Saí do Brasil

Saí do Brasil, e agora?

Saí do Brasil! Você planejou tudo, escolheu o país, estudou sobre ele, sua família te apoiou, você está amando a experiência apesar de alguns perrengues, mas parece que o seu emocional não acompanhou muito bem toda essa mudança?

A gente precisa conversar…

Talvez tenha sido para estudar um novo idioma ou em busca de oportunidades de trabalho, reconstruir a vida, conhecer novas culturas, desafio pessoal, talvez foi em busca de autoconhecimento ou movido pela aventura e em busca de realizar sonhos… O fato é que você partiu em busca de algo totalmente novo e apesar de tudo (ou quase tudo) ser incrível, tem hora que você percebe que algumas coisas aí dentro de você parecem não acompanhar na mesma velocidade todas essas mudanças.

São inúmeros sentimentos e sensações relacionados ao processo de mudança de país. Inicialmente aparecem os primeiros impulsos para a mudança, uma mistura de insatisfação com o estilo de vida atual, idealizações, expectativas e muita motivação para sair da atual zona de conforto. Sentimentos também de insegurança e ansiedade diante do novo, incertezas se a escolha será ou não bem sucedida, enfim, um misto de emoções.

O fato é que independentemente da sua situação, sendo intercambista ou indo embora a trabalho, começar uma vida nova em outro país envolve sentimentos, dilemas, dúvidas e descobertas ao longo da experiência. E geralmente a gente se preocupa muito em aprender sobre o país, encontrar lugar para ficar, aprender o idioma e acaba se lembrando muito pouco (ou nem lembrando) do preparo emocional. E quando chega a dificuldade de adaptação, saudade, carência, desânimo… como é que faz?

Calma, calminha… não é para desistir! Pelo contrário! É para se preparar! Estamos aqui para conversar e tornar a sua experiência a melhor possível!

Decisão tomada? A fase do planejamento

Nesta fase você acaba se envolvendo com as questões mais burocráticas e pontuais que precisam ser acertadas, como a organização das finanças, comprar as passagens, definir o tempo da viagem, talvez pedir licença ou sair do emprego atual, vai também pesquisar tudo sobre o local onde irá morar (aluguéis, empregos, cultura, clima, custo de vida), buscar informações sobre curso de idiomas, comprar as malas, separar as roupas que vai levar, os documentos e vistos necessários.

Nessa primeira fase já observamos algumas questões emocionais, como o medo e a insegurança por estar arriscando algo novo, o estresse de deixar tudo resolvido antes da partida, a ansiedade pela chegada do grande dia, a tristeza e aperto no coração pela despedida dos amigos e da família. É uma mistura de sensações, de alegria e entusiasmo, de apreensão e saudade antecipada. O momento do embarque é um grande marco, definindo limites entre o que você foi e o que você será dali pra frente, inevitavelmente, transformado.

Só alegria: Lua-de-Mel

O grande dia chegou. O dia da mudança de vida!

Então você já se despediu da família e dos amigos, pegou suas malas e embarcou para o desconhecido. É normal sentir uma empolgação e ansiedade enorme de estar realizando um sonho. Comum também sentir pressa para ver as coisas começarem a acontecer, mesmo com medo e incertezas. Ao chegar à cidade que tanto pesquisou, você praticamente já conhece os caminhos a serem feitos, as comidas típicas, os parques para visitar, mas estar ali de fato traz aquela sensação de borboletas no estômago. O primeiro sentimento é de fascinação, de encantamento pelo mundo novo. Uma nova língua e cultura, lugares para visitar, apartamento novo para se adaptar, pessoas para conhecer, imprevistos para lidar, comidas diferentes para experimentar. Por algumas semanas ou meses é natural sentir uma mistura de alegria e excitação, preocupação e ansiedade, deslumbramento e animação.

Quando você acaba de chegar à cidade nova é super comum passar por essa fase de lua-de-mel, uma sensação de satisfação, de que a decisão tomada valeu a pena. Mas com o passar dos dias a sua inteligência emocional é colocada à prova, te cobrando soluções e posturas para lidar com a cultura local, as regras sociais, novos costumes, novas amizades, trabalho, entre tantas outras novidades. Dependendo da sua situação, pode ser ainda que você tenha que lidar com mais momentos de solidão, com a frustração e a incerteza, ou até mesmo conviver com mais pessoas do que estava acostumado. E aos poucos todo aquele encantamento inicial pode ir dando lugar a questões mais práticas da rotina comum de qualquer cidade e você começa a perceber alguns pontos negativos e a sentir-se menos empolgado. Assim começa a fase do “choque cultural” e podem surgir os sentimentos de melancolia, saudade, carência, arrependimento e não pertencimento.

Choque Cultural

Os desafios vão aparecer e testar a sua paciência e resiliência. Nesse momento, você precisa estar preparado emocionalmente para seguir tomando as decisões necessárias e assumindo as suas responsabilidades, lidando de forma saudável e funcional com sentimentos que talvez sejam novos para você. Lidar com imprevistos, não ter familiares e amigos próximos, talvez uma vida mais simples e com menos conforto e ficar sozinho em muitos momentos pode desencadear emoções que precisam da sua atenção para não se tornarem um problema maior a longo prazo.

Ter um acompanhamento psicológico, antes e durante esse processo de mudança pode ajudar a se conhecer melhor, ficar mais seguro para enfrentar as dificuldades e entender que as fases difíceis inevitavelmente surgirão, mas se aproveitadas como aprendizado e experiência, irão te fortalecer. Um profissional nesse momento vai te ajudar a perceber suas capacidades para lidar com todas essas mudanças ao seu redor. Ter com quem conversar sobre as suas dificuldades, estar aberto para novas vivências, ter flexibilidade para aceitar a nova cultura, participar de atividades que os habitantes locais fazem, controlar as expectativas e ser paciente é importante para uma adaptação mais tranquila à nova cidade.

E daqui a pouco chega a hora de voltar para casa. Seja depois de alguns meses de intercâmbio, após anos de estadia no exterior ou apenas porque você quer fazer uma visita à terra natal durante as férias. Quais sentimentos vêm à tona?

O retorno e a Síndrome do regresso 

O retorno, dependendo de como foi aquele momento de partida lá atrás, pode ser até mais difícil, porque você irá chegar a um lugar que já conhecia, sem muitas novidades e terá que lidar novamente com questões que haviam ficado para trás. Nessa fase podem surgir a tristeza, a desmotivação, o tédio, a irritação e o luto por estar voltando ao passado, uma vez que você terá que lidar com situações limitantes, pois nem todos acompanharam as suas mudanças e talvez os problemas anteriores ainda estejam ali. Esses sintomas compreendem o que chamamos de síndrome do regresso. É uma sensação de ser um estranho no ninho. Surgem questionamentos, arrependimentos e um sentimento de estranhamento no início.

Nessa fase é importante manter contato com as pessoas que você conheceu e que foram importantes para você enquanto morou fora, isso ajuda a sentir-se compreendido e mais perto dos momentos especiais que viveu. Preserve o seu espaço, tenha momentos para ficar sozinho e cultive atividades que gosta de fazer, pois isso também é essencial nessa fase de readaptação. Lembrar dos momentos difíceis e dos aspectos negativos da sua experiência fora, assim como da saudade que sentia dos amigos e familiares quando estava longe, também pode te ajudar a relativizar um pouco esse retorno às origens para que fique menos conflituoso e mais leve.

Em todas as etapas, o acompanhamento de um psicólogo pode tornar a experiência mais tranquila, te ajudando a ressignificar as experiências, compreendendo de forma mais funcional seus sentimentos, emoções e comportamentos diante das situações.

E como você estará em grande parte do tempo em outro país e talvez ainda não domine com fluência a língua local, pode contar com a orientação psicológica online e conversar com um psicólogo brasileiro, mantendo o acompanhamento com o mesmo psicólogo em todo o processo, se assim desejar. Você só precisa ter acesso à internet. Legal, não é mesmo? Você não precisa passar por tudo isso sozinho e a sua experiência de morar fora não precisa ser sofrida emocionalmente. Conta com a gente!

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