Rede Social e Saúde Mental

Este artigo é um resumo sobre o Podcast (de título homônimo) do canal “Universo Generalista” que discuto sobre rede social e saúde mental.  Você pode acessar o conteúdo completo via Spotify gratuitamente.

Atualmente, e desde o surgimento das redes sociais, vivemos uma realidade onde a velocidade da informação, a facilidade do manuseio/manipulação destas e a forma como padrões (de beleza, de felicidade, de moral, etc) são rápida e amplamente estabelecidos, reduzem o nosso pensar e a nossa capacidade de lidar e articular conflitos internos.

Conflitos não faltam, no entanto, como fica o – lidar – quando a regra é a felicidade absoluta, a não frustração, a gratidão por absolutamente tudo, a inexistência da “falta”? E o que buscar quando não há falta?

Vamos pegar aqui os exemplos dos aplicativos de relacionamento, onde a paquera ocorre a partir de um “match”, ou seja, se não há a garantia de que o outro gosta do meu “perfil” (baseado em fotos e dizeres muitas vezes parafraseados) eu não irei aborda-l(a)o, ou seja, eu não corro risco de frustração, de “levar um fora” como acontece em um flerte frente a frente, esse exemplo é apenas um entre os milhares de aplicativos à serviço da  garantia da realização absoluta.

Mas qual a falta que a falta faz? Qual o propósito da frustração? A resposta é uma só, movimento, movimento de vida em direção às suas próprias representações e não apenas ao que lhe é dado como ideal, movimento em direção ao seu EU, sua vida, e não apenas a sua sobrevivência.

“A grama do vizinho é sempre mais verde” este é um ditado antigo e muito valioso, acontece que hoje podemos ter a grama do vizinho, e facilmente… apenas montando um “ideal virtual de mim mesmo”, até porque a grama dele também é uma montagem, não é real.

Sobra então a busca pelo mais perfeito do que o perfeito, a completude absoluta, o amor incondicional e imortal, a abolição do desejo não realizável, ou seja, sobra um ideal impossível, sob o oco do que não foi constituído pela falta, e então vemos os sintomas: a depressão, o pânico, a ansiedade, as fobias, e etc.

A busca pelo atendimento Psicológico é sempre uma busca de si mesmo, não um ideal de si mesmo, mas o viver si mesmo, apesar das faltas, em busca das conquistas e sempre em movimento. Todo ser humano é uma rede de significados únicos e resgatáveis, que sempre deixam seu caminho para um dialogo interno mais saudável.

De forma prática e objetiva, tente observar o quanto se coloca para o mundo através de redes sociais e da ótica dos padrões ideais, preste atenção nisso e busque ajuda profissional quando necessário.

Contardo Calligaris, célebre Psicanalista coloca sabiamente sobre os dias de hoje: “A modernidade é a era em que nossa existência social depende do olhar dos outros: somos quem conseguimos fazer que os outros acreditem que somos”.

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