estigma sobre o suicídio

Combatendo o estigma sobre o suicídio, a saúde mental e o uso de substâncias

Encontramos o suicídio relacionado às pessoas com várias faixas etárias; em 2012, ele foi considerado a segunda causa de morte no mundo entre pessoas de 15 a 29 anos e a 15ª na população em geral. Já o 1º Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil do Ministério da Saúde divulgado em 2017 mostrou que, onze mil pessoas tiram suas vidas todos os anos no país. Porém, pouco se fala e se pesquisa no Brasil sobre a importante relação, que existe entre suicídio,  saúde mental e o abuso de substâncias. Mas, a carência de dados sobre uma população, da realidade brasileira foi quebrada recentemente, por um estudo realizado no estado de São Paulo, o qual mostrou, que entre 1700 pessoas que tiraram suas vidas entre 2011 e 2015; 30,2% deles apresentavam a média de 1,73 (± 0,08) g/L de álcool no sangue, mas não há dados sobre a saúde mental.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é um problema de saúde pública; complexo, desafiador e prioritário, que precisa ser seriamente enfrentado; para isso ela recomenda que os países criem estratégias preventivas para enfrentá-lo. Pensando nisso, ela fornece orientações baseadas em evidências científicas, para que os países aumentem a prestação de serviços e cuidados tanto para os transtornos mentais, quanto para o uso de substâncias para abordar o suicídio. Essas estratégias envolvem à restrição a métodos comuns de suicídio e a prevenção e o tratamento da depressão e dependência de álcool e substâncias.

Entre as estratégias está o aumento da conscientização da população em geral, sobre o suicídio e a sua relação com problemas de saúde mental. Com esse tipo de ação, a OMS busca combater o estigma e o tabu existentes em relação ao suicídio, a saúde mental e somando a esses pontos, nós podemos também incluir o abuso ou dependência de substâncias, e como resultado temos os obstáculos para a prevenção do suicídio, isso ocorre pois, eles criam barreiras, para que as pessoas que estão pensando em tirar a própria vida ou que tentaram o suicídio procurem a ajuda de serviços especializados para tratamentos e, por outro lado, também afetam negativamente a notificação adequada e o registro dos comportamentos suicidas junto aos órgãos competentes de saúde e segurança.

A comunicação de informações sérias e confiáveis sobre essa relação pode auxiliar na prevenção do uso de substância e consequentemente na prevenção de suicídio e das sérias consequências emocionais, sociais e econômicas que o mesmo traz.

Quais são os sinais de alerta de suicídio (em realidade os “pedidos de ajuda” que a pessoa expressa)?

  • Falando ou escrevendo sobre morte, morrer ou suicídio
  • Fazer comentários sobre estar desesperado, desamparado ou sem valor
  • Expressões de não ter motivo para viver; dizendo coisas como “seria melhor se eu não estivesse aqui” ou “eu quero sair”
  • Aumento do uso de álcool e / ou substâncias
  • Afastamento de amigos, familiares e comunidade
  • Mudanças de humor dramáticas
  • Comportamento imprudente ou realização de atividades mais arriscadas, aparentemente sem pensar
  • Falando sobre se sentir preso ou ser um fardo para os outros

O que pode levar uma pessoa ao comportamento suicida?

Vários fatores e situações de risco estão relacionados ao comportamento de suicídio, e eles são mais frequentes em certas circunstâncias, por causa de aspectos culturais, genéticos, psicossociais e ambientais que incluem:

  • Depressão, Transtornos de Personalidade, Esquizofrenia, e Abuso ou Dependência de álcool e/ou outras substâncias
  • Problemas com o funcionamento da família, relações sociais, e sistemas de apoio
  • Estresse
  • Abuso físico e sexual
  • Perdas pessoais
  • Baixo nível socioeconômico e educacional; perda de emprego
  • Sentimentos de baixa autoestima ou de desesperança
  • Questões de orientação sexual (tais como homossexualidade)
  • Impulsividade e comportamentos autodestrutivos
  • Acontecimentos destrutivos e violentos (tais como guerra ou desastres catastróficos)
  • Pobre habilidades para enfrentar problemas
  • Doença física e dor crônica
  • Exposição ao suicídio de outras pessoas
  • Acesso a meios para conseguir fazer mal a si próprio


A presença de um transtorno mental é considerada, como um forte fator de risco para o suicídio. De acordo com a World Psychiatry, um diagnóstico de transtorno mental estaria presente em 96,8% dos casos de suicídio, frisando que é preciso observar dois pontos importantes:

    1. Pelo menos metade desses transtornos mentais são abuso ou dependência de substâncias.
  1. A maioria das pessoas com transtornos mentais e/ou uso de substâncias nunca morrerão por suicídio.

Mas, como uma substância pode aumentar o risco de suicídio?

Quando alguém toma álcool em grande quantidade; chegando a uma concentração no sangue de 0,06% de álcool, ela tem a sua cognição (capacidade de processar informações e transformá-las em conhecimento) prejudicada; em especial o julgamento e tomada de decisão, pois o álcool altera o processamento de informações e a atenção fica direcionada somente para os  sinais internos (do próprio corpo) e externos (no ambiente) que mais se sobressaem, e os outros sinais (internos e externos) são ignorados. Assim, a atenção e os pensamentos ficam limitados somente ao que está em destaque, não se considera a existência de um futuro ou as consequências das ações realizadas no presente no futuro. Então, se nesse momento, um pensamento negativo está presente causando uma dor emocional, a pessoa pode interpretar, que não há outras soluções para a dor que está sentindo. Então ela pode começar a pensar em suicídio, e talvez não seja a primeira vez; isso pode ter acontecido antes, mas neste momento ela não é capaz de visualizar outras alternativas para aliviar sua dor, porque o que a pessoa que busca o suicídio quer é simplesmente aliviar a dor que está sentindo.

O alcoolismo, particularmente na presença da depressão e transtorno de personalidade, também pode aumentar o risco de suicídio.

Seja isoladamente ou em uma combinação de fatores, cerca de dois terços de todas as pessoas que cometem suicídio sofrem de depressão ou alcoolismo. Porém, é muito importante não simplificar a associação entre o alto consumo de álcool e o suicídio; em uma relação de causa e efeito. Outros fatores, como dificuldades emocionais, beber para lidar com emoções desagradáveis e estresse, fraco suporte familiar e alta porcentagem de amigos que usam álcool, também tem importante envolvimento na relação álcool e suicídio.

Os fatores de proteção podem ajudar as pessoas a lidarem com as circunstâncias especialmente difíceis, diminuindo assim, o risco de suicídio.

Fatores de Proteção para o suicídio em todos os casos

  • Apoio da família, de amigos e de outros relacionamentos significativos;
  • Crenças religiosas, culturais e étnicas;
  • Envolvimento na comunidade;
  • Uma vida social satisfatória;
  • Integração social como, por exemplo, através do trabalho e do uso construtivo do tempo de lazer;
  • Acesso a serviços e cuidados de saúde mental.

No Brasil a existência de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), nos municípios reduzem em 14% o risco de suicídio.

É importante saber que, esses fatores de proteção não eliminam o risco de suicídio, mas podem auxiliar a diminuir o risco frente às circunstâncias difíceis. Dar especial atenção a uma pessoa que tentou se suicidar é uma das principais estratégias para se evitar um futuro suicídio. http://www.scielo.br/pdf/pusp/v25n3/0103-6564-pusp-25-03-0231.pdf

Se você precisar de ajuda, ligue gratuitamente 188 em qualquer dia da semana, 24 horas por dia e de qualquer lugar do Brasil para o Centro de Valorização da Vida (CVV), parceiro do Ministério da Saúde na prevenção do suicídio.  No caso de Emergências ligue para o SAMU telefone 192. Busque ajuda médica e psicológica nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do seu município.

Referências

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    1. http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-aten–ao-a-sa–de.pdf
    1. http://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/suicide, http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/75166/9789241503570_eng.pdf?sequence=1.
    1. http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/43682
    1. http://agenciabrasil.ebc.com.br/en/geral/noticia/2016-09/brazil-runs-suicide-prevention-awareness-campaign
    1. https://www.samhsa.gov/capt/sites/default/files/resources/suicide-substance-abuse.pdf
    1. https://www.paraentender.com.br/suicidio-jovens/.
    1. http://www.who.int/mental_health/media/counsellors_portuguese.pdf
    1. http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/Coletiva-suicídio-21-09.pdf
  1. Gonçalves REM, Ponce JC, Leyton V. Alcohol use by suicide victims in the city of Sao Paulo, Brazil, 2011–2015. Journal of Forensic and Legal Medicine 53 (2018) 68–72 (https://www.jflmjournal.org/article/S1752-928X(17)30179-8/pdf (pesquisado em 30112018).

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