Depressão infantil

Precisamos falar sobre depressão infantil: saiba quais são os sinais de alerta

  |  Tempo de leitura: 11 minutos

Depressão infantil existe? Muitas pessoas podem acreditar que não, afinal, vemos muitos casos de jovens, adultos e idosos com depressão, mas quase nada sobre crianças. Embora não seja muito frequente, elas também podem sofrer com o transtorno. 

A manifestação da depressão na infância é de difícil identificação. Como a criança está em desenvolvimento, por vezes, os pais percebem certas atitudes e comportamentos como parte desse processo. 

Além disso, as crianças normalmente se mantêm em silêncio sobre o que estão sentindo. Isso porque elas não têm o mesmo entendimento que um adulto possui sobre suas emoções e pensamentos. Quantos de nós, quando crianças, compreendíamos a gravidade de uma doença? A responsabilidade, então, recai sobre os pais.

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Estatísticas mostram que o índice de depressão infantil no Brasil varia entre 0,2% a 7,5% para crianças abaixo de 14 anos. Na idade pré-escolar, a ocorrência é menor do que na fase próxima da adolescência.  Ainda assim, vale ficar de olho para prevenir o desenvolvimento da doença no futuro.

Também é importante ressaltar que nas crianças os sinais da doença são bem diferentes dos adultos, pois elas podem ser jovens demais para nomear seus sentimentos. Por esta razão, elas podem somatizar o transtorno, passando a reclamar de dores em diversas partes do corpo.

Como saber se meu filho tem depressão?

A depressão infantil é como a depressão em adultos. A criança se torna mais quieta, mais desinteressada e mais volúvel. Suas emoções oscilam, tornando seu comportamento confuso. Mas, para os pais, essa mudança no modo de agir pode ser vista como “apenas uma fase” do crescimento.   

Como a criança não compreende totalmente os sentimentos de tristeza e ansiedade e ainda não tem um repertório de comunicação adequado, é mais fácil expressar queixas sobre dores físicas do que emocionais. Ela chora, grita e esperneia, conduta que podem ser interpretada como “birra”. 

A birra exagerada pode ser característica da depressão infantil, porém, ela deve estar associada a mais sintomas para fechar um diagnóstico. Uma criança pode ser naturalmente manhosa, mas não apresentar nenhum sinal de doença psicológica.   Esta característica pode ser apenas um traço de sua personalidade.

A apresentação dos sintomas depende muito da personalidade e maturidade da criança. Cada uma se comporta de maneira única. As diversas possibilidades de justificação dos comportamentos infantis, portanto, exigem dos pais atenção redobrada. 

Juntando isso ao fato de que a manifestação dos sintomas nunca é muito clara, o diagnóstico pode ser confundido com outros transtornos, como o déficit de atenção e hiperatividade

Sinais de alerta da depressão infantil

O comportamento das crianças é, no geral, imprevisível. Ora estão se divertindo ao brincar e pular por todo lugar, ora não querem ser incomodadas, não é? Mas elas também dão sinais de que não estão se sentido bem mental e emocionalmente. Confira a seguir alguns dos sinais.

1. Sono irregular

A criança com depressão apresenta dificuldades para dormir. Não consegue pegar no sono, fica irritada ou acorda diversas vezes durante a noite. Seu descanso é perturbado, impossibilitando-a de recarregar as energias adequadamente. 

O cenário também pode ser o oposto: a criança dorme por longos períodos, sentindo sono em momentos que antes era ativa. 

2. Mudança dos hábitos alimentares

Este sinal também pode ser observado nas duas formas: comer em excesso ou quase não comer. Se a criança deixa de comer o lanche ou se recusa a terminar o prato de almoço com frequência, os pais precisam ficar de olho para as possíveis razões. 

3. Dificuldade para se separar dos pais

Quando a criança começa a ir para a escola ou creche, é normal haver uma estranheza nas primeiras semanas. Crianças pequenas, especialmente, não gostam de ficar longe dos pais. Esse comportamento é normal até certo ponto. Se a ansiedade da separação crescer e se tornar diária, é um sinal de alerta do emocional debilitado da criança. 

4. Constantes reclamações

A criança reclama de dores em partes do corpo ou de machucados com frequência. Até pequenos arranhões são razões para alarde. Mesmo após o medicamento ou tratamento do ferimento, a criança volta a reclamar dentro de um curto período. 

É possível, também, notar reclamações de algumas situações como aulas, coleguinhas de classe ou atividades. Ela se recusa a enfrentá-las, podendo chorar ou ficar irritada ao ser forçada a fazer determinada tarefa.  

5. Irritabilidade

A criança com depressão fica irritada com facilidade, podendo responder os pais, fazer escândalos apenas para contrariar e expressar-se aos berros. Ela pode até mesmo se irritar com a forma que seus brinquedos estão organizados ou ao executar tarefas diárias, como trocar de roupa e escovar os dentes. 

6. Fadiga

Explorar e brincar são as atividades favoritas dos pequenos. Os mais quietos, apesar de não saírem correndo ou pulando como os demais, também são curiosos e estão atentos às novidades ao seu redor. Ou seja, eles estão sempre fazendo alguma coisa: lendo, assistindo TV, jogando no computador, brincando no quintal ou com brinquedos. 

O alerta reside na inatividade da criança. Quando ela perde a vontade de brincar ou se queixa de cansaço frequentemente, os pais precisam ficar alertas. Tudo bem seu filho ser mais quieto que os outros. Isso é questão de personalidade. O desinteresse, porém, não é normal. 

7. Fraco desempenho da escola 

As notas caem, os professores reclamam de brigas ou falta de participação e a criança não sente vontade de se arrumar para ir à escola. A falta de concentração na aula pode ser sinal de depressão e não apenas preguiça ou desobediência para chamar atenção. 

Sintomas variam de acordo com a idade

Não podemos ver os sintomas da depressão infantil como completamente certeiros. Isso porque cada faixa etária tem uma capacidade cognitiva diferente, portanto, os comportamentos são diferentes. 

As crianças de até dois anos apresentam sintomas diferentes das mais velhas e vice-versa. Na primeira infância é possível observar sinais como a perda de peso, choro excessivo, problemas de desenvolvimento físico, como baixa estatura e atraso da fala são comuns. Já na faixa etária de 2 a 6 anos, fatos como o cansaço frequente, excesso de birra e enurese noturna podem indicar um possível transtorno. 

Por fim, crianças mais velhas, até 12 anos, já começam a verbalizar e sentir mais. Além de apresentarem os sintomas anteriores, podem se sentir inferiores aos demais colegas, se acharem burras, incapazes, principalmente na escola, ou não se sentirem amadas.

Causas da depressão infantil

Embora seja difícil pontuar uma causa, há algumas ocasiões que podem ser naturalmente mais traumáticas paras as crianças: separação dos pais, mudança de escola ou de cidade, bullying, morte de uma pessoa amada ou de um animal de estimação, dificuldades de adaptação na escola, entre outros. 

Filhos de pais depressivos ou famílias que apresentam quadros de depressão têm mais probabilidade para desenvolver a doença. 

Os pais devem estar especialmente atentos aos comportamentos dos filhos diante dessas situações. Se não houve nenhum acontecimento trágico, é mais complicado encontrar a causa da depressão. 

Ao notar que a criança está mais quieta e apática, converse com ela, pergunte sobre seus sentimentos, sobre a escola, sobre as amizades e professores. Em algum momento, você perceberá um padrão em suas respostas indicando que algo está errado. 

Pais devem estar sempre atentos

Não posso deixar de destacar a importância dos pais estarem atentos a mudanças bruscas de comportamento, principalmente quando a criança se fecha repentinamente. Infelizmente, um dos fatos mais comuns, que vemos praticamente toda semana na Vittude, são crianças e adolescentes que desenvolvem algum transtorno mental após serem vítimas de abuso.

Em geral os abusadores são pessoas muito próximas, que pertencem ao círculo de confiança da criança como padrastos, tios, pais de outros colegas, avós e até mesmo os próprios pais. Em boa parte das vezes que ouvi relatos de adolescentes desejando a morte ou se automutilando, haviam correlações com um passado ou ainda presente de abuso. 🙁

Caso a criança seja pequena demais para se expressar, o ideal é marcar uma consulta com um psicólogo infantil. Ele é profissional indicado para analisar seus comportamentos e de fato chegar a um diagnóstico. Este profissional possui técnicas e vai utilizar diversas linguagens, incluindo o lúdico, o brincar, o teatro, para descobrir o que se passa de verdade no mundo da criança. 

Lembre-se que mudanças no modo de agir são normais ao longo do desenvolvimento físico e emocional do seu filho. Entretanto, quando essas forem repentinas ou bruscas, é uma indicação de que algo grave pode estar afetando a criança. 

Tratamento da depressão infantil

As crianças são comumente levadas a diversos médicos antes de chegar à psicoterapia. Como os pais não sabem ao certo a origem dos sintomas, acabam procurando apenas causas físicas e, somente em último caso, o psicólogo. 

Até mesmo um psicólogo pode levar um tempo para identificar a depressão infantil definitivamente. Há dezenas de transtornos, como déficit de atenção, hiperatividade, transtorno de ansiedade e transtornos de conduta, que apresentam sintomas semelhantes ao da depressão. 

O tratamento normalmente envolve sessões semanais com o profissional. A psicoterapia infantil trata a saúde mental dos pequenos, minimizando angústias e potencializando virtudes. As atividades lúdicas são maneiras de perceber padrões de comportamento e inquietações nas crianças. 

É comum que elas brinquem com massinha, jogos de tabuleiro, brinquedos ou façam desenhos. Na verdade, o brincar é a forma mais natural da criança se expressar e compartilhar um pouco de seu universo. Por isso, a psicoterapia infantil pode envolver pouca oralidade. 

A presença dos pais durante o tratamento é essencial, afinal, são eles os indivíduos que mais conhecem o comportamento e personalidade dos filhos. 

A conduta dos pais dentro do ambiente familiar e a qualidade da vida escolar são fatores que afetam diretamente o emocional das crianças. Assim, os pais devem se comprometer em mudar comportamentos e introduzir hábitos mais saudáveis, se for o caso, para o bem dos filhos.

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Depressão infantil: como ajudar?

Primeiramente, promover um estilo de vida saudável ora com rotinas para impor disciplina, ora com diversões para o relaxamento. 

Manter constante comunicação com a criança, procurando saber sobre seu bem-estar e sua vida fora do ambiente familiar (escola, casa de amigos, etc) não apenas deixa os pais informados, mas também demonstra interesse por parte deles. 

Garantir que tudo ficará bem quando a criança cometer erros ou se sentir desanimada é uma maneira de trabalhar sua autoestima e autoconfiança. 

Disciplinar de forma violenta está proibido, uma vez que “os tapinhas” podem desestruturar o emocional da criança por completo. 

Por fim, estar presente em todas as fases do tratamento da criança, acolhendo, demonstrando carinho, oferecendo abraços e palavras de amor é fundamental.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.

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Artigo publicado em Transtornos Depressivos

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Leonardo Filipe Vieira Vieira

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