Fui demitido(a). E agora_

Fui demitido(a). E agora?

Você estava trabalhando e, na sua opinião, vinha desempenhando um bom trabalho. Sua vida financeira dependia do seu salário, assim como você estava habituado(a) àquela rotina. De repente, você é desligado(a). E agora? Além disso, tem essa “tal de pandemia”, que provavelmente, você nunca viveu antes.

Sua vida mudou em segundos, por causa de uma decisão que não foi sua. Essa com certeza é uma situação difícil. Muitas vezes pode ser extremamente dolorosa e desencadear um quadro de depressão, ansiedade e até mesmo ideações suicidas.

Foi-se o tempo em que falávamos e agíamos de acordo com aquele famoso jargão “é preciso separar a vida pessoal da vida profissional”. Somos seres humanos, integrais, onde o trabalho, os nossos relacionamentos, o nosso dia-a-dia, estão entrelaçados, afinal, é a mesma pessoa que experiencia tudo isso. Uma demissão pode ter consequências emocionais significativas e afetar outras esferas da vida, podendo, inclusive, alterar a percepção sobre si mesmo.

O ingrato pacote da demissão

Em algumas organizações onde a cultura organizacional é saudável e madura, os processos de demissão costumam ser mais transparentes, pois geralmente ocorrem longas conversas e feedbacks entre líder e liderado, fazendo com que o processo de demissão seja praticamente de comum acordo. Não há surpresas, o que permite que você já tenha uma melhor preparação mental para este momento difícil. Contudo, infelizmente, um processo demissão transparente ainda é uma raridade no mercado brasileiro e, quando a demissão é acompanhada do elemento surpresa, lhe pegando totalmente desprevenido(a), pode ser um evento bem traumatizante.

Você se questiona onde errou, o que poderia ter feito diferente, se falou algo que desagradou, se alguém já sabia antes de você, se tudo poderia ter sido diferente. E, com esses pensamentos, você começa a trazer, inconscientemente, a culpa toda para si, sendo que o emprego é uma relação de trabalho, onde ambas as partes (empresa e colaborador), tem papel ativo. Não é uma relação unilateral.

Como consequência, você pode começar a se questionar se realmente gostaria de trabalhar naquela área, se tem vocação para as atividades que você vinha desenvolvendo ou, até mesmo, se você é bom(boa) naquilo que faz. Estes questionamentos podem inclusive gerar crises em outras áreas da vida como, no seu casamento, na relação com seus amigos, com seus filhos ou até mesmo afetar a sua saúde. Você entra num turbilhão de emoções e não consegue sair. Nem mesmo a ideia de um novo emprego lhe anima. Infelizmente, a demissão pode ser traumática e trazer junto com ela este tal pacote ingrato. Mas o que fazer?

Às vezes uma ajuda vale mais do que um novo emprego

Você conversa com os seus amigos, com os seus familiares e eles tentam ajudar, lhe animar, afirmando o quanto você é competente e que logo encontrará um novo trabalho. Contudo, você sente que eles não conseguem imaginar o que está passando ou sentindo e, apesar da boa vontade, isso não ameniza os seus sentimentos.

Pode até sentir que ainda não está pronto(a) para um novo emprego, pois precisa processar melhor tudo o que aconteceu e curar-se das feridas causadas. Realizando uma rápida analogia, é como um casamento ou um processo de luto. Você pode ter sentimentos de abandono, ingratidão, raiva, dentre outros e não quer se envolver em outro relacionamento tão cedo. Você sente que não está bem emocionalmente e que precisa de ajuda. É neste momento que o trabalho especializado de um psicólogo pode ser valioso.

Ressignificar é preciso

 

Na psicoterapia, você poderá ressignificar este momento doloroso tornando-se uma pessoa mais fortalecida, extraindo os melhores resultados. Inclusive, poderá se tornar um profissional mais completo, humano e, quem sabe, até ajudar as organizações a tornarem este processo mais transparente. Igualmente, você poderá sentir necessidade de redirecionar a sua carreira. Neste caso, o profissional da área de psicologia poderá lhe ajudar com um trabalho de reorientação/transição de carreira. Mesmo os profissionais mais experientes por vezes precisam de ajuda para este momento de transição. Lembre-se que, nenhuma experiência de vida é somente boa ou ruim. Os sentimentos se misturam e precisamos sempre aprender com eles. Invista em seu autoconhecimento e supere a sua demissão. Mais tarde, você poderá até mesmo agradecer o ocorrido e perceber o quanto você evoluiu com esta situação.

Bruna Mabília Lunardi

Psicóloga

CRP 01/13846

Avalie esse artigo:

Comentários:

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments