalhada muito antes do luto começar. 

Apesar de ser difícil aceitar que a vida cessará algum dia, precisamos fazê-lo para lidar melhor com as nossas perdas. Afinal, nada está escrito. Embora seja comum esperar pelo fim somente ao chegar a uma idade avançada, todos nós estamos suscetíveis a encontrá-lo a qualquer momento.

Por isso, abrace, beije, diga “eu te amo”, se apaixone, perca a vergonha e viva de acordo com seus anseios e valores para não se arrepender depois. Além disso, converse sobre a morte sem medo para se acostumar com a partida iminente de pessoas queridas. 

Como lidar com o luto?

Quando falamos em lidar com o luto, opiniões diversas surgem. Há quem acredite que não é saudável se entregar a ele. Há quem acredite que não é possível encontrar a tranquilidade interior sem passar pelas cinco fases do luto. 

Então, qual é a resposta certa?

Um pouco de cada pensamento. O processo de luto não é patológico. Ele é uma resposta emocional esperada em uma situação de perda. Viver o luto é um direito de todas as pessoas, independente do grau de parentesco ou de afinidade com quem partiu. 

Os cinco estágios do luto são necessários para a pessoa em luto compreender a magnitude de sua perda, expressar sentimentos e, enfim, encontrar a paz.

Porém, nem todas as pessoas conseguem atravessar todas as cinco fases do luto naturalmente. Como precisa administrar muitas emoções ao mesmo tempo, a pessoa enlutada pode se sentir sobrecarregada. Pode levar anos para que ela seja capaz de processar a perda.

Neste caso, a pessoa pode fazer terapia.

O psicólogo tem o papel de ajudar a pessoa enlutada a navegar pelas fases do luto. Ele a orienta a fazer uso de suas capacidades internas para, enfim, chegar ao ponto da aceitação da perda. A partir de então, ela consegue traçar novos planos e objetivos para a sua vida. 

Sendo assim, a terapia é uma ferramenta eficaz para aliviar a vivência do luto. Se você está passando por momentos difíceis após a perda de uma pessoa querida, busque ajuda profissional para processar o luto e se reerguer.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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Artigo publicado em Luto