nova era

Como lidar com o pessimismo da nova era

Vivemos em uma era em que as coisas são “muito Black Mirror” e onde as redes sociais computam os lugares que vamos, sugerem amizades e estão o tempo todo interferindo indireta ou diretamente em escolhas de nossas vidas. Essa mesma. Era em que vivemos também é marcada por um enorme desencontro de informações, notícias falsas e muitas, muitas tragédias acontecendo 24 horas por dia ao redor do mundo e chegando instantaneamente em nossos celulares. Uma quantidade tão massiva de catástrofes que nos faz refletir: na “não tem mais jeito, o mundo acabou! Ou está próximo de acabar”.

Mas o mundo não acabou e provavelmente não acabará tão cedo. E quando digo “o mundo”, falo tanto do planeta quanto da civilização. O pessimismo que temos em relação ao que somos no aqui-agora, talvez tenha sido uma característica pós-iluminista que carregaremos para sempre como civilização. Primeiramente porque, agora, de forma geral não há mais a visão da Terra como uma estadia passageira com o futuro em uma existência melhor. Em segundo lugar, porque o acesso às informações sobre as situações que acontecem no mais remoto local do planeta é instantâneo.

O surto informacional é uma característica daquilo que algumas pessoas chamam de quarta revolução industrial, ou revolução da informação. Ainda não aprendemos a lidar com a quantidade gigantesca de dados que criamos online, a humanidade teve uma significativa mudança desde o advento e popularização da internet e dos meios de comunicação em massa. E é claro que a “evolução tecnológica” foi acompanhada de grandes eventos e de muita, mas muita catástrofe ao redor do mundo.

Produzimos a cada ano o dobro de informações do que toda a história até o ano anterior, estamos vivenciando crises concatenadas a outras crises em todo o globo e essas, agregam cada vez mais o cotidiano através de reportagens, postagens, etc, que fazem com que o futuro seja cada vez mais incerto e aterrorizador.

Mas isso não significa necessariamente que o “mundo irá acabar” ou que a civilização não sobreviverá a tais acontecimentos. Significa apenas imaturidade. Imaturidade para conseguirmos filtrar os acontecimentos de forma crítica, sabendo até onde vai o nosso poder de mudança. Imaturidade para não cair na completa alienação sobre a vida e sobre o que é o mundo e porque estamos nessa determinada situação nesse momento histórico em que vivemos. Estamos em uma crise civilizacional, sim. Mas não foi a primeira e não será a última. E sempre que pensar que estamos no auge da civilização humana e não tem definitivamente mais nada para acontecer a não ser o fim do mundo, é interessante refletir que a idade contemporânea, da qual fazemos parte, começou na revolução francesa e tem menos de 250 anos, o equivalente a menos de 6% da história do Egito antigo. Ainda temos muita história pela frente.

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