Dizer não faz parte da educação

Dizer não é parte da educação dos filhos

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Dizer não faz parte da educação dos filhos. Já pararam para pensar como é difícil? Dá muito trabalho! Gera birras, caras feias e manhas, mas como é importante! Criamos os filhos para a vida, sendo que ela muitas e muitas vezes nos diz não. Há muitas coisas que simplesmente não são permitidas e temos que lidar com isso. Como aprender, então?

Os únicos jeitos são por meio da negação, da privação e da frustração. Queremos que nossos(as) filhos(as) tenham sempre tudo, mas não é possível. Ao permitirmos tudo e dizermos sempre sim, estamos ensinando que na vida tudo pode e que a vida tudo nos propicia. Seja na escola, no parquinho ou na casa de amigos, por exemplo, a criança passará por situações em que o brinquedo ou objeto que quer lhe será negado. E essa criança precisa ter instrumentos psíquicos para saber lidar com isso e ensinar sobre a palavra “não” é extremamente importante.

Isso é obviamente desgastante e requer tempo, ensinamento, diálogo e paciência, sendo que este último item depende de ambas as partes. Na maioria das vezes é realmente mais fácil concordar e permitir, afinal, depois de um dia cansativo, ter que lidar com stress em casa é a última coisa que queremos. Mas educar é isso. É uma constante. É um processo que não permite que deixemos para depois. Educar também é dizer não.

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Dizer não faz parte da educação

Atualmente vemos uma crescente queixa em níveis escolar e familiar sobre a falta de limites infantil. Estão sendo criados “monstrinhos” que não obedecem, crianças que ao menor sinal de contradição se rebelam e que tornam a convivência difícil. São efeitos da falta de “não”.

Paremos para pensar: limite é uma linha invisível e impeditiva. Quantas linhas invisíveis existem no mundo? Não podemos simplesmente sair nus por aí. Não podemos dizer tudo o que queremos a todos. Essas são algumas das linhas invisíveis da vida. Como as adquirimos?  Aprendendo que nem tudo é possível. Esse aprendizado pode ser mais doloroso ou mais suave. Uma criança que sempre pode tudo sofrerá ao se deparar com uma linha invisível. Um indivíduo que aos poucos foi aprendendo e vivendo a frustração passará por isso de forma mais natural.

Dizer não também é segurança

Proibir e dizer não também dá segurança, uma vez que a criança não se sente tão solta e perdida. Ela sabe que está protegida, que também que tem alguém zelando por ela, por sua saúde, por sua integridade física e também psicológica. Sabe que não corre perigo, que é amada e cuidada. No consultório, muitas crianças se queixam por terem pais muito permissivos, pois ao olhar delas, estes não estão preocupados com elas. Ou pior, não se dão ao trabalho de zelar por elas, deixando-as livres demais.

Isso não quer dizer que o não deve estar presente sempre. O não deve ser usado na hora certa. Há coisas que são permitidas e o sim deve estar tão presente quanto o não. Equilíbrio é fundamental. Uma criança que só ouve o não crescerá frustrada, infeliz e insegura, achando que nada em sua vida é possível e que nunca alcançará o que deseja. Uma pessoa derrotada logo na largada.

É bom ter sempre em mente que tudo, o sim ou o não, deve ser sempre acompanhado de carinho e atenção. É um exercício, requer vontade e, acima de tudo, amor. Educar é querer o melhor. É preparar para a vida. E a vida pode ser bonita e pode ser dura. A maneira de encará-la vai depender sobretudo dos instrumentos que adquiriu, e esses cabem aos pais lhe fornecer. 

Letícia Rangel (CRP 06/129638) é psicóloga e psicanalista parceira da Vittude. Ela atende adolescentes e adultos. Marque já sua consulta!

Artigo atualizado em: 15/10/2019

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta