Como você lida com suas crenças?

À medida que vamos crescendo, vamos aprendendo coisas, assimilando comportamentos e internalizando crenças. Não apenas crenças religiosas, mas também crenças de como as coisas são ou deveriam ser.

Aprendemos assim, ou somos cobrados a aprender, como deveríamos nos portar em situações sociais, emocionais; relacionamentos e em tudo no tocante à vida. A não agir, sentir ou fazer coisas por nos serem ensinadas como erradas ou inapropriadas a quem somos ou a um grupo que façamos parte.  

Sem perceber, vamos incutindo medos e limitações em comportamentos simples do dia a dia.

As crenças negativas

Aprendemos que meninos não choram; e quando meninos choram, lhes é ensinado a esconder o choro ou lidar de maneira tida como masculina ou adulta.

Mas, de toda forma, chorar não é aceitável. Assim, muitos meninos acabam guardando suas fraquezas “em caixas” presas no subconsciente, sentindo que falharam em sua existência ou não se sentindo parte de um grupo maior, um grupo de meninos que não choram e sabem lidar com suas emoções.

Aprendemos que meninas devem se portar de uma determinada maneira se quiserem casar, se quiserem ser aceitas. Uma menina que apresenta opiniões distintas ou tida como incomuns às mulheres, pode ser relegada à um segundo nível hierárquico. 

Se demonstrarem posturas como beber, fumar ou se vestir de uma maneira própria, expressando sua personalidade, podem ser julgadas (quiçá condenadas!) como problemáticas, de difícil convivência ou “que não servem pra casar”.

Muitas dessas crenças ficam tão solidificadas no imaginário popular que dizemos, de forma muito natural, coisas como: “ele é fraco, sempre foi de chorar” ou “ela nunca vai casar, gosta de viver sobre suas próprias regras”.

O efeito bola de neve

O que vemos a seguir, são pessoas que não se sentem felizes como são ou como se sentem, buscando se enquadrar no que é “normal” e vigente. Inicia-se muitas vezes, uma briga interna entre seus desejos de sentir, viver ou fazer e o medo de serem rejeitados por buscarem ser quem são.  

Uma eterna sensação de não pertencer, de estar falhando, de não fazer parte. E quem quer ser diferente e excluído?

E não, nem toda crença é óbvia. Afinal, o óbvio só é obvio a quem já viu…

Questionando suas crenças

Você já questionou a razão de fazer as coisas como você faz? Desde a escolha do que vestir, ao que escolhe para seu café da manhã?

Sua simples escolha de um copo de suco de laranja é totalmente desprovida de qualquer juízo de valores externo? E sim, sabemos que vitamina C faz bem a saúde… Mas não é sobre isso que discutimos. Me refiro se a escolha é SUA. Afinal, temos diversas fontes de vitamina C.

Quantas crenças familiares são repassadas geração após geração? Muitas pessoas já ouviram que são parecidas fisicamente com outros membros da família, e quase sempre, essas associações vem com expectativas de comportamentos.

Se parecer com a família do pai ou da mãe implica que se esperam coisas, boas ou ruins, sobre você e suas escolhas. Como não carregar a “herança” familiar de forma a criar em si, limitações ou frustrações?

Como é crescer e carregar um sobrenome, uma história familiar (uma crença), sem que isso interfira diretamente na minha autoimagem e na minha capacidade de escolher o meu futuro?

Posso crescer sem ter medo de não encontrar o amor, mesmo quando minha historia familiar diz que nenhum casamento foge ao fracasso em minha família?

Quebrando velhos padrões

Costumo ouvir de alguns pacientes, coisas como “ele não é um bom marido/namorado”.

Ao questionar sobre o que a faz crer que ele não é um bom companheiro, escuto muitas crenças que começam com “um bom marido é assim (elenca diversas qualidades ou expectativas)” ou “se ele me amasse, ele não agiria assim” ou ainda “ele sabe que não gosto disso, não preciso dizer”.

Quando questiono onde está escrito isso, pois desconheço esse “Estatuto do Casamento”, recebo sempre olhares incrédulos ou de não compreensão, seguido muitas vezes de “não está escrito em lugar algum, mas é assim e pronto!”.

A crença de que algo deve ser de uma maneira, acaba por nos cegar da possibilidade de vermos infinitas possibilidades diante de escolhas em nosso dia a dia.

E você, já se perguntou quais crenças carrega na sua vida e como elas limitam suas escolhas e sua vida?

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