O meu sofrimento tem diagnóstico? Ou nome?

Quando vamos ao médico temos a certeza de que, se houver algo errado, o profissional vai seguir esses passos: investigação clínica, sintomas, possíveis exames, interpretação dos resultados, diagnóstico e tratamento.

Na saúde mental não vai ser diferente, mas também não vai ser exatamente igual a um protocolo médico clínico. Quando falamos de sofrimento mental, emocional, transtornos mentais ou saúde mental, trabalhamos com diferentes campos do conhecimento. Por isso que, às vezes, pode ser tão complexo explicar como a psicologia trabalha.

A Psicologia investiga o sofrimento psíquico em várias vertentes e desenvolve protocolos de tratamento, teses e estratégias para o enfrentamento das diferentes formas de expressão das dores emocionais.
Mas o que você quer saber mesmo é: Ter um diagnóstico ou não? Vai depender de cada caso.

Quando uma pessoa chega à psicóloga e conta o que a leva à psicoterapia, a profissional levará em conta diversos fatores: o histórico de saúde; se chegou ali encaminhada de uma profissional médica já com diagnostico ou não; estilo de vida; circunstâncias ambientais: situação econômica, violências, relações interpessoais, profissão e etc. Neste artigo proponho uma separação em dois tipos de diagnóstico. É uma forma de explicar didaticamente como funciona na prática.

Após uma análise sobre as demandas que o cliente trouxe, estilo de vida e circunstâncias da vida, a psicóloga irá juntamente com o cliente traçar um projeto terapêutico baseado numa hipótese diagnóstica, podendo ser um diagnóstico de saúde ou um diagnóstico do problema.

O que difere um diagnóstico de saúde ou do problema?
Diagnóstico de saúde são aquelas situações em que estamos sofrendo com nossas emoções por conta de condições de saúde. Pode ser em razão de uma doença não necessariamente mental, como por complicações hormonais, doenças autoimunes, neuronais, condições orgânicas do corpo que interferem diretamente no nosso estado de humor.

Existem também os transtornos mentais. Essas duas palavras pesam, certo? Ainda enfrentamos muito estigma relacionado às complicações da mente, mas estamos avançando e hoje já falamos muito mais do que há algumas décadas, incentivando as pessoas a buscarem a ajuda necessária. Os transtornos mentais são variados e os que mais ouvimos são a depressão, ansiedade generalizada, alimentares e esquizofrenia. Porém, há também dezenas de outros.

Para entender se alguém se enquadra nesses transtornos existem critérios diagnósticos que precisam ser seguidos, como identificação dos sintomas e tempo de duração. Todos estes critérios estão definidos em manuais usados no mundo inteiro, conhecidos como CID – 11 e DSM-V. São acordos que a comunidade acadêmica-cientifica faz após pesquisas para definir o que entendemos como transtornos mentais e assim os profissionais do mundo inteiro conseguem ter um idioma para essa conversa.

Estes manuais mudam conforme as pesquisas evoluem e novas descobertas acontecem. Nem todo mundo concorda 100% com estes manuais. Muitas questões são levantadas a respeito das condições sociais que deveriam ser consideradas. E isso é saudável para o progresso do conhecimento, faz parte da ciência: o debate, a dialética e os constantes questionamentos.

Chegamos então ao diagnóstico de problemas. Por vezes na vida estamos tristes, ansiosos ou emocionalmente problemáticos devido a circunstâncias ambientais. Crescemos compreendendo certas situações de forma disfuncional, acontecimentos inesperados e relacionamentos complicados.

A forma como lidamos com problemas na vida às vezes podem nos produzir ansiedade ou tristeza, mas foi a única forma com que aprendemos a lidar com a situação. Nesses casos, a psicoterapia busca ofertar diferentes aprendizagens para manejar as dificuldades em diversas perspectivas.
Além disso, a sociedade muda. Questões morais ou de valores estão em constante movimento e por vezes não vão ao encontro de como entendemos o jeito que a vida deveria ser. Isso também pode nos causar medos e preocupações. Na psicoterapia trabalhamos as formas adaptativas e novos repertórios de comportamento para que consigamos viver melhor em meio a tantas mudanças.


Outra questão em que a psicoterapia pode auxiliar é quanto a relacionamentos. As relações humanas não são estáveis. Os relacionamentos mudam, as pessoas mudam; pessoas entram e saem de nossas vidas o tempo inteiro. Isso pode nos pegar de supressa causando sofrimento. A psicóloga poderá lhe ajudar a entender as mudanças bruscas e recomeçar projetos de vida.

Então diagnóstico do problema é fazer uma análise da vida, identificar os fatores que causam o sofrimento e seguir com um plano de enfrentamento. Esses sofrimentos não necessariamente se categorizam como transtornos mentais.

No fim, sempre trabalhamos com um “diagnóstico”, seja situacional ou de saúde. O importante é não encarar o diagnóstico como uma sentença de vida. Isto serve para compreendermos melhor o problema e traçar um plano. As sentenças de vida é você que constrói para si mesmo e o mais importante é perseguir sentenças que te ajudam a viver melhor e causam satisfação existencial.

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