Saúde mental materna e a preparação para o parto

Saúde Mental Materna e a preparação para o parto

A mulher, quando gestante, passa por diversas mudanças fisiológicas, hormonais e alterações de humor. Desde o descobrimento da gravidez, o parto e até o pós-parto, se faz ideal uma rede de apoio que a respeite e forneça uma gama de informações em relação a essa nova etapa de sua vida. Esse poder que é compartilhado com ela, através de informações, garante a mulher uma posição autônoma.

Confiança, escolha, respeito, são essenciais nesse momento, pois promove uma autonomia que pode blindar a gestante de todo e qualquer sentimento de impotência, medo, vergonha e tensão que venha sentir. É muito comum chegar até a mulher gestante histórias desafiadoras, conversas desmotivadoras, que podem fazer com que ela acabe desacreditando do seu potencial. Sobre isso, é importante lembrar que cada experiência é única.

Ansiedade na gravidez

Por mais que, frequentemente, remetemos a ansiedade como algo ruim, ela é um mecanismo necessário para nós, um estado de prontidão e alerta, o qual precisamos para prever riscos e tomar providências. Porém, o problema se estabelece quando existe um alto nível, que a torna intensa, excessiva e persistente.

A imprevisibilidade da vida, para alguém com ansiedade, é algo muito difícil de se lidar. Saber que poucas coisas estão sob controle, para quem passa por uma crise de ansiedade, a torna mais séria ainda.

Bom, por mais que a gestante sinta o seu corpo mudar, participa ativamente desse processo, a mulher pode entender que tem o controle sobre si e de seu corpo, porém não é bem assim. Não há como pensar “hoje farei a boca do meu bebê, e amanhã os dedinhos.”. É impossível.

O estado de alerta excessivo, o medo, a imprevisibilidade, são manifestações que acarretam mudanças no metabolismo da mulher. Aquela que gesta uma vida, quando em altos níveis de ansiedade, deve buscar ajuda, tanto para sua saúde mental, quando para o pleno desenvolvimento do seu bebê.

A prática de autocuidado, atenção a alimentação, exercícios físicos possíveis, uma boa noite de sono são recomendações para esse momento. Assim como a busca por um profissional qualificado, que ajude e esteja presente nesse momento.

A preparação para o parto

O trabalho de parto, costumo pensar, se inicia muito antes dos sinais da chegada do bebê. Desde o momento em que a gestante começa a pensar sobre o parto, sobre as suas preferências, e em como se preparar para viver essa experiência. Quais as dúvidas que ela procura sanar, o que é importante para ela, qual a rede de apoio que está se formando para melhor auxiliar a gestante (…), são organizações significativas, que garantem o protagonismo da mesma.

Nesse sentido, quando mães são desencorajadas do que acreditam – e mais sério ainda – os seus desejos e ideais são menosprezados, colocando em questão a sua capacidade como mulher e mãe de parir do jeito que deseja, isso pode contribuir para o desenvolvimento da chamada distócia emocional.

Com a chegada e efetivação do trabalho de parto, a parturiente carrega consigo uma gama de expectativas, sentimentos ambivalentes, mudanças no corpo, contrações e alívios, ou seja, é um momento muito intenso.

A distócia emocional equivale ao estado de stress materno, cansaço, o medo e a dor excessivos, os quais influenciam o momento do parto, nas contrações, que afeta diretamente o feto. A mulher, quando com ansiedade excessiva e medo, vendo o bebê sendo afetado, se sentindo desamparada e sozinha, é como um ciclo vicioso.

Quais os sentimentos a mulher experimentou no parto? Ela teve apoio e foi respeitada? Foi como ela queria, se não foi, como ela está lidando com sua frustração? Essas questões, entre outras, são fundamentais para entender o envolvimento e o vínculo que a mulher e o bebê terão, em como irão se adaptar a uma nova realidade, que é a vida fora do útero.

A gestação assim como a experiência do parto, são momentos marcantes na vida da mulher, bem como do seu bebê. Estão ligados emocional e biologicamente, sendo assim, é esperado que tais experiências influenciem na relação da mãe com o bebê no pós-parto. Para tanto, essas reflexões são importantes e refletem a relação que será construída na vida extra uterina do bebê.

Neste sentido, o papel do profissional da psicologia se faz importante. No Pré-Natal Psicológico o objetivo é a preparação psicológica para a parentalidade, onde podemos contribuir com a humanização do processo gestacional, a troca de informações importantes, com a escuta das aflições da gestante, e procurando incentivar a formação de uma rede de apoio sólida, a qual ela confia.

Uma rede de apoio ideal, que acolhe e respeita o desejo da mãe, assim como informações embasadas cientificamente, são caminhos essenciais que devem ser oferecidos e conquistados por ela. Conhecimento e apoio para que a vivência da gestação, parto e pós-parto, seja a mais saudável possível.

 

Ana Carolina de Melo Ribeiro

Psicóloga Perinatal

CRP 07/31950

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