ciúme

Será ciúme ou medo de perder? Entenda esse mecanismo

  |  Tempo de leitura: 8 minutos

Não é nada fácil construir um relacionamento. Às vezes temos que passar por muitas coisas, como alegrias, angústias, medos, prazeres, incertezas. Podemos passar anos com a mesma pessoa, e com outras ficamos por pouco tempo. Durante um relacionamento sempre aparece aquela insegurança que gera tensão em nosso corpo e que pode surgir de vez em quando ou quase sempre. Ciúme ou medo de perder? Você entende esse mecanismo de controle? Saiba um pouco mais esses sintomas e como eles agem em conjunto para sabotar nossos relacionamentos.

Por que temos medo de perder a pessoa amada?

Ver-se solitário pode ser algo muito angustiante. Essa sensação pode emergir após a morte do nosso companheiro(a), durante uma viagem de longo tempo e até por uma separação difícil. Num relacionamento, uma das coisas que mais tememos é perder a pessoa amada caso ela se desinteresse ou saber que ela passou a se interessar por outra pessoa, alguém que possa vir a nos substituir. Às vezes, ficamos perdidos ou até distantes de nós mesmos, podendo perder de vista nossos valores e passando a ter pouco contato com as nossas emoções. Esses fatores geram insegurança. Sendo assim, podemos ficar desconfiados sobre o que o outro faz longe de mim.

E quando a gente não larga do pé do parceiro (ou vice-versa)?

Quando estamos diante do pavor de perder a pessoa amada, sabemos que essa perda pode gerar dores intensas e nos vemos diante de um sentimento de fracasso que pode interferir na nossa autoestima. Tendemos a utilizar alguns recursos para comandar o outro. Entramos num padrão de comportamento comprometido, como por exemplo,  de controlar o corpo e a mente do(a) parceiro(a). Sem discernimento, podemos ligar para o companheiro(a) o tempo inteiro, mapear seus passos controladamente, ficar atento às suas publicações de Facebook e até chegar a invadir de fato sua privacidade a ponto de não perceber seus limites e de ultrapassar a moral e a ética, tornando o relacionamento ruim.

E quando percebemos que o(a) parceiro(a) perdeu interesse sexual?

O ciúme nem sempre é evidente, mas muitas vezes não conseguimos expressar nossas emoções de forma branda. Em alguns casos, a necessidade de amparo é intensa e às vezes partimos para ações mais severas. Perder a pessoa amada pelo desinteresse sexual é algo tão temeroso que a única salvação encontra-se em reprimir  possessivamente o(a) companheiro(a), não deixando-o em liberdade para fazer escolhas. Muitas pessoas tentam sabotar a autoestima da pessoa amada para que ela perca suas forças e desista de nos abandonar.

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O ciúme como uma pitada de tempero no relacionamento

Um grande número de pessoas, no entanto, considera o ciúme como uma “pitada de tempero” do intenso sentimento amoroso. Alguns tendem a reconhecer o ciúme no parceiro(a), fazendo encenações e provocações para assim terem a certeza de que estão sendo amados.

Cuidado com o ciúme agressivo!

Há pessoas que perdem totalmente sua compostura diante do sentimento de ciúme, tornando-se extremamente agressivas e partindo para a violência em função de um descontrole físico e psíquico. O medo da perda e de ser trocado(a) remete a sofrimentos muito intensos como rejeição, desamparo e humilhação.

Essa insegurança também envolve o medo do futuro

Nem sempre conseguimos controlar o ambiente para que ele permaneça intacto conforme as nossas necessidades. O ser humano está propenso a viver sua vida em determinadas condições e uma delas corresponde às nossas incertezas. Ninguém pode ter certeza do dia de amanhã e saber exatamente se vamos estar vivos, se vamos mudar de residência, de trabalho ou para onde caminharemos. O futuro é um pensar de que nada se sabe do que poderá acontecer. Isso também é um gerador de medo e insegurança.

Controlar é um sinal de fortalecimento ou de fraqueza?

Quando não permitimos sentir nossas emoções com intensidade, elas poderão ficar escondidas pela terrível sensação do desprazer. Por trás da tentativa de controlar está o medo da perda e da solidão. Fica em evidência que a ação de reprimir a pessoa amada é um ato de fraqueza. Fortalecida está a pessoa que se dá conta das suas emoções e sabe manifestá-las de forma saudável, ao contrário daquele que teme em mostrar suas fraquezas buscando escondê-las.

Precisamos entender que a vida é incerta

O ciúme pode estar relacionado com as incertezas da vida. O amor não é garantia de futuro! Como fazer para superar o temor das incertezas? Quando não suportamos bem as frustrações que a vida nos apresenta, entramos numa espécie de sufoco, podendo nos tornar vulneráveis ao meio e às situações de sofrimento vivenciadas.

O ser humano é criado para ir para o mundo. Um mundo cheio de incertezas, insatisfações, dificuldades e angústias. Pessoas resilientes são mais flexíveis e buscam força contra eventos negativos que podem destruir suas vidas. Quando estão cobertas de forças para superar as dificuldades, podem não se revoltar contra a vida e estarem dispostas a encarar as coisas boas e ruins pelo caminho.

O que está por trás de um comportamento controlador?

Quando controlamos a pessoa amada para ter a certeza de que ela nunca irá nos deixar, podemos entrar numa condição vulnerável. Controlar o maior número de variáveis para comprovar essa certeza pode ser um risco para o relacionamento. Portanto, temos que tomar cuidado para não exagerar a ponto de perder os princípios éticos com o companheiro(a).

Muitas vezes não nos damos conta do quanto agimos de forma repressiva e dominadora. Essas atitudes podem ocasionar algumas condições para a realização do nosso maior temor: a perda. Quanto maior for o medo de perder, maior se torna o nosso controle para tentar segurar o parceiro. Onde ficamos nessa situação? Nossa essência fica desvalorizada a partir do momento em que me coloco no papel de “feitor”, tentando controlar e dominar por não saber lidar com as incertezas da vida. A pessoa dominada pode se sentir sufocada e podemos perder o amor e a admiração que ela tem por nós.

Como livrar-se do ciúme e do medo de perder?

Diz a musica da Legião Urbana: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. Importante ressaltar, porém, que nossa vida é um caminho que apenas nós podemos construir com nossos passos. As mudanças e dificuldades fazem parte da nossa existência, sendo que precisamos estar encorajados para enfrentar novos desafios.

Estar livre de controlar os passos da pessoa amada é um sinal de saúde mental. Permitir sentir o ciúme como sua verdade, mas não como a verdade de um relacionamento, pode ser o caminho mais viável para a conter as dores mais intensas. Precisamos confiar e acreditar no amor para acreditar em nosso(a) parceiro(a) e construir um relacionamento saudável.

Quando sabemos exatamente quais são os nossos valores e os nossos limites, temos maior domínio sobre nós mesmos. Mais controle das emoções. Esses são fatores que podem fortalecer a união do casal. Uma boa terapia individual ou, em alguns casos, de casal, pode ser de grande valia para isso.

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Artigo revisado em: 15/10/2019

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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[…] Quando devemos perceber o “excesso” como um aviso? Quando os dias antes do “momento especial” forem narrados como negativos, com episódios de brigas, de humilhações, de cobranças ou ciúmes. […]

Gabriela

Existe salvação para um casamento em crise, sou prova viva disso. Demorei muito tempo para aprender coisas básicas, investi no meu relacionamento e tudo mudou….
Aprendi muito com a Luiza… clica no link do site dela que eu to deixando… ela ajudou muitas pessoas