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Pense Magro: como modificar a relação do indivíduo com a comida

Pense Magro é um método psicológico construído sob os princípios da Psicoterapia Comportamental Cognitiva. Tem como objetivo modificar a relação do indivíduo com a comida, relação bastante problemática demonstrada pelas estatísticas mais recentes do Ministério da Saúde, publicadas em abril deste ano.

Estas demonstram um aumento da obesidade de 60% nos últimos dez anos. Uma em cada cinco pessoas no Brasil está acima do peso. E por que será que esta relação é tão problemática? Como predominantemente todo comportamento humano, o ato de alimentar-se é motivado pela sensação e não pela razão. Em outras palavras, a pessoa normalmente “escolhe” comer apenas o que sente como prazeroso, saboroso ⸺ doces, lanches, pizzas, refrigerantes ⸺ e não necessariamente o que é saudável ⸺ frutas, legumes, sucos naturais.

Esta modalidade de psicoterapia pressupõe que o pensamento reflete diretamente nos sentimentos, e vice-versa, e mobiliza o comportamento.

Esta interligação é de fácil demonstração experimental, se alguém neste momento pensar num momento muito feliz que viveu, vai sentir alegria, êxtase e o seu comportamento será de sorrir ou suspirar, por exemplo, todos os três: pensamento, sentimento e comportamento coerentes. Este é o foco da intervenção psicológica do Pense Magro.
Pense em alguém que está assistindo televisão e sente fome, a sensação desprazerosa mobiliza um pensamento: “está muito frio, vou assar pão de queijo e para aproveitar o forno vou assar um bolo e uma torta”, e este pensamento produz o comportamento. Prepara todos estes pratos e os consome.

Analise que o pensamento mobilizado pela sensação de fome não é um pensamento magro, é uma racionalização ⸺ tentar tornar racional o que não é ⸺ na verdade, este pensamento é apenas uma justificativa para manter a comilança e não uma preocupação com a economia do gás de cozinha.

Estes pensamentos são considerados sabotadores ou gordos porque apenas justificam irracionalmente o excesso de comida. Eles são muito frequentes no modo de pensar das pessoas. Cada um tem os seus, alguns são mais comuns:

  • “Tive um dia tão difícil, mereço comer o que quiser”
  • “É uma ocasião especial, então não faz mal exagerar”
  • “Não é tão calórico”
  • “Fazer dieta é muito difícil”
  • “Mais tarde eu compenso o que comi agora”
  • “Se eu não comer, vai para o lixo”
  • “Vou comer porque é de graça”
  • “Ninguém vai saber”
  • “Eu mereço comer este chocolate”
  • “Preciso fazer valer este rodízio de pizzas”

A sistemática relação entre pensamento, sentimento e comportamento permite intervir em qualquer um deles para que se obtenha algum grau de mudança sobre o comportamento alimentar. Neste método, além da análise e modificação das cognições, também se prioriza mudanças no modo de organizar o ambiente, a cozinha.
A exibição dos alimentos deve ser feita de modo mais inteligente e afinada com o objetivo de estabelecer uma relação saudável com a comida.

Os alimentos mais calóricos devem ficar mais escondidos e os mais saudáveis como frutas, totalmente à vista. Se existe um pudim de leite condensado na geladeira, por exemplo, ele deve ficar nas últimas prateleiras, caso contrário, toda vez que alguém abrir a geladeira para tomar água vai se lembrar do pudim e comer um pedaço.

Utensílios grandes como pratos, panelas, colheres, xícaras e copos incentivam as pessoas servirem-se de quantidades mais exageradas. Imagine alguém com uma xícara grande de café com leite, o que normalmente acontece? Ela come um pãozinho inteiro e ainda sobra café com leite no copo, logo, ela vai comer mais pão.

Sentar-se para comer qualquer coisa é essencial para que a pessoa tenha consciência da quantia de calorias que ingere. Caso contrário, não percebe que experimenta alimentos enquanto cozinha, consome pedaços de comida enquanto tira a mesa, prova as degustações de queijo oferecidas na padaria, etc.

O Pense Magro é um trabalho muito mais extenso, entretanto, os aspectos citados significam apenas uma amostra das possibilidades de intervenção que favorecem a modificação dos pensamentos e comportamentos para a aquisição de uma relação saudável com a comida favorecendo o peso saudável. Toda proposta psicológica desenvolvida com seriedade procura ajudar o indivíduo a se responsabilizar e se comprometer com as mudanças desejadas, neste caso, emagrecer, numa postura ativa, e não apenas esperar ser emagrecido.

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