Pais são pessoas não heróis

Pais são pessoas e não heróis

O que todos esperam de seus pais é que eles sejam pessoas protetoras, que amem seus filhos incondicionalmente e façam de tudo pelo bem estar e felicidade deles.

Alguns veem os pais como super heróis, um herói sem capa. Aquele que será um amigo, um guia e conselheiro. O porto seguro nas horas ruins.

Todas estas expectativas são difíceis de serem alcançadas porque os pais são humanos e tem dificuldades como qualquer outra pessoa. Como seres humanos muitos são frágeis, tem problemas físicos e emocionais. Às vezes não conseguem estar à altura do que os filhos esperam deles. Porque espera-se demais dos pais.

As figuras de pai e mãe são idealizadas pelas propagandas.No imaginário das pessoas está o pai herói e a mãe heroína. A mãe santa. E como ficam os seus defeitos e problemas? Suas deficiências e fraquezas? Sua humanidade?

Alguns, com o amadurecimento, conseguem colocar a figuras de pai e mãe em sua verdadeira dimensão humana e entender que eles foram os melhores que puderam ser, frente as suas próprias limitações.

Algumas situações são muito mais sérias quando os pais são pessoas desequilibradas , com transtornos mentais e que, apesar disto, vivem uma vida aparentemente normal. O fato de aparentemente parecerem pessoas que estão bem, torna muito mais difícil para as pessoas a sua volta perceberem o quanto são transtornados e doentes. E os filhos ficam a mercê destes pais que não tem condição de responderem nem por eles, quanto mais por seus filhos que são totalmente dependentes deles, que necessitam de afeto, proteção, cuidados e apoio.

Algumas características destas pessoas são muito prejudiciais para seus filhos. Alguns são abusadores físicos, emocionais, verbais, sexuais. Há pessoas manipuladoras e que irão exercer este poder sobre os filhos. Para alguns nada do que seus filhos fazem está bom, são muito críticos. Há os autoritários que tiram dos filhos qualquer poder de decisão. Estas pessoas podem causar grandes danos e transtornos aos filhos.

 Dificilmente os filhos conseguem enxergar que há algum problema com seus pais. Eles crescem com a crença que não são merecedores de amor, são inadequados, inúteis, tem baixa auto-estima. São pessoas que sentem-se insuficientes por mais que se realizem na vida. Eles tem a sensação que há algo de errado com eles porque não são amados por aquelas pessoas que deveriam amá-los acima de todas as coisas.

É muito difícil em uma terapia a pessoa conseguir falar dos seus pais sem culpa. É difícil colocá-los no lugar de seres humanos, com defeitos, dificuldades, perturbações mentais. No caso de pais seriamente perturbados, é difícil enxergá-los como pessoas emocionalmente desequilibradas e sem condições nenhuma de cuidar de outra pessoa.

Julgar os pais não é fácil porque há em volta deles uma aura de sagrado, de que eles sempre sabem o que é melhor para os filhos. Questionar suas atitudes geram culpas.

Muitos filhos destes pais acreditam que eles são o problema. Se os pais os tratam daquela forma é porque eles não são dignos do amor, não são bons o suficiente. Alguns filhos passam a vida tentando agradá-los , satisfazê-los, porque afinal acreditam que o problema são eles. Se a crença generalizada é que todo pai ama seu filho, se ele não é amado é porque deve ser uma pessoa muito ruim sem qualquer valor.

Para entender, superar, cicatrizar feridas os filhos tem que olhar os pais não de forma idealizada, sagrada, mas o que realmente são, seres humanos. Pessoas que, por causa de suas dificuldades pessoais, seus transtornos mentais, não tinha condição nenhuma de ser responsável por ninguém, muito menos por filhos que necessitam de muito suporte durante seu crescimento. Entender isto às vezes apazigua a dor de não ter sido amado, respeitado, apoiado.

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