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Ciúme: quando ele se torna doentio e destrutivo

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Ciúme: aquele sentimento incômodo, motivado pela insegurança. Nasce de um medo quase inexplicável de perder a atenção e o interesse da pessoa amada. Quem nunca sentiu ciúmes que atire a primeira pedra!

Aqui estamos falando falando do ciúme nos relacionamentos amorosos. Porém, ele também pode se manifestar entre irmãos, amigos e colegas de trabalho, por exemplo.

No entanto, diz-se que sentir ciúmes é algo natural, e até mesmo uma herança deixada pelos nossos ancestrais.

O homem primitivo sentia ciúme de sua parceira. Ele temia a possibilidade de que seus filhos não fossem legítimos e assim protegia sua linhagem. A mulher primitiva, por outro lado, sentia ciúmes do parceiro pelo medo de que ela e sua prole fossem abandonadas. Ela temia ficar sem o sustento dado pelo chefe da família.

Se observarmos com cuidado, há uma grande parcela de verdade nessa correlação. Ficar enciumado diante de algumas situações é bastante comum a quase todas as pessoas. Há quem diga, inclusive, que gosta quando seu par demonstra isso. Isso porque a ausência completa de ciúme pode dar a ideia de indiferença.

De fato, há uma porção saudável de ciúme, que remete ao cuidado, carinho e desejo de preservar a relação. Mas é preciso estar atento para que esse sentimento não seja dominante. Para que ele não acabe prejudicando a relação, a ponto de causar um rompimento.

A seguir, vamos entender um pouco mais sobre o ciúme e porque ele pode ser uma ameaça à felicidade e ao futuro dos relacionamentos.

Entendendo o ciúme

No dicionário encontramos a seguinte definição de ciúme:

1. estado emocional complexo que envolve um sentimento penoso provocado em relação a uma pessoa de que se pretende o amor exclusivo; receio de que o ente amado dedique seu afeto a outrem; zelo (mais us. no pl.).

2. medo de perder alguma coisa. 

Portanto, podemos perceber, sem muito esforço, que esse sentimento está relacionado ao desejo de exclusividade. Ou seja, são as situações que representam ameaça a essa exclusividade que mais despertam o ciúme entre um casal.

Muita gente confunde o ciúme com a inveja, mas estes são sentimentos diferentes. A inveja parte do princípio do querer ser como o outro ou ter o que o outro tem. E sim, esse “querer ter” pode se referir à atenção e ao afeto de um terceiro. A inveja, porém, costuma ser uma relação unilateral, de desejo por coisas materiais ou pelo status social de uma outra pessoa.

Ciúme e o terceiro elemento

Contudo, o ciúme sempre possui um pivô, um terceiro elemento “ameaçador”. O filho mais velho pode sentir ciúmes da mãe por achar que ela dá mais atenção ao filho mais novo; a garota pode sentir ciúmes da melhor amiga quando esta dá atenção para uma outra amiga. E o namorado tende a sentir ciúme quando a namorada desperta a atenção de outros homens por sua beleza ou comportamento.

Observe que a possibilidade de ser preterido, enganado e, principalmente, traído faz qualquer ser humano, por mais seguro e autoconfiante que seja, ficar enciumado diante de um contexto potencial de rejeição.

Todavia, pessoas inseguras têm uma tendência maior a sentirem ciúmes. Os motivos podem ser os mais banais e infundados. Nesse caso, há uma linha tênue que separa realidade de fantasia.

Para evitar crises e até desconfiança do parceiro ou parceira, é preciso entender o ciúme a partir de algumas emoções e situações que tendem a desencadeá-lo. Vejamos:

Fantasmas do passado

Não é incomum que o ciúme passe a fazer parte da vida de uma pessoa a partir de uma experiência traumática em relacionamentos, sejam eles atuais ou anteriores. Ao passar por uma traição, por exemplo, a pessoa que antes não se considerava ciumenta passa a sentir-se desconfiada, com medo de passar por tudo aquilo novamente. 

Se estiver em um novo relacionamento, pode achar que o parceiro atual tende a fazer o mesmo que o anterior que a enganou. Ou ainda, caso tenha dado uma segunda chance a quem “pisou na bola”, torna-se muito mais cautelosa dali em diante, e deixa aflorar um ciúme que antes não existia.

Autoestima lá embaixo

Um indivíduo com baixa autoestima pode não se sentir merecedor do amor e da atenção dos outros. E por ter uma imagem distorcida de si mesmo, acreditando que não é bom o suficiente em determinados aspectos, pode acabar se tornando muito ciumento ao entrar numa relação.

Assim, a falta de autoestima o fará temer a rejeição constantemente. Nesses casos, o ciúme é um sentimento que estará presente na vida a dois, impedindo que a pessoa viva plenamente seus relacionamentos.

Possessividade: sinal de alerta para o ciúme doentio

Pior do que o próprio ciúme é a falta de controle sobre ele. Os extremos da possessividade e da tentativa de controlar o outro são alertas para um tipo de ciúme patológico, que pode beirar o descontrole e ter consequências graves.

Nem todo mundo que sente ciúme é possessivo, mas todo possessivo é ciumento. Isso porque há uma espécie de ansiedade de abandono envolvida que torna a pessoa mais vulnerável. Por se sentir impotente, surge a necessidade de controlar o outro e se manter o mais próximo possível, o que dá ao parceiro a sensação de estar sendo sufocado.

Dessa forma, tentar exercer controle sobre o outro vêm da incerteza – que é algo intolerável para o ciumento. Com isso, ele cria situações, observa detalhes e torna-se questionador sobre todos os passos que a outra pessoa dá, demonstrando sua possessividade.

Se chegar ao extremo de atitudes como vasculhar os pertences do parceiro ou até mesmo querer proibi-lo que sair sozinho e de manter suas amizades, é importante ficar atento ao alerta de um estágio avançado do ciúme, que pode ser considerado doentio e profundamente prejudicial.

Síndrome de Otelo

O ciúme doentio já ganhou status de síndrome, e foi batizado de “Síndrome de Otelo”, fazendo referência ao personagem shakespeariano que mata a própria esposa por causa de sua obsessão e ciúme doentio.

De fato, a possessividade pode ter consequências desastrosas. Da tentativa de controlar os passos da pessoa amada com perguntas constantes sobre sua rotina, passando pela invasão de redes sociais, celular e email até reações mais agressivas, o ciúme patológico pode, inclusive, custar a vida de uma pessoa.

No entanto, nem todos os casos chegam ao ponto trágico de tirar a vida do parceiro ou parceira por ciúmes. Porém, em muitos relacionamentos abusivos podem ocorrer estragos psicológicos que deixarão marcas profundas em cada um. A pressão causada pela desconfiança e a perda da individualidade que o ciúme doentio causa, podem levar uma pessoa à desenvolver depressão e transtornos de ansiedade graves.

Como manter o autocontrole e driblar o ciúme?

Lidar com o ciúme pode parecer difícil. Talvez seja mesmo algo que cause um certo nível de sofrimento. No entanto, é possível – e necessário – administrar as próprias emoções. É fundamental buscar alternativas para driblar esse sentimento e não deixar que ele controle sua vida e suas relações.

Reconhecimento do problema

O primeiro passo é perceber o que acontece e se reconhecer como alguém que sente ciúme de maneira desmedida. Seja por orgulho, ou mesmo por falta de compreensão das próprias emoções, algumas pessoas não conseguem assumir seu ciúme, quanto mais aceitar que ele ultrapassa o limite do aceitável.

No entanto, esse é um requisito fundamental para não se deixar dominar pela insegurança e pelo medo da perda, sem que haja uma razão verdadeira para isso.

Trabalhar a autoestima

Manter-se fortalecido e com a autoestima elevada fará toda diferença na hora de driblar o ciúme. Para isso, é importante realizar atividades prazerosas, direcionar o foco para tarefas importantes, enfim… sentir-se útil!

Que tal iniciar aquele curso que está sendo adiado há tanto tempo? Ou retomar um hobby que ficou esquecido? Quando fazemos coisas que gostamos e temos habilidade, percebemos como nossas ações são importantes e isso nos fortalece emocionalmente.

Além disso, cuidar da aparência, fazer atividades físicas e se alimentar corretamente o corpo e a mente também são formas de elevar a autoestima.

Manter um diálogo aberto entre o casal

Se você reconhece seu ciúme, é importante dizer ao parceiro como se sente em determinadas situações. Não se feche acreditando que o outro irá adivinhar o motivo da sua insatisfação.

Seja claro ao demonstrar o que lhe deixa desconfortável. Abra o caminho para que a pessoa com que você se relaciona possa falar também das coisas que lhe desagradam. Busque se colocar no lugar do outro e acredite que ele está ao seu lado porque escolheu você para amar.

Exercitar a autoconfiança e a confiança no outro

Confiar em si mesmo é requisito para manter longe as consequências desastrosas do ciúme excessivo. Quando reconhecemos nossas qualidade e sabemos que somos dignos do amor e do respeito de nosso parceiro ou parceira, deixamos de ter motivo para tanta insegurança e passamos a confiar mais no outro também.

Quando o ciúme chega a ser destrutivo e prejudica a vida a dois, a ponto de refletir também na individualidade de cada um, é hora de buscar ajuda de um psicólogo.

A psicoterapia, seja individual ou na forma de terapia de casal, pode mostrar caminhos que antes eram desconhecidos. O acompanhamento psicológico pode dar uma nova perspectiva para os relacionamentos.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.