“Cura gay”: ciência ou imposição cristã-religiosa?

Sabe-se que este tema está sendo muito comentado ultimamente, iniciado, sobretudo, por pastores evangélicos que compõe a bancada religiosa nas câmaras do Brasil. Hoje em dia, percebemos, que a estratégia de afirmar convicções religiosas, alternaram-se para a tentativa de comprovar legalmente e cientificamente, uma suposta cura para a homossexualidade, através de tratamentos psicológicos e fundamentações religiosas.

Vale ressaltar, que a homossexualidade já foi revista pela ciência e já não é considerada doença desde 1973 através da Associação Psiquiátrica Americana (APA); após 12 anos de análise, o Conselho Federal de Medicina(CFM) no Brasil, também atualizou seus códigos em 1985.

Recentemente, na década de 1990(5 anos depois), após muitas pesquisas científicas e discussões por profissionais da área da saúde, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – IV) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) também concluíram que a homossexualidade é só mais uma expressão natural da sexualidade humana.

Somente em 1999 que o Conselho Federal de Psicologia (CFP), reviu seu código de ética, para despatologizar a homossexualidade, que inclusive, era chamada de “homossexualismo“, retirando-se, assim, o sufixo “ismo” que designava doença, como alcoolismo, estrabismo, tabagismo etc.

Para que atentemos à crítica, basta pesquisar quem são as psicólogas e psicólogos que estão a favor da “Cura Gay”. Todas e todos possuem uma religiosidade à partir dos evangelhos cristãos, e todos os deputados que entraram com o projeto na justiça são pastores atuantes em igrejas evangélicas. (Sabe-se que aqui são casos particulares, não são todos os cristãos/evangélicos que concordam com esta abordagem citada acima)

É fato, que o Brasil é laico e é fato que a Ciência não se pauta em fundamentalismo religioso. Nesse sentido, a constituição brasileira, impede qualquer tipo de violência contra o ser humano, independente de qualquer diferença que seja. Neste caso, é impossível curar o que não é doença. Logo, a “cura gay” não só é absurda, como também é criminosa, pois incita tortura psicológica, incita o suicídio, incita a depressão e incita a violência intrapessoal e interpessoal entre pessoas homossexuais ou não.

Sempre é bom lembrar que na nossa constituição existe o Artigo 3°

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

        I –  construir uma sociedade livre, justa e solidária;

        II –  garantir o desenvolvimento nacional;

        III –  erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

        IV –  promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

A única doença que precisa ser curada é o ódio às pessoas que são diferentes de padrões estabelecidos por determinados grupos. Precisa ser curada, essa perseguição que surgiu na Idade Média contra Lésbicas, Bissexuais, Gays, Trangêneros, ou qualquer pessoa que fugisse aos padrões estabelecidos pela Igreja.

O que envergonha a Ciência do Século XXI, é que os argumentos são os mesmos, alguns mascarados com lógicas Sofistas, sabendo que o real interesse por trabalhos de “tratamento” dessa homossexualidade, é puramente econômico, afinal, cliente não iria faltar. Mais uma forma de comércio? Afinal essas “curas” não são de graça, não é verdade? E possuem como alvo, os responsáveis que em sua falta de conhecimento, encontram-se desesperados para que o filho/filha volte aos padrões que eles aceitam como normais. Ou LGBT’s cansados de tanto maltrato social, adoecidos não pela sexualidade, mas pela violência imposta à sua sexualidade. Não existe neutralidade, quando estamos falando de violência.

Todos nós somos únicos e temos identidades diferenciadas, dizer que o outro é doente, ou dizer que este outro tem um mal que precisa ser curado precisa, minimamente, ser avaliado por profissionais da saúde, com seriedade e comprometimento com a Ética científica constitucional e não religiosa.

Pesquiso a temática desde 2009 e as falácias apenas se reciclam quando o assunto é sexualidade, tão organizada pela Idade das Trevas e pelo “puritanismo” da era Victoriana. Quem sabe,  depois de perseguições e “caça às Bruxas” parecidas a estas, poderemos alcançar a concretude constitucional que o movimento negro alcançou, como um belo exemplo de evolução social, sobretudo, humana.

Avante que a luta é grande.

 

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Gabriel França
11 meses atrás

Que merda…herege…