Relacionamento com os adolescentes na quarentena

Relacionamento com os adolescentes na quarentena

Muito se fala sobre a dificuldade de manter as crianças em casa em tempos de isolamento, mas e os adolescentes? Uma das fases mais importantes de nossas vidas, quando o jovem prefere estar mais fora que dentro de casa, e por conta da quarentena se vê obrigado a não sair mais. Vamos entender as potencialidades do momento para os adolescentes em quarentena?

Como ajudar o relacionamento das famílias com filhos adolescentes em tempos de quarentena?

A fase da adolescência se caracteriza pelo distanciamento parental, é uma fase em que naturalmente aquele jovem está buscando, entre outras coisas, a sua autonomia, seu próprio meio de tomar decisões. Significa que aquela relação de filho que ouve os pais não existe mais, pelo menos por um tempo. E significa que a palavra e a presença dos amigos têm uma importância maior do que a dos pais.

Enquanto isso, os pais que estavam acostumados com aquela relação “eu te digo o que fazer e como fazer”, sentem-se mal diante de reações agressivas, olhinhos virados, distanciamento e desobediências.

A psicóloga Vera Iaconelli, autora do livro “Criar Filhos no Século XXI”, define muito bem esta fase: “O que o adolescente mais deseja é ser tratado como adulto, sem ter que agir como um. O que os pais mais querem é que o adolescente aja como adulto, sem perder a influência sobre ele”.

Entendendo o relacionamento com os adolescentes

A relação fica numa sintonia diferente. Enquanto o jovem encontra-se num processo de mudança e busca de um novo rumo, os pais cobram explicações para aqueles comportamentos novos e buscam um jeito de tudo voltar a ser como antes. Aí… tudo se complica.

Qualquer relacionamento pressupõe um entendimento entre as partes. No caso de pais e filhos, não é diferente. Para a relação fluir, ambos os lados devem entender e apoiar tanto a condição atual como o tempo de compreensão um do outro. Ou seja, os pais reconhecerem a fase de mudança dos filhos e os filhos entenderem que os pais precisam de tempo para se adaptarem e aceitarem as novas condições.

Nesta relação deve prevalecer o respeito e o amor. Este será o denominador comum da fração, os elementos de integração que deverão nortear qualquer conversa ou discussão.

Os pais vão mudar junto com o adolescente, enxergar que esta fase é normal e significa uma evolução para ambos. Vão dar espaço ao jovem, mas ao mesmo tempo, observar de longe para amparar caso algo dê errado no caminho. Isto é respeito e amor.

Assim como, para o adolescente, deve ficar claro que ele é compreendido e que a família o apoia nesta fase de descobertas, mas há regras e limites que devem ser respeitados. Estes limites e regras precisam estar claros para todos – um motivo a menos para brigas!

Lidando com os conflitos na quarentena

Conflitos vão ocorrer, mas com respeito e amor a conversa sempre pode enveredar para uma calma. Há combinados, há acertos e limites DE AMBAS AS PARTES e estes devem estar bem claros.

Na quarentena as demandas sociais estão menores, pode ser que este fato aproxime o jovem da família, mas os pais devem ficar atentos para não cobrar dos filhos um comportamento infantil. Pais, cuidado: sem pressão!

Também é preciso respeitar o espaço e a privacidade de cada um, sabendo até onde ir para um não invadir a intimidade do outro.

Aproveitando a quarentena para se conectar com os adolescentes

É um momento ótimo para pausas e conversas em família, tempo de falar sobre escolhas e autonomia. Importante que os pais mostrem que o jovem tem seu apoio e respeito para que ele se sinta acolhido. Assim, ele sabe que tem liberdade para fazer suas próprias descobertas e ao mesmo tempo ter a segurança de uma família que o está amparando.

Também é uma boa oportunidade para troca de experiências, onde os pais podem aprender novas práticas com os filhos (como, por exemplo, habilidades virtuais) e os filhos aprenderem com os pais, entre outras coisas: que não devemos nos submeter à vontade do outro e quem ama respeita.

Afinal, nesta fase os adolescentes iniciam a vida amorosa e sexual. Abordando estes assuntos de forma sutil e estabelecendo uma relação de troca, não de aula, a adesão por parte do jovem será muito maior.

Se bem aproveitada, esta fase de quarentena pode apresentar-se como uma grande ajuda no processo de transição da infância para adolescência e servir para que os pais possam se adaptar a esta transição com um olhar mais próximo.

Um adolescente mais fortalecido nesta transição, com uma família mais estável e feliz, tem muito mais chances de se tornar um adulto mais estruturado e equilibrado. Este deve ser o objetivo dos pais na criação dos filhos: visar um crescimento saudável tanto físico quanto mental.

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