Depressão nas empresas

Depressão e indiferença causam prejuízos milionários a empresas

Depressão e indiferença causam prejuízos milionários a empresas
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No ano passado, mais de 75 mil brasileiros foram afastados do mercado de trabalho por depressão, causando enorme prejuízo às empresas. Isso está de acordo com um relatório divulgado há três semanas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que coloca o nosso país como líder mundial em casos de ansiedade e o quinto em depressão. Mas, diante desses quadros assustadores, é alarmante observar que muitas empresas simplesmente ignoram (ou tentam ignorar) que o problema pode estar acontecendo com seus colaboradores. O que você, gestor de RH, CEO, diretor, fundador, está fazendo pela sua saúde e de sua equipe? Já parou para pensar que alguns membros do seu time podem estar próximos de um burnout?

Os números divulgados pela OMS e INSS são alarmantes. Todos os anos milhares de pessoas deixam seus postos de trabalho afastadas por problemas relacionados à saúde mental. Nos próximos 3 anos, estima-se que a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. Hoje ela já custa à economia global cerca de 1 trilhão de dólares. É um problema de saúde pública? Sim, com certeza! Mas também é responsabilidade de cada empregador zelar pelo bem-estar e saúde de seus funcionários.

O papel das empresas privadas

Se até as contas públicas têm sido ajustadas com apoio do setor privado, entendo como igualmente importante a mobilização das empresas privadas para o combate à depressão e outros problemas relacionados à saúde emocional. Nossa taxa de desemprego praticamente dobrou nos últimos dois anos: saiu de 6,8% para 12,6%. Essa é uma das razões apontadas como responsáveis pelo crescimento do índice de depressão na população. As empresas se viram obrigadas a cortar custos. Elas enxugaram suas operações, mas ainda podem e devem cuidar de quem ficou, para que os números não piorem. O medo de perder o emprego, o assédio moral e o clima de desconfiança em muitos ambientes corporativos são os principais causadores de estresse no contexto atual. Por isso, muitos casos de afastamento são declarados como sendo acidente de trabalho, recaindo sobre a empresa.

Situações como a perda de um cônjuge ou parentes muito próximos como pais e filhos, o término de um relacionamento ou mesmo a perda de um emprego podem causar em um indivíduo uma sensação de imenso vazio e até desnorteamento. Buscar a ajuda de um psicólogo pode fazer a diferença entre a superação do momento difícil ou a desestruturação permanente.


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Depressão corporativa: como combater?

E como começar a mobilização? Eu respondo: mudando o Mindset! Sou fundadora da Vittude, uma startup focada em psicologia. Visitei recentemente o RH de uma grande empresa multinacional. O objetivo da reunião era avaliar possíveis parcerias entre as duas empresas e divulgar a plataforma aos funcionários. A reunião fluiu muito bem: o gestor considerou a inovação muito bacana. Mas, ao final do encontro, desabafou ser difícil nos apoiar e divulgar a Vittude. Ao questionar o porquê, ouvi a seguinte resposta: seria muito legal e saudável se nossos funcionários tivessem mais acesso a psicólogos, porém eu não posso estimular que eles usem o plano de saúde com isso. “Caso aumente o número de pessoas indo ao psicólogo, provavelmente teremos um aumento na sinistralidade e terei os valores do plano de saúde reajustado no próximo ano”, explicou.

Fiquei chocada com a resposta! Na verdade é uma visão míope. Será que alguém parou para colocar em uma planilha os custos decorrentes de alguns transtornos? Recentemente a mídia noticiou uma condenação do Itaú, obrigado a pagar indenização por danos morais a alguns funcionários que foram assediados moralmente por um gestor descompensado: R$ 1 milhão foi o valor da multa.

Será que, se esse gestor estivesse sendo acompanhado por um psicólogo, não teria atitudes diferentes? Para cargos de gestão, inteligência emocional é fundamental e esta pode ser efetivamente trabalhada com a ajuda de um psicólogo.

Improdutividade e automedicação

Como calcular o custo intangível da improdutividade de alguém com problemas emocionais? TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é uma realidade. Já ouvi pelo menos cinco relatos de profissionais de alto escalão que se utilizam de Ritalina para se manterem concentrados e atingirem uma melhor performance. Pessoas, por exemplo, que atuam em mesas de operação, em tesouraria de grandes bancos e fundos de investimento, que admitiram tomar Ritalina para conseguir se concentrar e ler os relatórios de mercado. Apesar de usarem a medicação, nenhum deles faz acompanhamento com um psicólogo. O uso de rivotril e outros antidepressivos também está cada vez mais comum.

Como se pode ver, não se trata de um problema passageiro ou pequeno. Profissionais de todas as áreas podem ser afetados por distúrbios emocionais, provocando enormes prejuízos à suas vidas e às empresas onde trabalham. E a auto-medicação, como em qualquer outro caso, pode ter efeitos devastadores. Portanto, antes de pensar na sinistralidade do plano de saúde, pense nos enormes danos aos resultados de sua companhia que essa economia pode causar. Antes que isso aconteça, veja como a Vittude pode ajudar sua companhia. Visite nosso site: www.vittude.com

Dia Mundial da Saúde – Campanha de Combate à Depressão

Por fim, faço um convite a todos: para o Dia Mundial da Saúde de 2017, lembrado em 7 de abril, a OMS deu início a uma campanha sobre depressão. Com o lema “Let’s talk” (“Vamos conversar”, em português), a iniciativa reforça que existem formas de prevenir a depressão e também de tratá-la, considerando que ela pode levar a graves consequências. Alinhado com esta campanha, a Vittude realizará um debate com startups, empresas em crescimento, gestores de RH e profissionais liberais no próprio dia 7, no Campus São Paulo, espaço mantido pelo Google para empreendedores. Você está convidado a participar e nos ajudar a mudar o cenário brasileiro. Não deixe de participar!! Inscreva-se já!

 

Tatiana Pimenta é Ceo e fundadora da Vittude. Atua também como Coach nas áreas de empreendedorismo, gestão de negócios e vendas. É mentora de jovens e mulheres empreendedoras. Desenvolve trabalhos de consultoria empresarial nas áreas de gestão de vendas e cultura organizacional.

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