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Como criamos a nossa autoimagem? E como ela pode estar relacionada à ansiedade?

Autoimagem é o conhecimento que o indivíduo tem sobre si mesmo e, nesse conhecimento, há também uma parte valorativa chamada de “autoestima”. Mas como desenvolvemos isso?

É importante iniciarmos salientando a importância da família nesse processo de “construção da autoimagem”, isto é, quando somos crianças, nós ainda não temos a capacidade de discernir, nem de ponderar o que os nossos pais e outras pessoas importantes e mais próximas do nosso convívio social e familiar pensam e falam sobre nós. Diante disso, como uma “esponja”, a criança vai absorvendo o que as pessoas dizem sobre ela como se isso fosse uma “verdade absoluta”. Essa absorção, portanto, produz pensamentos, sentimentos e comportamentos.

A criação da imagem na infância

A partir do que lhe é dito e repetido várias vezes, a criança vai se orientando, se comportando e fazendo as suas escolhas dentro do que é possível e compatível com aquela “imagem” que está sendo criada. Por exemplo: Se os pais afirmam com constância que o seu filho é bagunceiro, irresponsável ou que não é inteligente a criança poderá, factualmente, basear os seus comportamentos e atitudes como tal, “confirmando”, assim, a imagem que está sendo repassada.

Bem por isso, muitos de nós Psicólogos frisamos para os pais a importância de evitar o reducionismo ao falar para as crianças frases como “ela não é inteligente” podendo ser, sugestivamente, substituída por “ela não foi bem nessa atividade/avaliação, mas ela consegue ser melhor na próxima“. Percebem a diferença?

As classificações, principalmente as pejorativas, com frequência causam consequências negativas na formação da autoimagem e da autoestima das crianças, produzindo efeitos não só na infância, mas se estendendo, também, na vida adulta. Alguns deles são ansiedade, medo excessivo, insegurança e pessimismo.

Acredito que as características supracitadas não devem ser desconhecidas para você, não é mesmo? Muitas pessoas hoje em dia passam por sofrimentos como esses, mas, qual será a origem deles? É aí que entra a importância da psicoterapia, principalmente, eu diria, de abordagem psicanalítica. Boa parte das questões que nós, adultos, enfrentamos ainda hoje tem sua origem na infância e contribuições familiares (com destaque para a participação dos pais).

Focos da análise

Ao cuidarmos de um paciente que se queixa de ansiedade, por exemplo, ou mesmo de insegurança, cabe a nós, Psicólogos de abordagem psicanalítica, focarmos não apenas nas consequências que os pacientes nos apresentam naquele presente momento, mas também e, principalmente, na investigação da história e da “linha do tempo”, buscando compreender em quais condições aquele sentimento foi despertado e quais são as “fantasias” criadas a partir desse sofrimento que, ainda hoje, imperam, limitam e causam o que chamamos de “sintomas”.

Mas por que é tão importante investigarmos as origens da, citada, ansiedade? Porque acreditamos que não existem soluções simples para problemas complexos. E o ser humano é um ser complexo composto por muitas variantes. A ansiedade, que estamos destacando aqui, possui algumas dessas variantes. Por exemplo: Ansiedade generalizada, ansiedade de separação, transtorno do pânico, fobia específica, transtorno de ansiedade induzido pelo uso de substância, dentre outros.

Todavia, depois desse “passeio” entre classificação, construção e possíveis desdobramentos negativos de uma autoimagem também negativa, voltemos ao tema central proposto neste artigo para lembrarmos a importância do cuidado com a saúde mental, do desenvolvimento do autoconhecimento e de uma ampliação da percepção sobre as nossas questões pessoais, nossas relações familiares e sobre a oportunidade que é termos a chance de olharmos para quem somos e fazermos uma análise do processo de construção desse ser e das interferências que agiram ativamente nessa construção e que ainda agem de forma consciente ou inconsciente.

Portanto, se você foi uma dessas crianças criadas em um ambiente familiar crítico, reducionista, pouco acolhedor e, hoje, sofre as consequências disso, saiba que a psicoterapia é um espaço onde você poderá falar sobre todas essas questões e como elas reverberam em você e na sua vida. É fundamental a conscientização de que a autoimagem é, inicialmente, criada a partir do olhar do outro sobre nós, assim como também é fundamental que saibamos (re)criar um novo olhar sobre nós mesmos, agora, adultos, sendo capazes de discernir e de fazer ponderações sobre quem somos e o que podemos nos tornar. Isso além de proporcionar entendimento e a sensação de liberdade, faz, inclusive, parte do processo de cura seja da ansiedade, do medo, insegurança ou de qualquer outro sofrer que se apresente.

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