Entendendo e combatendo o suicídio

Entendendo e combatendo o suicídio

Para alguns religiosos o suicídio pode ser considerado como um pecado; já para a organização Mundial de Saúde um problema de saúde pública; e para os psicólogos um grande desafio que buscamos compreender. Tema que ainda carrega tabu em nossa sociedade, pois pouco se fala sobre.

Dessa forma, o próprio tema suicídio carregará significados diferentes de acordo com a visão pessoal e experiencias próprias de cada um.  Lidar com tal assunto é entrar em contato com a própria morte.

Suicídio: a morte como única saída

E como é entrar em contato com a nossa própria morte? Muitas vezes são esses tipos de questionamentos que nos angustiam ou nos fazem tender a evitar falar sobre o assunto. Julgamentos aparecem carregando possíveis preconceitos sobre pessoas com depressão e potenciais suicidas.

Cada caso, cada paciente depressivo, cada pessoa que você conheça que apresente depressão terá sua própria maneira de lidar com a vida. Nem toda pessoa com depressão apresenta um potencial suicida, o ato possivelmente surge quando não existe mais nada que una a pessoa a esta vida.

E o ato final seria sua escolha de se livrar de todas as angústias. Uma busca para dar um sentido à própria vida. O suicida vê, então, na morte, uma saída e a resolução de seus conflitos.

Para os psicólogos fica evidente que no atendimento desses pacientes uma morte deva acontecer, mas não necessariamente uma morte física, e sim um novo renascimento e transformação na psique do paciente. Morte não necessariamente como fim, e sim como um aspecto transformador, um renascimento.

Buscando a morte simbólica

Uma busca por entender qual o significado da morte para esses pacientes, o significado do ato suicida. A busca pelo autoconhecimento e uma morte simbólica dentro do indivíduo para que esse possa ressignificar e buscar uma transformação interna.

O suicídio apresenta uma tendência de autodestruição, em 3 graus:

Grau 1: Fantasias Suicidas, que não necessariamente são características conscientes. Podem ser fantasias inconscientes sobre o ato, sendo assim, um grau comum de se aparecer na população em geral. Não significando que são potenciais suicidas.

Obviamente, caso os pensamentos se tornem algo constante e mais intenso, é possível perceber que tais pensamentos apresentam um desejo significativo para evoluir para o próximo grau.

Grau 2: São os graus intermediários entre os pensamentos e o acontecimento suicida. Nesse grau já se apresentam formas mais concretas sobre as fantasias anteriores. Podendo realizar atitudes que coloquem a vida em risco.

A pessoa já começa a apresentar ações suicidas. Importante destacar, que nem todo indivíduo que tente realizar os atos, se tornará uma pessoa que concluirá o ato final.

Grau 3: Nesse caso são os graus extremos. Quando existe um forte desejo em realizar o ato e ele poderá acabar sendo feito, com seu fim gerando a morte da pessoa.

Os indícios prévios do suicídio

A maioria das pessoas que cometeram suicídio já apresentaram ameaças verbais ou comportamentos autodestrutivos em algum momento. Ou seja, existe uma ambivalência no desejo entre viver e morrer. Contudo, o resultado dependerá das pulsões internas de cada indivíduo. Observa-se nos comportamentos suicidas um pedido “calado” por socorro, um grito sem voz.

Assim, através da terapia existe uma busca pelo que nos dá motivação, direção, e talvez até mesmo um novo sentido. Buscar uma ajuda é buscar algo novo, uma nova construção da bússola interna que nos dá um sentido.

Buscar uma ajuda especializada pode auxiliar muito esses pacientes depressivos a desenvolver essa transformação interna, buscar um cuidado e se autocuidar. Mesmo na escuridão da mente talvez exista uma forma de buscar uma luz, uma luz de esperança e uma luz de ressignificação.

Compreender os problemas como algo efêmero, passageiro, um estado que através de um cuidado pode-se buscar um novo florescer. Amanhã é um novo dia, com novas possibilidades, com um novo despertar, um novo amanhecer. Não tenha medo de buscar ajuda.

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