Consumo compulsivo

Consumo compulsivo: quando comprar vira um vício que precisamos tratar

Sabemos que o país está ainda engatinhando para uma saída da crise e que há cerca de 13 milhões de pessoas procurando trabalho. Quando para de entrar dinheiro, é difícil as contas não acumularem. Mas hoje quero falar de outras compras: aquelas quase sem motivo algum.

A cada ano é maior o número de pessoas que se endividam, em geral para comprar coisas das quais não necessitam ou até mesmo para presentear amigos e parentes como uma forma de tê-los por perto. E essa situação é uma fonte inesgotável de ansiedade e depressão.

Mesmo que a pessoa ganhe bem, isso acontece. É o caso da cantora e apresentadora Preta Gil que, em 2012, deu entrevista ao programa Encontro, de Fátima Bernardes, falando sobre sua compulsão por compras e do tratamento pelo que teve de passar.

“Demorei para aceitar que precisava de ajuda, que era uma doença”, disse ela no Programa. “Só fui entender isso quando estava endividada, com o cartão de crédito estourado, tinha dado uma casa para a babá do meu filho sem poder, tinha cinco calças do mesmo número, três sapatos iguais”, contou.

Para a psicóloga Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro “Mentes Consumistas”, o sistema econômico, com sua lógica capitalista, incentiva de forma nociva o consumo, que acaba se tornando um vício.

“Nosso sistema econômico prioriza até as últimas consequências a produção excessiva e o consumo irresponsável que transforma cada um de nós em esbanjadores inconsequentes, a ponto de considerarmos o desperdício algo normal”, afirma Ana, em seu livro.

Com base na obra da autora, levantamos alguns sintomas e informações que trazemos a seguir.

Sintomas comuns do consumo compulsivo

·         Esconder suas compras das pessoas mais íntimas, como fazem os alcoólatras e dependentes químicos em geral;

·         Perder a noção de identidade, achando que as pessoas são aquilo que têm e nada mais;

·         Ter a mente repleta de pensamentos intrusivos e repetitivos sobre o que se deseja comprar;

·         Dificilmente assumir que se tem um problema, negando, mesmo que os outros o alertem;

·         Passar por ciclos, ficando eufórico com as compras e depois triste, até deprimido, por ter novamente comprado;

·         Gastar frequentemente mais do que pode pagar, comprando coisas desnecessárias;

·         Gastar tanto tempo nas compras que elas interferem em outras áreas da vida, como relacionamentos ou trabalho.

O consumo em excesso, seja ou não compulsivo, traz consequências muito sérias e implica em uma série de problemas além dos sintomas apresentados. Para as crianças, por exemplo, o consumismo é uma das principais questões envolvidas no bullying, já que nem todas as crianças possuem o mesmo poder aquisitivo.

Ainda para as crianças, vale dizer que cerca de 50% das propagandas voltadas a elas são de produtos alimentícios e que especialistas avaliam esta como uma das principais causas da obesidade infantil.

E é importante saber também que, para desenvolver uma compulsão do tipo, a pessoa precisa ter duas predisposições. Precisa ser impulsiva e ter predisposição a compulsões.

Evidentemente, existem vários graus de dependência com relação às compras. Por isso, para termos uma relação saudável com nosso dinheiro, vale a pena refletirmos muito sobre o que queremos da vida e das pessoas.

Esse trabalho interior, que não é simples, pode nos afastar do consumismo exagerado que, nas palavras da Dra. Ana, cria pessoas que “julgam sua identidade e seus afetos pelo que podem adquirir e oferecer aos demais e, assim, vivem numa espiral de angústia e insatisfação, feito pinturas esmaecidas pelo tempo”.

Por fim, vale dizer que, assim como a atriz Preta Gil, quem desenvolve um quadro de comprador compulsivo precisa sim de ajuda profissional. Por sorte, existe toda uma gama de tratamentos, que envolvem estratégias comportamentais, medicamentos, grupos de ajuda, neuromodulação e psicoterapia, entre outros.

Ter uma vida saudável depende do equilíbrio em todas as áreas da nossa vida, inclusive nossa relação com o consumo.

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