Estresse_ a porta de entrada da depressão, ansiedade e transtorno pós traumatico

Estresse: a porta de entrada da depressão, ansiedade e transtorno pós traumatico

Olá caro leitor, o texto que apresento aqui foi elaborado com muito cuidado e carinho para ser o mais didático possível para dar suporte a todos os indivíduos, principalmente aqueles que não podem ficar em casa, aqueles que estão em posições de trabalho em serviços essenciais como a linha de frente no combate ao COVID-19, proporcionando uma melhor qualidade de vida mesmo diante desta pandemia e pós pandemia.

O objetivo nas linhas abaixo será de ensinar a gerenciar suas emoções, treinar habilidades para lidar com o estresse, reduzindo os danos da quarentena e do trabalho durante a pandemia, evitando o desencadeamento de doenças físicas e mentais decorrentes desse cenário.

Vamos lá?

Definição e razões do estresse

No contexto da física, o estresse é utilizado para traduzir o grau de deformidade sofrido por um material quando submetido a um esforço ou tensão e foi utilizado na área da saúde em 1926 por Hans Selye, para designar um conjunto de reações especificas que ele havia observado em paciente que sofriam das mais diversas patologias.

As exigências impostas pelas mudanças da vida moderna e as necessidades de ajuste a essas mudanças expõe as pessoas uma constante situação de conflito, ansiedade, angústia e desestabilização emocional. Nesse contexto o estresse surge como um esforço adaptativo, maior que o usual, do indivíduo a sua situação existencial. Desta forma o estresse gera um estado de tensão que causa uma ruptura no mecanismo interno do nosso organismo como um estímulo que causa uma necessidade de adaptação.

Para ilustrar a situação de estímulo que causa uma necessidade de adaptação, vou propor uma tarefa simples para atingir um objetivo importante que é demonstrar a resistência natural a adaptação.

Vamos tentar? Junte os dedos das mãos, um entre o outro. Eu fiz aqui e o dedão da mão esquerda ficou por cima do dedão da mão direita, a posição pode variar para cada um. Agora, vou gerar um estímulo adaptativo, tente realizar o mesmo processo, mas invertendo a posição dos dedos, no meu caso, vou juntar a mão de forma a deixar o dedão da mão direita por cima do dedão da mão esquerda. Conseguiu? A dificuldade leve em organizar a posição dos dedos e o desconforto causado podem ser considerados aqui nesse exemplo como uma resistência a mudança.

Caso você pratique cruzar os dedos ou até mesmo escrever com outra mão, você irá se adaptar, mesmo que demora, e quando você se adaptar a esses exemplos, você terá ultrapassado a resistência a mudança e no caso de escrever com outra mão, terá ganho uma nova habilidade, desta forma não podemos considerar que todo estresse é puramente ruim, uma vez que ele também nos ajuda a nos desenvolver.

Nenhuma mudança nos últimos anos foi tão brusca como a mudança provocada pela pandemia, do dia para a noite vimos as crianças fora das escolas, tivemos nossa rotina de trabalho alterada, surgiram incertezas e medos. De uma forma geral, nosso organismo reage a isso com ansiedade, preocupação e alteração do sono. Buscamos então, proteção criando nossas rotinas para nos adaptar aos filhos em casa e ao trabalho em home office. Se conseguirmos isso, podemos dizer então que o estresse nessa situação funcionou como uma força para atingir nossas metas de adaptação.

Mas nem tudo são flores, certo? O estresse na medida certa pode nos trazer benefícios, mas o estresse crônico diminui a nossa produtividade, nossa capacidade de criação, dificuldades interpessoais, problemas sociais, problemas de saúde, dificuldades afetivas e sexuais. Então vou começar as orientações estratégicas para identificar e administrar esse estresse, evitando prejuízos.

Identificando os sintomas do estresse

               Os sintomas mais comuns são: Taquicardia, dor no peito, falta de ar, dor crônica, cansaço constante, queda na imunidade, alterações digestivas, déficit de memória, irritabilidade e apatia

               Todos os sintomas podem acontecer momentaneamente, reativo a uma situação específica, só passam a ser um problema quando aparecem com muita frequência, com longa duração e maior intensidade que o normal, causando sofrimento.

               Quando esses sintomas persistem, surgem quadros afetivos de ansiedade, agressividade, apatia, falta de paciência, fadiga, depressão, frustração, nervosismo, solidão entre outros. Se esses sintomas já não fossem o bastante, temos também os efeitos comportamentais como o consumo em excesso do tabaco, álcool, drogas ilegais e outros distúrbios do comportamento que podem gerar mais problemas para o indivíduo. Efeitos cognitivos como a falta de concentração, incapacidade para tomar decisões, lapsos de memória etc. Efeitos fisiológicos como aumento da pressão arterial, suores, alterações metabólicas como ganho de peso, falta de ar etc. Para finalizar, os efeitos sobre a vida geral do individuo são de distração, más relações, má produtividade, má qualidade do trabalho, insatisfação pelo emprego, casamento, amizades etc.

               Nesse momento o nosso grande estressor é a pandemia que nos traz medos, incertezas e limitações oriundo de fontes externas ou internas.

               Os estressores externos são independentes das características ou comportamentos da pessoa afetada, como a pandemia por exemplo.

               Os estressores internos são determinados pelos indivíduos e se referem a nossa forma de pensar, nossas crenças e valores, como interpretamos o mundo ao nosso redor. São esses eventos que vou tratar aqui nesse texto.

               Para finalizar o entendimento sobre estresse, vou descrever algumas fases propostas por Hans Selye (aquele que eu citei no início do texto).

Fases do estresse por Hans Selye

A primeira fase é o estado de alarme, onde o indivíduo está motivado e se empenha em produtividade com mais esforço para atender à exigência do momento, com entusiasmo e energia gerando grande produtividade e criatividade. Porem o resultado desse momento é a produção elevada de adrenalina, prejudicando o sono, causando tensão muscular, sudorese e euforia. Esse é um momento produtivo e transitório.

A segunda fase é a da resistência (lembra quando propus o exemplo de cruzar os dedos de forma diferente?) nesta fase, ao contrario do exemplo proposto, o estressor é de alta intensidade e duração, gerando um grande esforço causando a sensação de desgaste generalizado, o trabalho pode não ser afetado na produtividade e criatividade, mas o empenho necessário para ter novas ideias é maior, o cansaço é persistente e a memória começa a apresentar dificuldade e inicia-se as alterações de humor como tédio e irritabilidade.

A terceira e última fase é a de exaustão, fase patológica do estresse com a incidência de doenças graves como úlcera, pressão alta constante, vitiligo, psoríase, queda da resistência, pouco sono, falta de produtividade, criatividade, concentração, esgotamento físico e depressão. Esta é uma fase grave e reversível.

Percebeu que está muito estressado?

Se identificou com o que leu até aqui?

Agora vou ajudar a identificar os seus estressores de uma forma bem simples.

  1. 1-     Pegue uma folha de papel.
  2. 2-     Faça um círculo do tamanho de uma laranja no centro dele.
  3. 3-     Dentro do círculo, escreva o seu nome.
  4. 4-     Imagine tudo o que está tentando atingir você nesses dias, o que está te afetando nesse momento, o que está pesando e exigindo muito de você. Não precisa ser muito, as mais importantes certamente você se lembrará.
  5. 5-     Faça flechas em direção ao círculo e em cada flecha, coloque um item que você pensou na etapa 4.

6-     Olhe todos os itens com cuidado e verifique se algum deles podem ser eliminados da sua vida e faça um risco e se comprometa a tomar medidas a afastá-lo de você ao ponto de desaparecerem ou serem modificados.

O seu nível de estresse aumenta e cronifica enquanto você estiver mantendo um desgaste desnecessário, mesmo não podendo eliminar algo, tente. Em um momento de estresse excessivo, nem tudo que causa estresse precisa existir em sua vida, em uma fase de estresse crônico, é importante não adquirir novas fontes estressoras, evite mudanças desnecessárias e deixe o que for possível para o futuro, haverá o momento certo, menos vulnerável em que você poderá lidar com novas ou mais situações.

Identificou e organizou os seus estressores?

Parabéns! Vamos então para a próxima etapa.

               Agora vou ensinar a eliminar o que causa estresse leve, modificar o estressor ou uma situação.

1-     Faça aquilo que te traz paz.

Você se conhece e sabe o que te faz bem. Quando as coisas não estão boas, devemos resgatar a nossa sabedoria para nos cuidarmos. Eu costumo indicar modificações simples como cozinhar algo diferente, ler, escrever, aprender coisas novas, meditar, escutar músicas, tocar um instrumento, cuidar de uma planta, passear com o cachorro etc.

2-     Organize a sua rotina.

Faça uma lista com as tarefas importante que você precisa cumprir e organize conforme a prioridade.

3-     Pense com bom senso e tranquilidade nas coisas que você pretende fazer.

Procure não correr riscos de assumir tarefas que não são importantes e tarefas que não lhe compete. Questione a importância de cada atividade para você daqui a um ano.

4-     Procure permitir-se dormir bem e ter um sono reparador.

Esta é uma das dicas mais valiosas para o estresse, considero o ponto de partida mais importante para dar início a todo processo de melhora e manutenção do bem estar, busque ter 8 horas regulares de sono.

5-     Faça as coisas com tranquilidade, evitando a euforia e agitação.

Não tente fazer muitas coisas ao mesmo tempo, esteja presente em cada tarefa, como almoçar concentrado para sentir o gosto da comida, andar lentamente e falar devagar. Deguste mais cada momento.

6-     Seja contemplativo.

Olhe mais ao seu redor, veja com atenção a natureza, as arvores, o céu, as estrelas, a lua, os pássaros as pessoas ao redor e reflita positivamente nesses aspectos que também fazem parte da sua vida.

7-     Faça bem a alguém.

Fazer algo para alguém é bom para ambos. O altruísmo gera a possibilidade de gratidão que alimenta o nosso dia com uma dose poderosa de bem estar.

8-     Entre em contato com familiares, amigos e conhecido.

Converse com eles, exerça seu papel social, escute e seja ouvido. Possibilite o surgimento de novos assuntos e perspectivas que podem ser positivas.

9-     Reserve um tempo para você

Isso mesmo, um tempo livre, por menor que seja, para estar deitado em uma rede, uma poltrona, um banho relaxante ou qual quer outra coisa que possibilite um momento exclusivo.

Controle do estresse

Espero que esteja tudo bem até aqui caro leitor, já estamos entrando em um nível intermediário do controle do estresse e você já leu mais de duas mil palavras.

Parabéns! Você está no caminho certo.

               Nesta etapa intermediaria, vou falar de três métodos para alívio do sintoma do estresse. Esses três aspectos vão exigir sua ação presado leitor, sem isso nenhuma mudança será possível. Somente pela ação você poderá enfrentar os seus estressores médio e seus sintomas.

               O primeiro aspecto é nutricional. Uma alimentação saudável no gerenciamento do estresse traz benefícios a nossa saúde, melhorando a nossa imunidade, disposição, vitalidade, produtividade e felicidade.

               Para adotar uma alimentação saudável é preciso realizar mudanças de comportamentos, atitude e desenvolvimento de hábitos saudáveis como uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes para o desenvolvimento do organismo, garantindo o recebimento de todos os nutrientes que precisamos.

               Invista na sua alimentação, consequentemente você estará investindo na sua saúde física e psicológica. Uma alimentação saudável influencia em outros aspectos como a melhora do sono, atividade física de qualidade manejo do estresse e a lidar com as emoções sem colocá-las no prato, rsrsr.

               Uma alimentação ruim influencia o surgimento de sintomas de estresse como a hipertensão arterial, ansiedade, depressão e doenças cardiovasculares, neoplasia, diabetes mellitus tipo 2. Você, leitor, pode evocar argumentos como a genética para se defender das dificuldades em adotar um habito alimentar novo, juntando as tentativas que falharam, mas é importante entender que a genética é um fator estrutural que representa até 20% dos fatos, os outros 80% é o estilo de vida.

               Existe uma diferença brutal entre “produtos alimentícios” que são os fastfoods e o que são “alimento” como os carboidratos que fornecem energia ao corpo e abastecem o sistema nervoso central. Proteínas que constroem e reparam os tecidos, participam de reações metabólicas e síntese de alguns hormônios. Gordura possui função vital, fundamental para a síntese de hormônios e produção e absorção de algumas vitaminas.

               Em caráter básico, não considerando a individualidade de cada leitor, um café da manhã deve conter: uma fonte de proteína como ovos, leite, iogurtes e queijos. Uma fonte de carboidrato como pães integrais, frutas e fibras (aveia). O ideal é procurar um nutricionista.

               Após se organizar com os aspectos nutricionais, o segundo passo é ativar o corpo através da atividade física, buscando proporcionar a melhora do sistema cardiorrespiratório composição corporal, melhora do sistema imunológico e o nosso principal objetivo, diminuição do estresse e ansiedade. Todos os benefícios somados até aqui refletem em uma melhor qualidade de vida. Lembrando que a atividade física é algo para se praticar diariamente até se tornar um hábito, combatendo todos os dias o sedentarismo que é um grande aliado das doenças psicológica como a depressão, ansiedade e o estresse.

               Para toda atividade física o início se dá com o alongamento e aquecimento antes dos exercícios. O ideal aqui é ter uma orientação profissional de um educador físico, ok?

               Agora para finalizar esta etapa intermediaria, contando que todas as orientações serão executadas na ordem que organizei neste material. Chegou o momento de ensinar algumas técnicas de relaxamento que será um grande aliado no dia a dia.

               A primeira técnica possui três passos, podendo ser utilizada como momentos de pausas no cotidiano para o corpo estabilizar.

               Primeiro passo: Em uma posição confortável, volte toda a sua atenção para o seu corpo e tudo aquilo que você está sentindo neste momento. Concentre-se nos pensamentos que ocorrem nesse momento. Observe esses eventos que ocorrem em você, com atenção e permita que ocorram naturalmente, apenas se observe.

               Segundo passo: Foque em sua respiração, perceba o movimento do seu corpo enquanto você respira e se mantenha observando por alguns minutos e após esse tempo, comece a respirar mais profundamente, expirando lentamente. Mantenha-se assim por alguns bons minutos.

               Terceiro passo: Agora que seu corpo estabilizou, mantenha sua respiração profunda e foque novamente em seus sentimentos e tudo o que você está sentindo nesse momento, concentra-se também nos estímulos do ambiente, acompanhe seus pensamentos. Mantenha-se assim por alguns minutos e retome suas atividades cotidianas.

               Respeitável leitor, agradeço por ter acompanhado em leitura o texto que fiz especialmente para você. Espero que as dicas básicas e intermediarias possam ajudá-lo no seu dia a dia.

               Caso os sintomas negativos e angústias permaneçam, procure por ajuda profissional.

Avalie esse artigo:

Comentários:

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments