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Como saber se meu filho tem autismo e como fazer o acompanhamento?

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

“Como saber se meu filho tem autismo?” é uma pergunta que está se tornando cada vez mais comum entre pais e mães. A prevalência de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aumentou, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência do Departamento de Saúde dos Estados Unidos. 

Em 2004, o CDC divulgou que 1 em 166 pessoas receberam o diagnóstico de autismo. Já em 2020, 1 em 54 pessoas de oito anos, em 11 estados americanos, tinham TEA. Mesmo que esses dados sejam referentes a outro país, podemos notar um aumento significativo de diagnósticos. 

Esse crescimento possui uma série de explicações possíveis, como acesso mais fácil às instituições de saúde e mais conhecimento científico sobre TEA. De qualquer forma, é fato que mais famílias se preocupam com a possibilidade de os filhos terem autismo que alguns anos atrás.

É imprescindível, portanto, que informações acerca do TEA atinjam o maior número possível de pessoas. 

O que é autismo?

Popularmente chamado de autismo, o Transtorno do Espectro Autista é uma desordem neurológica caracterizada por deficits nas habilidades comunicacionais e comportamentais. 

Existem muitos subtipos desta condição de saúde, como a síndrome de Asperger, autismo de Kanner e autismo infantil. Todos eles se manifestam em diferentes intensidades, por isso, o DSM V classifica essas condições como um espectro. Veja abaixo os três níveis de intensidade:

Alta funcionalidade: os sintomas não impedem a pessoa autista de estudar, trabalhar e se relacionar, embora as relações sociais sejam conduzidas de forma diferente; 

Média funcionalidade: a pessoa autista precisa receber um determinado grau de assistência para executar funções do cotidiano, como preparar uma refeição, trocar de roupa e escovar os dentes; e

Alta funcionalidade: os sintomas são graves e a pessoa autista precisa de auxílio especializado por toda a vida. 

Outra característica que merece destaque é que algumas pessoas portadoras de TEA apresentam habilidades extraordinárias. Elas podem ter um talento natural para as artes, ter uma memória bem desenvolvida e capacidade de concentração acima da média.  

As causas do TEA ainda não são totalmente conhecidas. De acordo com a instituição americana Autism Speaks, pesquisas apontam para a influência de fatores hereditários e modificações nos genes. 

O transtorno também pode estar associado a desordens genéticas, como, por exemplo, a síndrome de Rett, distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta meninas.  

Outros fatores que podem ter correlação com o aparecimento do autismo são: fatores biológicos (desequilíbrio metabólico), gravidez em idade avançada e complicações na gravidez (estresse, exposição a substâncias tóxicas, infecções). 

Como saber se meu filho tem autismo?

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Os sintomas do TEA são variados. Como alguns são bem específicos, tende a ser mais fácil para os pais os identificarem. Abaixo, listamos 12 sintomas. Assim que eles forem notados, a criança deve ser levada ao médico ou ao psicólogo para a realização do diagnóstico. 

 Evitar contato visual

A criança autista tem dificuldade em sustentar o contato visual. Algumas olham brevemente enquanto outras não conseguem fazê-lo. Para elas, olhar no olho é estressante ou intimidador. Os primeiros sinais desse comportamento podem ser notados quando a criança ainda é um bebê, mas o diagnóstico só é feito quando ela fica mais velha.  

Ter dificuldade para se expressar oralmente ou não falar

Um dos sintomas que despertam a preocupação dos pais é a dificuldade para se expressar com palavras ou a mudez em idade que a criança já deveria estar falando. Cerca de 25% a 50% das crianças diagnosticadas com TEA não desenvolvem a habilidade de falar, tornando-se “autistas não verbais”. Terapias para a fala são importantes para estimular essa aptidão. 

Não responder quando é chamado

A criança autista também não costuma responder quando alguém a chama pelo nome ou fala diretamente com ela. Uma possível explicação para essa dificuldade foi descoberta recentemente, segundo o portal americano Healthline. Pode ser que a criança com TEA não responda porque as conexões de recompensa em seu cérebro apresentam deficits. 

Repetir certos movimentos

Movimentos repetitivos incluem balançar os braços ou as mãos, mover o tronco para frente e para trás, bater os pés no chão, girar sem parar, estalar os dedos, andar nas pontas do pé, movimentar os dedos na frente dos olhos, entre outros. 

Não é recomendado que os pais tendem parar ou prevenir esses movimentos, especialmente em momentos de crise. Em 2018, um menino autista de 13 anos faleceu devido ao uso de técnicas de restrição inapropriados por funcionários da escola que frequentava. O caso ocorreu nos Estados Unidos.

Existem técnicas terapêuticas que foram desenvolvidas por profissionais justamente para ajudar crianças autistas a controlarem esses movimentos. 

Repetir frases

O ato de repetir frases e expressões é chamado de ecolalia. A criança autista repete frases que ouviu em filmes ou em conversas. Essas repetições podem ocorrer imediatamente a fala de outra pessoa ou minutos e/ou horas depois. Esta é uma das características mais comuns do TEA. 

Isolar-se socialmente

O isolamento social voluntário pode despertar dúvidas em pais que se perguntam como saber se o filho tem autismo. Crianças autistas podem se distanciar de outras crianças ou de adultos em momentos sociais por diversas razões. Por isso, os pais devem consultar um especialista para descobrir a verdadeira causa desse comportamento.  

Outro fator a ser considerado é que as crianças autistas possuem dificuldade de permanecer em ambientes que contam com gatilhos que despertam a vontade de fazer esses movimentos. Assim, elas se isolam para evitar o mal-estar ou provocações de outras crianças.

Cultivar um interesse específico

É muito comum que crianças autistas tenham um interesse intenso em um assunto específico, como vida animal, astronomia, invenções científicas, computação e natureza. Elas procuram saber o máximo possível sobre o objeto de seu interesse e falam repetidamente sobre ele. Esse comportamento é uma forma reduzir o estresse. 

Levar expressões ao pé da letra

A pessoa autista tem dificuldade de pensar de modo abstrato. Ela não compreende expressões como “botar a carroça na frente dos bois” e “trocar os pés pelas mãos”. Por isso, ela pode passar o dia preocupada com uma expressão que considerou estranha. As conversas com ela devem ser bem específicas para não acarretar ansiedade ou comportamentos inusitados. 

Não gostar de barulhos altos e luzes ofuscantes

A criança autista não administra muito bem estímulos do ambiente, como música ou barulho alto (buzinas, sirenes, choque de um objeto pesado contra o chão), e luzes estroboscópicas ou com cores vibrantes. Ela fica estressada e tenta fugir desses estímulos. Por essa razão, algumas crianças com TEA optam por não participar de atividades escolares

Brincar com objetos de maneiras inusitadas

Esse sintoma consiste em: alinhar brinquedos em fila, organizá-los por tamanho ou por cor, separar determinados objetos em lugares específicos do cômodo e fazer brincadeiras muito distintas das outras crianças. Como as formas de brincar da criança autista diferem das formas da criança que não está o espectro, os pais costumam percebê-las facilmente. 

Fazer rituais atípicos e ter apego a rotina

A criança autista adora rotina! Ela desenvolve rituais específicos para se sentir segura no cotidiano ou durante uma certa situação. Quando a sua rotina é quebrada, interrompendo os seus rituais, ela se estressa e pode entrar em crise. 

Em ambientes demasiadamente estressantes ou durante um período conturbado de sua vida, ela recorre a esses rituais para controlar a ansiedade

Outra característica importante das rotinas é que elas envolvem regras e instruções diretas. Dessa forma, a pessoa com TEA consegue compreendê-las com mais facilidade e não fica receosa com a possibilidade de encontrar imprevistos. 

Ter pouca noção de situações perigosas

Como a criança com TEA normalmente vive em seu próprio universo, alheia ao que acontece ao ambiente, ela tem pouca noção de perigo e comportamentos suspeitos. Assim, ela pode se colocar em situações ameaçadoras com frequência.

Possibilidades de acompanhamento para TEA

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Para responder à pergunta “como saber se meu filho tem autismo” verdadeiramente, os pais precisam buscar um especialista em caso de suspeita de sintomas. De preferência, o tratamento deve ser iniciado logo após o diagnóstico. 

O acompanhamento para o transtorno do espectro autista é multidisciplinar, ou seja, envolve a atuação de vários profissionais. Cada indivíduo recebe um processo único, voltado para a intensidade dos sintomas apresentados. 

Os profissionais que acompanham as crianças com TEA são pediatra, psiquiatra, neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo, entre outros.  

Isso também se estende para o ambiente escolar, onde a criança passa maior parte do tempo. Intervenções são realizadas para que ela consiga acompanhar o ritmo de aprendizagem dos coleguinhas de turma e aprender a se socializar. 

A psicoterapia é uma parte muito importante do acompanhamento do TEA. É normal que as crianças autistas façam várias sessões durante a semana. Os pais também fazem sessões individuais com o psicólogo para conversar sobre o progresso da psicoterapia. 

A criança é estimulada com exercícios de comunicação funcional e jogos. Deste modo, ela trabalha a sua capacidade de aprendizagem, de concentração e de adquirir habilidades. Além disso, é importante que ela receba orientações de como lidar com situações desagradáveis e contrapor comportamentos que causam sofrimento.

Muitas vezes, o objetivo das técnicas terapêuticas não é cessar totalmente um determinado comportamento, como os movimentos repetitivos. Na verdade, elas tentam torná-los menos intensos e erráticos.

Este artigo lhe ajudou? Então, nos ajude a compartilhar essas informações e conscientizar mais pessoas sobre os sintomas do autismo.

Para mais conteúdos como este, acompanhe o blog da Vittude!

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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Artigo publicado em Transtorno de Aprendizagem