Adaptação e resiliência na quarentena

Adaptação e resiliência na quarentena

Ouvimos muito falar que a crise atual que a humanidade está passando caracteriza-se por duas crises distintas e interligadas, que puxam ainda mais resiliência na quarentena: a da saúde e, por consequência, a da economia.

No entanto, o que ainda não é tão falado, mas que provavelmente o será cada vez mais, é um terceiro nível de crise que a pandemia do coronavírus está causando: a crise na saúde mental. Com certeza não menos importante do que as outras duas que a precedem.

Resiliência na quarentena com a falta de previsibilidade

A tendência do aumento da ansiedade por exemplo, entre outros sintomas, é inevitável, e existem diversos motivos para isso, não só devido a questão do isolamento social.
Dentre os vários motivos, há um, no entanto, que gostaria de destacar como, se não o principal, um dos mais importantes para o aumento na ansiedade em tempos do coronavírus: a questão da falta de previsibilidade.

Também irei indicarei dicas e sugestões de como se adaptar a essa situação de crise que todos nós estamos passando.
Para começarmos essa reflexão, antes de mais nada, vamos explicar aqui, o porquê, afinal é tão importante identificar os fatores que têm contribuído para o aumento da ansiedade.

Identificando as causas da ansiedade

Um médico precisa chegar num diagnóstico para então oferecer uma linha de tratamento para seu paciente, sabendo se o que ele tem é apenas uma dor de cabeça comum ou se é algo mais importante a ser investigado.

Da mesma forma é o psicólogo, que para conseguir ajudar seu paciente a desenvolver recursos psíquicos para lidar com a ansiedade, precisa, antes de mais nada, buscar identificar quais são as questões e os fatores cruciais que são potencialmente nocivos à sua saúde mental.

Em outras palavras, podemos dizer que não basta apenas perceber: ‘eu reconheço que ando muito ansioso…’ o próximo passo é buscar identificar o que está te fazendo ficar mais ansioso.

Lidando com as dificuldades externas

Retornando ao tema principal então, todos nós passamos por períodos de dificuldade, porém temos uma certa estimativa de quando esse período vai passar, mesmo que apenas aproximadamente, e naturalmente lidamos muito melhor com essas dificuldades.

Um bom exemplo disso são os povos que moram em lugares muito frios e que têm que enfrentar invernos longos e rigorosos, tendo também que ficar confinados em suas casas, às vezes por muitos meses, preocupados com a escassez de alimentos e de recursos financeiros por não poderem sair de casa para trabalhar.

Esses povos, pelo fato de conseguirem prever, mesmo que de modo não exato mas apenas aproximado, o período do ano em que o inverno costuma chegar e quando aproximadamente irá passar, têm condições muito melhores pra enfrentar esse período de escassez e isolamento.

E as condições que aqui me refiro não são apenas as materiais, como ter dinheiro e comida armazenada por exemplo, mas sobretudo as condições psicológicas!
O fato de terem uma estimativa de quando o inverno vai passar, e portanto quando o período de confinamento vai acabar, é um grande tranquilizador.

Agora, ainda pensando nesse exemplo, se de repente, por algum motivo, naquele ano o inverno chegasse muito antes do previsto, e/ou terminasse muito depois que o costume, é de se esperar que as pessoas desse povoado começassem a se preocupar mais.

Portanto, consequentemente, se tornariam mais ansiosas. E à medida que a situação se agrava, por uma questão de sobrevivência, elas precisam pensar em estratégias para se adaptar à nova e inesperada situação, e esse é justamente o ponto que quero chegar.

Desenvolvendo resiliência na quarentena

Todos nós, e aqui eu me refiro a raça humana como um todo, estamos vivendo um período de grandes incertezas e imprevisibilidades. Ou seja, o que temos de informação e comprovação científica até agora sobre pandemia da Covid-19, ainda não nos permite definir, por exemplo, por quanto tempo mais o isolamento social será necessário, quando a vacina será descoberta, por quanto tempo viveremos uma recessão econômica decorrente a pandemia e até mesmo, em muitos casos, se conseguiremos ou não manter nossos trabalhos.

Para sobrevivermos a esse período de estresse e incertezas, precisamos desenvolver o que na psicologia chama-se de resiliência.

Não quero me estender muito sobre esse conceito, apenas fazer uma breve explicação. Resiliência, para a psicologia, se trata da capacidade que temos de, após um período de grande estresse,  desenvolver recursos adaptativos para retomar nossa saúde mental.

Isto é, quanto maior for a resiliência de uma pessoa, maior será sua capacidade de passar por situações difíceis. Retomando, assim, a vida normal ou até mesmo sair mais fortalecido.

Sugestões para aumentar sua resiliência na quarentena

Então vamos para a parte das sugestões sobre como se tornar mais resiliente face a uma situação de crise. Ou seja, como desenvolver resiliência na quarentena:

1 – Entenda que não vai adiantar projetar seu mal-estar, suas angústias, no outro. Pare de se irritar e brigar com quem você convive, aprenda a se controlar mais; cada um é responsável por cuidar de suas próprias angústias, então, pare de culpar o outro; se cada um olhar mais para si e diminuir a acusação ao outro, tudo vai melhorar.

2 – Entenda que não vai adiantar se auto chicotear, às vezes pegamos muito pesado com nós mesmos; não se culpe tanto, aprenda a se perdoar. Se você errou, é importante admitir, sobretudo pra si mesmo, que errou. A partir de então, aprenda com seus erros e se comprometa a fazer melhor.

3 – Entenda que você precisa lidar de forma mais leve com suas frustrações. É normal e esperado que você se sinta frustrado se as coisas não saíram conforme o planejado. Contudo, você precisa se controlar para que isso não tome outras proporções.

4 – Por fim, exercite a solidariedade, você não está sozinho. Se você mora sozinho, esse é o momento de se conectar, mesmo que virtualmente, com outras pessoas. Se você convive com alguém, seja solidário com quem você convive, uma postura egoísta e egocêntrica não vai te ajudar a se adaptar melhor.

Enfim, por mais que pareça difícil colocar em prática essas sugestões, entenda-as mais como um exercício a ser praticado diariamente. Cuidado com conclusões do tipo: ‘não adianta, já tentei mas não consigo fazer’. Entenda: chances não faltarão para você se aprimorar, e não se cobre tanto, valorize suas pequenas conquistas.

Do mesmo modo como a humanidade precisa desenvolver anticorpos pra lutar contra o coronavírus, ela também precisa desenvolver novos recursos psicológicos pra enfrentar essa crise.

Esteja atento a todo comportamento e pensamento que te atrapalhe a se adaptar a essa situação de crise que passamos. Sobretudo, tenha certeza de que uma hora, mesmo que ainda não saibamos quando, tudo isso vai passar.

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