A ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NA CLÍNICA: UM PROCESSO DE AMADURECIMENTO DE ESCOLHA

A história da Orientação Profissional (OP) está intrinsecamente ligada com a evolução da própria Psicologia em nosso país, porém as práticas nesta área têm se modificado bastante nas últimas décadas.

Embora não seja um campo exclusivo da Psicologia e, por vezes, proponha ações à parte dos processos terapêuticos tradicionais, o fazer do psicólogo pode diferenciar a OP fornecendo um olhar mais apurado para os recursos e demandas das pessoas que a procuram. Esses recursos e demandas podem ser de ordem cognitiva (como a habilidade de selecionar metas), social (como a análise de condições de acesso e manutenção em um curso universitário) e emocional (por exemplo, o potencial para efetuar uma escolha com independência).

Entre os muitos registros que a literatura apresenta sobre a evolução da OP, é possível destacar:

1)      As novas formas de se concebê-la,

2)      A descentralização dessa prática antes restrita aos consultórios.

 Em relação ao primeiro tópico, o caráter prognóstico da OP, que se concentrava no uso de instrumentos como os populares testes vocacionais, hoje divide seu lugar com abordagens processuais e que não necessariamente apresentem como meta a indicação de uma profissão ideal. Quanto ao segundo, é possível citar marcos relativas à própria profissão de psicólogo, tais como a atuação do mesmo desenvolvendo OP em contextos educativos formais (como a escola pública e a privada) e não formais (como as ONGs); e o atendimento mediado por dispositivos e internet.

Além disso, as mudanças nas formas de trabalhar e de ingressar no estudo continuado, como as políticas de acesso ao ensino superior, trouxeram um novo público aos profissionais de OP. Se antes o público alvo consistia basicamente em adolescentes de escolas privadas que concluíam o Ensino Médio, agora nota-se também um aumento de procura de jovens adultos pela OP. Os motivos alegados variam desde a oportunidade de realmente escolher pela primeira vez uma formação após anos já inserido no mercado de trabalho, chegando até a necessidade de um novo direcionamento após uma primeira escolha que culminou em desistência  de uma carreira ou curso (reorientação); ou ainda, as mudanças no curso de vida, como os casos de mulheres que preferem ou necessitam mudar de profissão após a chegada dos filhos.

Os pesquisadores na área de OP tem se debruçado para tentar compreender diversos aspectos relacionados às motivações e comportamentos para a escolha profissional. Entre os muitos conceitos importantes nesse contexto, a maturidade para escolha e para a carreira é um campo profícuo em estudos, sendo que uma de suas difusoras no Brasil é a psicóloga Katia M. Neiva. É importante ressaltar que tais estudos, pesquisas e desenvolvimento de conceitos são indispensáveis para o aperfeiçoamento das práticas e instrumentos usados em consultórios, escolas e quaisquer contextos em que se aplique a OP, portanto, trazem efeitos diretos e indiretos à vida das pessoas que procuram essa modalidade de orientação.

Nessa abordagem da OP, atributos como autoconhecimento, planejamento, pesquisa e informação sobre carreiras, profissões e o mundo do trabalho; bem como independência para a escolha, são importantes balizadores para tomada de decisão futura. O processo de OP não necessariamente precisa visar a escolha de uma profissão, mas pode contribuir para o estreitamento do leque de possibilidades, o desenvolvimento da autonomia do orientado e o aprendizado reflexivo para o comportamento de escolher. Para tanto, são utilizados testes, tarefas, jogos, dinâmicas e pesquisas, em um processo em que o orientado é convidado a participar ativamente e que leva, em média, 12 sessões.

O resultado pode culminar no desenvolvimento de um projeto de vida que se modifique do idealizado para o ideal ao orientado. Isso significa analisar as condições não apenas individuais, mas também sociais, de se acessar as metas estabelecidas. Esse projeto deve ponderar incertezas, riscos, possíveis renúncias, recursos imediatos, possibilidades de acesso, expectativas a curto e longo prazo, entre outros pontos importantes para a escolha profissional, sem deixar de lado as outras esferas da vida que estão envolvidas nessa importante decisão. 

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