A importância da psicoterapia para LGBTs

Antes de começarmos, é importante definir que LGBT é o termo mais utilizado que representa Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, tendo sido aprovado em 2008 e ganhado algumas adições ao longo do tempo.

A descoberta da sexualidade é um período especial e único para cada pessoa. Deveria ser um processo natural de reconhecimento e descobertas. Porém, essa não é a realidade para a maioria das pessoas homo, bi e transsexuais e comumente o período da descoberta e afirmação da sexualidade passa a ser doloroso e sofrido, causando marcas para o resto da vida. Esse é um cenário comum nos consultórios de psicologia.

Porque isso ainda é um tabu?

Antes de prosseguir, é importante mencionar o tratamento social que a sexualidade tem em nosso país. O tema é tabu e nunca é discutido diretamente. Digo isso, porque a todo tempo estamos cercados de expectativas em relação a como desejam que nossa sexualidade seja, tudo isso de maneira normativa e implícita. Desde muito cedo é comum que garotos ouçam frases e perguntas relacionadas a namoradas, incentivos para paquerar meninas e cobranças em relação ao primeiro beijo e a primeira transa, vindo de amigos e, em alguns casos até mesmo dos pais. Esse garoto cresce entendendo que deve cumprir essas expectativas e, que qualquer coisa fora desse padrão, é errado e/ou deve ser escondido. Agora imagine se esse garoto percebe que seus desejos não condizem com o que é esperado. Esta ainda é apenas uma das situações que a juventude LGBT se depara em sua vida, que pode dar início ao seu sofrimento psíquico e social, especialmente porque em quase todos os casos não há um lugar seguro e acolhedor para expor essas questões, pelo contrário, tudo é jogado embaixo do tapete, intensificando sentimentos de solidão e tristeza.

Além da maneira como o tema sexualidade é abordado socialmente, também é necessário levar em consideração como a homo, bi e transexualidade são tratadas. Essas identidades e orientações sexuais são vistas e tratadas, por alguns, como desviantes e algo a ser evitado. A comunidade, família e escola também podem contribuir para o aumento desse estigma, o que leva um LGBT inserido nesse contexto a sofrer ainda mais. Situações assim podem levar uma pessoa à crise pessoal, reconhecendo assim sua sexualidade como algo errado, a ser reprimido e escondido, podendo evoluir para intenso isolamento social, angústia, depressão e em casos mais graves à automutilação e suicídio. Pessoas LGBT que crescem, desenvolvem e convivem em ambientes hostis a si, apenas por sua sexualidade, também podem desenvolver quadros de ansiedade e sensação de que precisam se defender o tempo todo, impactando diretamente a maneira como se relacionam nas atividades sociais e também na família.

Onde a psicoterapia entra nesse processo?

Primeiramente no espaço aberto e livre para falar e entender a própria sexualidade como aspecto natural do desenvolvimento. No espaço psicoterapêutico é possível reconhecer sua história e caso haja aspectos negativos eles podem, em alguns casos, serem ressignificados, mas principalmente processados e integrados na história pessoal, entendendo sua influência na personalidade e como isso impacta nas tomadas de decisão. Se for presente alguma psicopatologia, como depressão, ela também é tratada de modo a reequilibrar o estado emocional.

O processo psicoterápico também é muito útil para aqueles que reconhecem sua sexualidade, mas ainda não conseguem assumir socialmente, ou como é popularmente dito “sair do armário”. Aqui é necessário aprofundar o autoconhecimento e entender quais são as expectativas em sair do armário, quais pessoas julga importante ter apoio e suporte, quais são os medos e fantasias ligados a essa vontade, para só então depois e quando se sentir pronto tomar essa atitude tão importante. Vale mencionar, que infelizmente, a pessoa pode não ser aceita, se isso acontecer a psicoterapia pode auxiliá-la a seguir em frente.

Todo psicólogo é capacitado para tratar questões relacionadas ao autoconhecimento e acompanhamento de quadros de ansiedade e depressão, mas pode ser mais assertivo e proveitoso, procurar psicólogos experientes na tratativa de questões LGBT e sexólogos, devido a proximidade com o tema, além de atualizações constantes no que tange o assunto.

Homofobia é crime!

É importante ressaltar que a homo, bi e transexualidade não são doenças, como você pode ler nesse texto aqui. Tamanha é a importância desse assunto que em 13/06/2019 o Supremo Tribunal Federal decidiu equiparar a homofobia ao crime de racismo, em função da negligência do estado frente a esse tema e ao sofrimento dessa população. Encerro esse texto com trecho do voto da ministra Carmem Lúcia:

“Todo preconceito é violência. Toda discriminação é causa de sofrimento, mas aprendi que alguns preconceitos causam mais sofrimentos que outros, porque alguns são feridas curtidas já em casa, na qual a discriminação castiga a pessoa desde o ser lar, afasta pai de filhos, irmãos, amigos, pela só circunstância de tentar viver o que se tem como sua essência e que não cumpre o figurino sócio-político determinante e determinado”

Carmem Lúcia, ministra do STF, ao se declarar favorável que a homofobia seja considerada crime no Brasil.

Avalie esse artigo:

Comentários:

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments