Descubra o que te move para a busca profissional

Como a maioria das pessoas permanecem a maior parte do tempo em seus locais de trabalho, é necessário pensar com seriedade na escolha profissional, conciliando suas habilidades com a satisfação pessoal. Porém, geralmente essa escolha é feita num momento crítico da vida, na adolescência.

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O adolescer é uma fase humana onde se tem, naturalmente, muitos conflitos diante das novidades e várias escolhas à fazer. Além das escolhas de relacionamentos e responsabilidades familiares, é preciso ainda decidir a profissão que se pretende exercer durante toda a vida. São escolhas que podem deixar muitos jovens confusos e inseguros. E, tentando conciliá-las ao mesmo tempo, podem escolher uma profissão que tenha somente como modelo familiar ou que esteja de acordo apenas com as suas necessidades atuais, sem considerar outros aspectos fundamentais nessa decisão.

Busca profissional: a escolha da profissão

Porém, além da escolha da profissão na adolescência, podem ocorrer fatores externos que levam muitas pessoas a repensar suas escolhas, surpreendendo-os no meio da vida à rever seu planejamento profissional.

O homem está a todo instante se modificando e, com isso, muda-se valores, pensamentos, condutas, objetivos. Assim também acontece com a sociedade que é construída pelo ser humano e depende de suas ações. Dessa forma a sociedade muda constantemente, trazendo novas perspectivas e propósitos diferentes daqueles que inicialmente as pessoas conhecem e norteiam suas vidas. Por esse motivo cabe as pessoas reajustar-se em novas práticas, conhecendo suas necessidades e as expectativas sociais para que possam caminhar em prol dos seus objetivos, alinhadas aos meios externos e recursos internos que dispõe.

Podemos citar como exemplo o regime socioeconômico de nossa cultura ocidental em que somos educados e orientados para um comportamento competitivo que incita o individualismo e gera rivalidades, criando variáveis que interferem no desempenho das pessoas e em seus propósitos, nem sempre alinhados aos objetivos pessoais de cada um.

Clareza de propósitos

Vemos que hoje o estilo de vida das grandes cidades, com acesso ilimitado às informações cada vez mais velozes, modifica constantemente seu comportamento através de sugestões para o indivíduo acompanhar essa desenfreada corrida pelo consumo, por vezes a custo de seu equilíbrio emocional e físico. É dessa forma que muitas pessoas orientadas por outras metas se perdem em seus próprios objetivos, sem clareza de seus propósitos ou de como alcança-los, tornando-se insatisfeitas em seu trabalho, aquém de sua capacidade e desempenho.

Com isso, ás vezes é preciso parar e analisar se o caminho profissional escolhido ainda condiz com as suas expectativas e a demanda do mercado. Atualmente existem novos modelos de trabalho e um índice grande de desempregos, sendo, por vezes, necessário reavaliar-se para encontrar novos caminhos e objetivos que satisfaçam suas necessidades em consonância a sua capacidade.

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Desde 2012 no mundo corporativo, alguns transtornos de saúde mental fazem parte do rol das 50 enfermidades mais apresentadas pelo trabalhador brasileiro, conforme os registros do Ministério da Previdência Social, que apontam ainda que os transtornos mentais já são a terceira razão de afastamentos do trabalho, confirmado o quanto hoje temos maiores demanda mental que sobrecarregam o nosso sistema emocional e levam a um maior número de adoecimentos psíquicos.

Incidência de doenças mentais

Dentre as 24 maiores cidades do mundo São Paulo possui a maior incidência de doenças mentais, apresentando na população a taxa de 29,6% de algum tipo de transtorno mental comum (TMC) e 10% de casos psíquicos graves. O estudo foi realizado em 2014 pela OMS e revela que 10% da população mundial sofre algum adoecimento psíquico, 33% da população com ansiedade e 4,4% com depressão, tendo o Brasil aparecido no topo da lista dos transtornos pesquisados.

Com esta complexidade que caracteriza o desenvolvimento das pessoas e a diversidade atual da sociedade, a escolha profissional torna-se uma decisão que deve ser analisada não apenas por sua rentabilidade, porém, e, principalmente, pela satisfação pessoal associada à ela. Muito da prevalência de insatisfação no trabalho origina-se por fatores externos, no entanto uma pessoa que esteja satisfeita em sua vida pessoal possui maior resiliência psíquica para enfrentar os desafios que a vida apesenta.

Qualidade de vida

Atualmente várias empresas investem em programas de Qualidade de Vida promovendo a satisfação dos colaboradores não só nos ambientes de trabalho, mas nos demais setores da vida, tendo em vista que uma pessoa realizada desenvolve melhor suas potencialidades, ao contrário de um indivíduo insatisfeito em seus propósitos, podendo tornar-se agressivo, desmotivado ou apático, improdutivo em seu trabalho. Contudo essa não é uma prática geral ou comum das empresas brasileiras, cabendo ao próprio funcionário reconhecer suas necessidades e gerenciá-las conforme o que dispõe no momento.

A Orientação Vocacional pode auxiliar nessa busca, pois conecta a pessoa com suas potencialidades, orientando-a para uma transição de carreira conforme suas habilidades e o real contexto da sociedade. A partir de técnicas psicológicas é possível compreender se as escolhas que se tem são pertinentes à sua capacidade, podendo reorganizá-las a partir de alternativas viáveis em consonância com uma vida plena e integral.

Luzinete Alves, Psicóloga Clínica e Supervisora Organizacional

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