prevenção ao suicídio

Prevenção ao Suicídio: como eu posso ajudar alguém?

Quando você tem uma enxaqueca, geralmente vai ao médico em busca de um tratamento. Ele te examina, receita alguns medicamentos e te orienta em relação ao tratamento. Você volta para casa, toma o remédio e segue as orientações e certos cuidados para que possa melhorar e ficar bem.

A depressão, ansiedade, bipolaridade e muitos outros transtornos mentais são também doenças e, assim como qualquer doença física, precisa de tratamento e acompanhamento. Da mesma forma que uma pessoa pode apresentar dor de cabeça como um dos sintomas da enxaqueca, o suicídio também como ser um dos sintomas de alguma doença mental.

Portanto, é preciso tratamento e acompanhamento. E falar sobre isso é não negligenciar um assunto tão importante e que requer uma atenção especial.

Falando sobre o Tema…

O suicídio e a morte são temas muito abordados em filmes, livros, religiões e músicas. Estes assuntos geralmente são acompanhados de reflexões sobre as dificuldades que enfrentamos na vida e nossa convivência em sociedade.

É provável que você já tenha ouvido falar sobre alguém que tentou ou cometeu de fato um suicídio. Se não conhece alguém tão próximo, já soube de alguma personalidade famosa que tirou a própria vida. E não tão longe: muito se falou sobre o conhecido e perigoso jogo chamado Baleia Azul que tanto foi divulgado pela mídia para alertar as pessoas sobre a importância de se olhar os jovens que entraram nos grupos para se sujeitarem aos desafios sugeridos.

No Brasil, as mortes por suicídio vem aumentando de forma considerável passando a ocupar o posto de uma das principais causas de morte no país. Para se ter ideia, ela é a quarta causa mais comum de morte entre os jovens.

No texto “Falar sobre Suicídio é acabar com o tabu e focar em VIDA”, foi mencionado as estatísticas no mundo e as principais razões que levam uma pessoa a cometer o suicídio, colocando a grande importância sobre um tão assunto relevante na nossa sociedade.

Infelizmente este tema ainda é envolvido por uma série de tabus. Como o suicídio não é aceito socialmente, as pessoas tem grande dificuldade em falar sobre este assunto seja por ignorância, preconceito ou estigma.

E quem sofre com isso, muitas vezes, sofre de forma silenciosa, com grande dificuldade em se abrir e falar sobre a sua dor emocional e o todo o sofrimento envolvido com ela.

O que leva uma pessoa à cometer o Suicídio?

Não existe um único fator: há diversas razões que fazem com que a pessoa pense em tirar a própria vida. O fato é que essas pessoas estão passando por uma dor emocional e um sofrimento tão grande que o desejo de interrompê-la se torna maior do que sentir qualquer dor física.

Grande parte dos casos já tentaram buscar ajuda. Parte deles tentaram ser ouvidas, mas não tiveram sucesso ou foram acolhidos no seu momento de dor.

Como já foi dito neste texto, o suicídio está intimamente relacionado com outros transtornos mentais tais como a depressão, o alcoolismo, transtorno bipolar, transtorno de ansiedade entre outros.

O que podemos fazer?

Estamos passando por um momento social em que parece ser muito difícil falar sobre as próprias fragilidades. Não podemos errar, fracassar, ficar tristes ou “sofrer demais”. Ainda mais em um mundo onde as redes sociais ganharam força com um número crescente e expressivo de pessoas que procuram estabelecer relações interpessoais das mais diversas naturezas! O que deveria ser um ambiente saudável de trocas afetivas, profissionais, familiares e de aprendizado vem se tornando um lugar de trocas superficiais e pouco profundas. Para a maioria dessas pessoas, o importante é passar sempre uma imagem bem sucedida e sem fragilidades.

Diante de um mundo em que a felicidade – real ou não – tenha que prevalecer a qualquer custo, parece não haver espaço para a tristeza.

Quando alguém fala sobre os próprios problemas é comum não sabermos o que fazer. Lidar com a dor do outro nos remete às nossas próprias dores e nem sempre estamos saudáveis o suficiente para não nos envolvermos de forma negativa na dor do outro. Geralmente trazemos soluções prontas para que o outro aplique e damos conselhos do tipo: “Não fique assim que é pior” ou “Como você se deixa abater desse jeito?”.

Comparações causam um grande dano ao bem estar físico e emocional do outro. Evite-as. O importante lembrar é que sofrimento não se compara.

O primeiro passo é não banalizar o sofrimento do outro. Cada um de nós tem uma carga genética diferente e uma história de vida única e muito singular.

O maior mito é acreditar que a pessoa busca “chamar a atenção”. O fato é que essas pessoas estão passando por uma dor emocional e um sofrimento tão grande que o desejo de interrompê-la se torna maior do que sentir qualquer dor física. Elas não gostariam de morrer, mas enxergam a amorte como única saída para estancar o sofrimento.

Veja algumas dicas que podem ajudar:

Escute o outro: doe um pouco do seu tempo

Por mais que estejamos sempre atarefados e com muitos afazeres, correndo de um lado para o outro, sabemos que o nosso tempo é sempre “precioso”. Porém, se alguém te procura para pedir ajuda, comentando sobre algo pessoal, para falar sobre algo que não vai tão bem na vida dela, essa pessoa confia em você e está te pedindo ajuda.

Fique atento aos seus próprios gestos enquanto estiver ouvindo o outro: não olhe o celular ou o relógio a toda a hora. Se você estiver ali, mas atento à outros estímulos, ela vai perceber a sua ausência e isso só vai contribuir para o seu sofrimento ao invés de amenizá-lo.

O ouvir atentamente pode ser terapêutico por si só. Isso pode fazer uma grande diferença na vida dela.

Deixe que fale livremente, sem julgamentos ou comparações

Um exercício muito difícil para todos nós, seres humanos, é ouvir sem julgar o outro. Cada um tem uma história de vida diferente e, portanto, sofrimentos diferentes. As comparações são sempre muito ruins para o indivíduo. Sofrimento não se compara, mas se acolhe e escuta.

Falar da dor emocional pode ser um processo muito doloroso e é preciso um bom período de tempo para escutar o outro. Quando alguém te procurar e realmente não puder ouvi-lo, marque um outro momento, mas não demore pois poderá ser tarde demais. Esteja disponível para ela!

A comparação é o pior passo para garantir que a pessoa que te procura ajuda seja realmente ouvida.

Cada um tem uma história de vida diferente e, portanto, sofrimentos diferentes. As comparações são sempre muito ruins para o indivíduo. Sofrimento não se compara, mas se acolhe e escuta.

Não ofereça soluções prontas

Nem sempre as pessoas que buscam ajuda querem receber uma solução para o seus problemas. Muitas vezes, elas buscam ser ouvidas. Trazer soluções prontas nem sempre irão servir já que muitas vezes as soluções vem carregadas de julgamentos e preconceitos.

Quem está no nível de tirar a própria vida precisa antes de tudo ser ouvida e acolhida para que possa desabafar e se sentir acolhida e compreendida.

Com a ajuda profissional necessária, mais tarde ela saberá lidar de forma autêntica o que realmente está sentido e ganhar forças para poder lidar com o que está lhe fazendo sofrer.

Ofereça ajuda profissional e certifique-se que ela realmente buscou

Você pode sugerir que a pessoa busque ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra que são profissionais preparados para promover a saúde em um sentido mais amplo. Importante ressaltar que para esses casos o atendimento online com psicólogo não poderá ser oferecido, conforme orientação do Conselho Federal de Psicologia.

Indique também o Centro de Valorização da Vida (CVV) que oferece atendimento por telefone e online. Eles são especializados em casos de suicídio. As pessoas que trabalham neste centro são treinadas e hoje o CVV tornou-se referência para esses momentos de crise no Brasil.

Referências:

WHO – World Health Organization. The World Health Report 2003: Shaping the future. Geneve. 2003. Disponível em http://www.who.int/whr/2003/media_centre/en/. Acesso em 07/09/2018.

Brasil. Ministério da Saúde. Agenda Estratégica de Prevenção do Suicídio: sistema de informação de mortalidade. 2017. Disponível em http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/Coletiva-suicidio-21-09.pdf. Acesso em 07/09/2018.

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