Sucesso

A loucura do encontro com a vida

A loucura delira em mim. Perceptos e afectos de um mundo que não aprendi, povoam e marcam meu corpo. Tenho tido visões, escutado sons, onde apenas a força, como ondas, invadem o meu desejo. Desejo alucinar uma outra vida que “não” existe, fabricada. A vida que aprendi tem forma, cor e cheiro. A forma como devemos amar, estampada no filme, outdoor e códigos. A cor dos encontros tem manuais que não são os meus. O cheiro da beleza fabricada, dos relacionamentos mascarados, mantidos sob a fragrâncias, dominação dos significantes sociais. Agenciamentos produtores de subjetividades.

Prefiro NÃO a uma vida ou mundo normal. Componho com a loucura outros mundos, mundos possíveis, poesíveis, cartografados pelos fluxos de intensidades, habitados por multiplicidades, pluralidades únicas. Fujo de tudo que me defina, conceitue ou me amarre a um “Eu sou”. Me alimento, constituo por uma solidão povoada por ausências, presentes, tão potentes quanto presenças ausentes.

A máquina social prendeu a loucura, amordaçou a sua voz e seu corpo. O louco amou, dançou suas vozes, fez delas uma pista de dança. Fez de seu corpo uma máquina de produzir realteridades.

Sou fábrica de encontro loucos com a vida. Prefiro a loucura de uma vida estética, onde a ética do encontro produz cor. A cor como composição de cheiros, os cheiros com usinas de todas as tonalidades. Me deixo penetrar pelo pensamento de Deleuze “O verdadeiro charme das pessoas reside nos seus traços de loucura”. Ou quem sabe, a lucidez de Alain de Botton, o qual fala que “As pessoas só ficam realmente interessantes quando começam a sacudir as grades de suas gaiolas”.

Avalie esse artigo:

Comentários:

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments