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Família e Suicídio: Reflexões sobre Sobreviventes Enlutados

O luto por suicídio engloba várias dimensões e também implica sobre os seus familiares, causando sofrimento porque eles têm suas vidas marcadas por um evento doloroso e necessitam dar um significado a essa perda. É importante enfatizar, acerca desse luto, a necessidade de viabilizar o suporte psicológico a esses sobreviventes. Sabe-se que o suicídio possui notoriedade, devido ao seu impacto social e ao fato de ser uma das principais causas de morte em diversos países. 

Famílias enlutadas: caracterização

O luto é uma transição social significativa, cujo impacto se propaga por todas as áreas humanas: emocional, cognitiva, física, religiosa, familiar, social e cultural; e é considerado também uma transição, fruto da experiência dolorosa de ter um vínculo emocional rompido mediante a morte de alguém. Portanto, é um processo em que se faz necessário orientar ao enlutado alguns cuidados importantes, pois o luto é também uma experiência fortalecedora do ciclo vital e, como parte desse
processo, necessita ser expressado e vivenciado, mesmo que nele haja sentimentos difíceis de lidar, como profunda tristeza, ansiedade e revolta (ROCHA; LIMA, 2019)

Práticas de cuidados psicológicos com familiares enlutados

Quando se perde alguém por suicídio, sabe-se que a pessoa tirou a própria vida, o que pode trazer ao enlutado a necessidade de atribuir sentido ao ato e de justificar o sentido de sua vida. O impacto de estar enlutado, dessa maneira é tão significativo que ter se relacionado com alguém que se matou é um dos principais indicadores de risco futuro de suicídio, tamanha a gravidade da situação. Chama-se quem vive esse processo de luto de “sobrevivente”, seja amigo, colega ou familiar;
porém, o impacto de ser sobrevivente tem sido mais extensamente tratado no contexto
das famílias enlutadas por suicídio (ROCHA; LIMA, 2019).

A morte dos seus entes queridos para os sobreviventes de um suicídio apresenta mais frequentemente sentimentos de responsabilidade pela perda do que as pessoas que perderam alguém por causas naturais, além de sentirem mais vergonha e isolamento em comparação com os demais, especialmente quando se trata de pais que perderam seus filhos dessa forma. A culpa é um sentimento comum na maioria dos sobreviventes, pois os enlutados têm dificuldade para compreender que boa parte da culpa é imaginada, irreal. Acreditam, de maneira errônea, que
deveriam ter sido totalmente responsáveis pela vida do ente querido, controlando-a. Alguns enlutados referem sentimentos de desamparo e rejeição, como se pensassem que a pessoa se matou porque seu amor não foi suficiente para que ela permanecesse viva (SCAVACINI; CORNEJO; CESCON, 2019).  

O acompanhamento dos sobreviventes é de grande necessidade em decorrência dos elevados risco de suicídio entre os mesmos (NUNES, et al, 2016)

Considerações Finais

Alguns familiares conseguem viver o luto, mesmo prolongado, outros necessitam de cuidados especiais dos profissionais de saúde, pois podem ter problemas graves de saúde. É essencial identificar antecedentemente os indícios de risco, para implementar ações terapêuticas individuais, em programas ou espaços comunitários para os sobreviventes. Existem muitas alternativas de tratamentos, e é função do psicólogo conhecer e promover suporte no processo de sofrimento, a fim de atender pertinentemente o enlutado por suicídio, ofertando, em atitude acolhedora, suporte
emocional, evitando julgamentos ou críticas, a fim de promover um atendimento adequado e valorizar os fatores de proteção disponíveis ao indivíduo.

Existem muitas alternativas de tratamentos, e é função do psicólogo conhecer e promover suporte no processo de sofrimento, a fim de atender pertinentemente o enlutado por suicídio, ofertando, em atitude acolhedora, suporte emocional. É incumbência do psicólogo identificar o comportamento suicida em alguns níveis de atenção à saúde, prevenindo a antecipação do fim da vida, mas também garantindo uma melhoria do quadro familiar após um episódio de suicídio, incluindo ações de posvenção.

REFERÊNCIAS

NUNES, F. D. D. et al. O fenômeno do suicídio entre os familiares sobreviventes.
Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, Porto, n. 15, p. 17-22, jun.
2016. em: 20 out. 2019.

ROCHA, P. G.; LIMA, D. M. A. Suicídio: peculiaridades do luto das famílias
sobreviventes e a atuação do psicólogo. Psicol. clin., Rio de Janeiro, v. 31, n. 2, p.
323-344, mai./ago. 2019. Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/pdf/pc/v31n2/07.pdf>. Acesso em: 20 out. 2019

SCAVACINI, K.; CORNEJO, E. R.; CESCON, L. F. Grupo de Apoio aos Enlutados
pelo Suicídio: uma experiência de posvenção e suporte social. Revista M., Rio de
Janeiro, v. 4, n. 7, p. 201-214, jan./jun. 2019. 

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Julieta Dantas
4 meses atrás

Tema bastante relevante. Especialmente nos dias atuais, quando enfrentamos um aumento absurdo de casos de ansiedade, pânico e depressão, que podem levar o indivíduo ao ato desesperado do suicídio. Parabéns, Doutora.