COMO É A PSICOTERAPIA EXISTENCIAL – O E EXERCÍCIO DA LIBERDADE?

Você sabe o que é Clínica Psicológica Existencial?

É modo de atuar por meio de uma perspectiva clinicamente que opera uma transposição da filosofia para o campo psicoterapêutico. A filosofia da qual trago aqui é basicamente de Sartre, que afirma que os homens condenados a liberdade, contudo é responsável por si mesmo e pelos outros homens. Sobretudo, Sartre persiste em afirmar o homem deve criar a sua própria essência, e para isso deve lançar-ser no mundo, sofrendo, vivendo suas angustias, medos, incertezas, solidão, amores, luto, tédio, felicidade, e assim definindo-se pouco a pouco.

Como essa filosofia pode contribuir para a Clínica Psicológica?

A partir do modo de pensar Sartriano, para o modo de pensar clinicamente, qual é então a proposta. Veja, nos atemos a um dos objetivos e princípios que é a Cura, cuidar da saúde, tratar, buscar solução, dentre outras definições. Uma das definições mais significativas ao se pensar em cura, que condiz com a proposta filosófica para o campo psicoterapêutico, é “buscar solução”, assim para que o indivíduo possa se sentir bem diante de suas angústias e temores, ele próprio irá ao encontro de suas próprias condições para compreender e resolver suas questões. Já que, para o processo clinico curar-se de algo, é decisão do próprio individuo, e isto chamamos de liberdade existencial.

O espaço clínico permite um lugar para pensar e refletir a respeito de sua existência, como ele próprio percebe e entende o mundo ao qual ele vive, ou seja, principalmente como ele vive sua liberdade existencial, como ele vive com as outras pessoas, como se relaciona, respeita as diferenças, diversidades, e para além disso, como ele assumi as escolhas feitas para sua vida em todos as esferas de suas relações; pessoais, familiares, profissionais, amorosa…

Trago novamente a proposta Sartriana para “libertar” o ser humano de seus aprisionamentos, seja eles internos ou externos, de que há uma verdade absoluta para tudo o que ocorre. O homem ao se aprisionar a determinismos ele se afasta da liberdade o que implica a ele em distanciar-se sobre sua vida e posicionar-se sobre ela.  É fato que o ser humano ao viver no mundo com os outros homens precisa ter seus ideais, projeto de vida, interesses, fazer escolhas, mas o que se propõe a clínica existencial ao se referir a escolhas não é meramente uma decisão a ser tomada. Na clínica, escolher é reconhecer as possibilidades reais para isso, não apenas por que eu quero, eu desejo, eu posso, ou por que alguém me disse como fazer, mas pela condição humana em assumir que sou liberdade e que posso escolher, recriar, refazer as situações dadas.

Não há nada mais libertador para o ser humano do que reconhecer que ser livre existencialmente é posicionar-se frente ao mundo e de suas relações.     

Referência:

FEIJOO, M.L.C.de, PROTASIO, M. M. Situações Clinica I: análise fenomenológica de discursos clínicos. 1.ed. Rio de Janeiro, RJ: IFEN, 2015

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