A Importância da Alteridade no Relacionamento Amoroso

O que é alteridade?

Atribuir valores iguais entre o Eu e o Outro. É neste tipo de funcionamento que encontramos valores como fraternidade, solidariedade, amor ao próximo, compaixão. A alteridade tem como objetivo propor um equilíbrio na relação amorosa, onde haja direitos iguais entre ambos. O relacionamento conjugal oferece uma grande possibilidade para o estabelecimento e desenvolvimento do funcionamento da alteridade. 

Um relacionamento dentro da alteridade envolve, antes de mais nada, abertura e coragem para confrontar a própria Sombra, bem como abertura para o Outro, para a Sombra do outro. Isso exige confiança em si mesmo e no outro. A capacidade de entrega e de acolhimento, bem como o respeito profundo pela relação são indispensáveis. Um relacionamento é a busca de uma união de dois universos completamente diferentes que carregam histórias a serem compartilhadas.

O que dificulta a alteridade? 

Alguns dos fatores que impedem ou dificultam o desenvolvimento da alteridade em uma relação amorosa são os seguintes:

–Apego exagerado no outro causando uma dependência na relação. Em que um não se percebe sem o Outro, há uma “fusão”, perdendo assim a identidade própria e assumindo uma identidade do casal.

– Culpa defensiva. Essa culpa caracteriza aquele indivíduo que passa a ser sempre o incapaz da relação.  A culpa defensiva não cede lugar a responsabilidade compartilhada, pois um sempre será o responsável pelos “erros”; 

– A fidelidade como forma de dever, sendo uma regra imposta não uma construção mútua do casal. O outro me preenche porque necessito, pois somos um;. Na alteridade a fidelidade deixa de ser uma obediência às leis, a moral  mas passa a ser fruto de uma ética fundamentada nos próprios valores, na verdade de nossos sentimentos.

O Poder na relação não significa que há uma harmonia onde o amor impera no casal, pois a relação não é uma relação de posse mas de desenvolvimento. Uma relação é a união de seres que carregam suas potencialidades, suas sombras, seus traumas, suas defesas. É importante ter um olhar diferenciado para procurar entender os conflitos conjugais de uma maneira mais ampla e a busca da alteridade para um relacionamento que visa não a posse mas a individuação (O conceito de individuação criado pelo Psiquiatra Carl Gustav Jung, em que representa ao processo pelo qual o ser humano chega ao autoconhecimento). Para o estabelecimento da alteridade na conjugalidade deve-se levar em conta não só o que sentimos, mas também se esse sentimento nos encaminha e nos estimula a construir um relacionamento amoroso e simétrico. Em que todos possuem o mesmo direito, não há um superior e outro inferior, mas igualdade. Haverá então uma troca, um crescimento, no qual ambos têm a mesma responsabilidade. O Outro ocupa um espaço tão importante quanto o Eu.

A alteridade seria como um alicerce para a construção de uma casa (relação), e quando  esta estará construída com bases fortes em um terreno seguro e firme, será possível enfrentar as adversidades (conflitos conjugais). Sendo assim, é possível observar  um relacionamento dialético, porém, quando isso é negado e busca viver apenas para o outro, suas vontades, seus desejos, os próprios conflitos, ficarão reprimidos. O indivíduo não se reconhece mais, não se sabe quem é quem na relação, pois estariam em uma “simbiose”.

E quando isso acontece, e o indivíduo se depara com o término, ficará desestruturado, pois negou ao longo da relação o seu Eu. A busca então será pelo Eu, pelo seu amor próprio que foi negado para satisfazer o outro. Se deparar com a solidão, com o término permite embarcar no barco de Caronte, e adentrar seu próprio submundo, onde vivem os fantasmas interiores. Essa descida para o mundo inferior é válida, pois o sujeito passará pelas fases do luto para depois conseguir sair e voltar para a superfície.

É necessário sofrer para depois se fortalecer, assim como no mito da Fênix em que a ave se encontra em cinzas para depois voltar a ter suas chamas. Renascer das próprias cinzas, faz parte do aprendizado, de um ciclo evolutivo. É essencial sentir o luto do término relação pois era algo vivo que agora partiu.

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