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Enxaqueca: a relação entre dores de cabeça e saúde mental

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

Enxaqueca é uma condição neurológica que pode causar vários sintomas. É frequentemente caracterizada por dores de cabeça intensas e debilitantes. Perceba que estamos falando de dores de cabeça graves, recorrentes e dolorosas.

Elas podem ser precedidas ou acompanhadas por sinais sensoriais de alerta e outros sintomas. A dor extrema causada pela enxaqueca pode durar horas ou até dias.

Estima-se que uma em cada sete pessoas do planeta sofra de enxaqueca. No Brasil, a doença, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a sexta mais incapacitante do mundo, afeta cerca de 15% da população. Ou seja, mais ou menos 31 milhões de indivíduos são afetados, com incidência maior entre as mulheres (25%).

A enxaqueca pode apresentar uma aura de distúrbios sensoriais seguida de uma forte dor de cabeça que geralmente aparece em um lado da cabeça. Eles tendem a afetar pessoas de 15 a 55 anos.

Os sintomas da enxaqueca podem incluir náusea, vômito, dificuldade em falar, dormência ou formigamento e sensibilidade à luz e ao som.

A vida contemporânea e os vários avanços tecnológicos auxiliam em vários aspectos do cotidiano. Porém, a hiperconexão, o estresse, a rotina cada vez mais apressada, dentre outros hábitos cotidianos, que nem sempre são saudáveis, podem contribuir para o surgimento de alguns problemas de saúde como a enxaqueca.

Mas, será que existe uma relação entre a enxaqueca e doenças mentais como ansiedade e depressão? Continue lendo para saber tudo sobre esse quadro, cada vez mais comum entre nós!

Enxaqueca e seus sintomas

Os sintomas da enxaqueca podem começar de um a dois dias antes da própria dor de cabeça. Isso é conhecido como estágio pródromo. Os sintomas durante esse estágio podem incluir:

Na enxaqueca com aura, a aura ocorre após o estágio pródromo. Durante essa fase, você pode ter problemas com sua visão, sensação, movimento e fala.

Exemplos de problemas incluem:

  • apresentar dificuldade em falar claramente;
  • observar sensação de formigamento no rosto, nos braços ou nas pernas;
  • ter visões de formas, flashes claros ou pontos brilhantes;
  • sentir como se estivesse perdendo a visão temporariamente.

A próxima fase é conhecida como fase de ataque. Esta é a mais aguda ou grave das etapas em que ocorre a dor real da enxaqueca. Em algumas pessoas, isso pode se sobrepor ou ocorrer durante uma aura. Os sintomas da fase de ataque podem durar de horas a dias. Os sintomas de uma enxaqueca podem variar de pessoa para pessoa.

Alguns sintomas do ataque podem incluir:

  • aumento da sensibilidade à luz e som;
  • náusea;
  • tonturas ou sensação de desmaio;
  • dor em um lado da cabeça, no lado esquerdo, no lado direito, na frente ou nas costas ou nas têmporas;
  • dor de cabeça pulsante e latejante;
  • vômito.

Após o ataque, uma pessoa geralmente experimenta a fase pós-drome. Durante esta fase, geralmente há mudanças de humor e sentimentos. Estes podem variar de sentir-se eufórico e extremamente feliz, a sentir-se muito cansado e apático. Uma leve dor de cabeça maçante pode persistir.

O comprimento e a intensidade dessas fases podem ocorrer em diferentes graus, em diferentes pessoas. Às vezes, uma fase é pulada e é possível que ocorra um ataque de enxaqueca sem causar dor de cabeça.

Gatilhos da enxaqueca

A causa da enxaqueca ainda não é conhecida.

Suspeita-se que ela resulte de atividade anormal no cérebro. Isso pode afetar a maneira como os nervos se comunicam, bem como os produtos químicos e os vasos sanguíneos no cérebro. O fator genético pode tornar alguém mais sensível aos gatilhos que podem causar enxaquecas.

No entanto, alguns gatilhos têm sido estudados e observados como desencadeados de enxaquecas:

Alterações hormonais

As mulheres podem apresentar sintomas de enxaqueca durante a menstruação, devido à alteração dos níveis hormonais.

Gatilhos emocionais

Estresse, depressão, ansiedade, excitação e choque podem desencadear uma enxaqueca.

Causas físicas

Cansaço e sono insuficiente, tensão no ombro ou no pescoço, má postura e esforço físico excessivo estão todos ligados a enxaquecas. O baixo nível de açúcar no sangue e jet lag também podem atuar como gatilhos.

Alimentação

Álcool e cafeína podem contribuir para desencadear enxaquecas. Alguns alimentos específicos também podem ter esse efeito, incluindo chocolate, queijo, frutas cítricas e alimentos que contenham o aditivo tiramina. As refeições irregulares e a desidratação também são apontadas como possíveis gatilhos.

Medicamentos

Alguns comprimidos para dormir, medicamentos para terapia de reposição hormonal (TRH) e a pílula contraceptiva combinada também são apontados como possíveis gatilhos.

Gatilhos no ambiente

Telas oscilantes, cheiros fortes, fumo passivo e ruídos altos podem desencadear uma enxaqueca. Salas abafadas, mudanças de temperatura e luzes brilhantes também são possíveis gatilhos.

Como tratar a enxaqueca

Atualmente, não existe uma cura única para enxaqueca. O tratamento visa prevenir um ataque completo e aliviar os sintomas que ocorrem.

Algumas alterações no estilo de vida que podem ajudar a reduzir a frequência de enxaquecas. Elas incluem:

  • dormir tempo suficiente para a correta recuperação do organismo, sendo o ideal um sono de 8h por dia;
  • reduzir a exposição ao estresse, evitando discussões desnecessárias como a polaridade na política;
  • beber muita água, pelo menos 2 litros ao dia, afinal nossa cabeça também precisa estar hidratada;
  • evitar a ingestão de bebidas alcoólicas, o consumo de pimenta, temperos, cafeína, bem como frutas ricas em Vitamina C (laranja, abacaxi e kiwis) – esse nutriente pode desencadear uma crise;
  • praticar exercício físico de forma regular;
  • utilizar técnicas de controle do estresse como meditação, acupuntura, shiatsu, pilates e yoga;
  • fazer pausas regulares das telas de computador e do trabalho.

Considere procurar tratamento adicional se as alterações acima não proporcionarem alívio dos sintomas ou a frequência das enxaquecas. O tratamento dos sintomas da enxaqueca concentra-se em evitar gatilhos, controlar sintomas e tomar remédios.

O link entre Enxaqueca e Saúde Mental

Não podemos negar que parece haver um elo entre as dores de cabeça e a saúde mental. Vários estudos concluíram que as enxaquecas são frequentemente associadas a uma série de transtornos psiquiátricos.

Uma análise de 2016 encontrou altas taxas de correlação entre enxaqueca e bipolaridade. Além disso, quem tem enxaqueca apresenta 2,5 vezes mais chances de desenvolver transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Já as pessoas com depressão são três vezes mais propensas a sofrer ataques de enxaqueca. 

A enxaqueca está ligada à depressão e à ansiedade. De fato, as pessoas com enxaqueca têm cerca de cinco vezes mais chances de desenvolver depressão do que alguém sem enxaqueca, afirma Dawn Buse, PhD, professor associado do Departamento de Neurologia do Albert Einstein College, em Nova York.

A depressão, por sua vez, também pode ser exacerbada pelo sentimento de impotência que as pessoas com enxaqueca muitas vezes vivenciam.

Como se dá o tratamento?

A depressão e a ansiedade são tratáveis ​​de várias maneiras, inclusive através de medicamentos direcionados aos neurotransmissores.

Os medicamentos comumente usados para tratar a depressão e a dor de cabeça associada à depressão incluem os antidepressivos tricíclicos, como Elavil (amitriptilina) ou inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), como Paxil (paroxetina) ou Zoloft (sertralina).

É importante reforçar que já existem estudos que comprovam maior eficácia do tratamento, quando associado ou combinado com terapias não farmacológicas.

Tratamentos que incluem terapia cognitivo-comportamental (TCC) nos ajudam a gerenciar melhor o estresse e mudar a maneira como pensamos e agimos, o que pode estar contribuindo para nossos sentimentos de depressão e ansiedade.

Algumas técnicas de relaxamento são igualmente eficazes para alguns no tratamento da ansiedade e da depressão, bem como no combate ao estresse, o que pode exacerbar os sintomas da enxaqueca. Essas estratégias envolvem acalmar o sistema nervoso com exercícios meditativos, como respiração profunda ou imagens visuais guiadas.

Recomenda-se, também, o biofeedback, onde os pacientes são conectados a uma máquina que mede diferentes respostas fisiológicas e as compara com informações biológicas. Trata-se de uma alternativa útil para ansiedade, especialmente ataques de pânico ou ansiedade generalizada, além de insônia e preocupação. Existem evidências muito boas dessas estratégias que ajudam no gerenciamento da enxaqueca.

Manter-se ativo e saudável também é importante para pacientes que sofrem de enxaquecas e depressão ou ansiedade, assim como manter um horário de sono consistente. Lembre-se seja sempre gentil com você e busque a ajuda de um psicólogo, quando achar importante!

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.

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Ariadne Santos

Enxaqueca é um saco!
Agora to tendo uns pródromos com muita ansiedade!
Parece que vou pirar. Da uma vontade de gritar e sem dor.
Tomo sumax 25 mg e passa.
Mas so posso tomar ao dormir para fazer o efeito correto.
Hoje tive que tomar a tarde mesmo, veio essa crise de ansiedade e tomei o sumax, dai passou.
Agora, doze horas depois, irei tomar mais um pra dormir, pois ainda sinto a congestão nasal.

Vou te contar viu! A qualidade de vida abaixa demais! Tenho crises ao menos 1 vez por mes e se eu consumir álcool, é batata!

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