reinvenção na relação

Separação: reinvenção ou devastação?

Por que terminar um relacionamento é tão difícil? É possível manter um amor igual ao longo dos anos? Quando sabemos que um relacionamento está acabando? Qual a hora certa de sair de uma relação? Existe reinvenção na relação?

O que evitamos ao ficar com alguém que não queremos mais? Qual o problema de ficar sozinho?

 

Essas perguntas são cada vez mais comuns nas rodas de conversa, nos consultórios, nos filmes e séries. O que deixa claro uma certa dúvida ou insatisfação das pessoas. Alguns repetem que os relacionamentos contemporâneos tem prazo de validade, tudo é líquido e instável. O que para alguns soa como libertação para outros é fonte de ansiedade

 

Enquanto alguns pregam amor livre e alternância entre parceiros outros se queixam frente a ausência de casais octogenários : se a população está envelhecendo onde estão os casais de idade avançada?

De tempos em tempos algumas imagens desses casais povoam as redes sociais e surgem os questionamentos sobre o amor contemporâneo. 

Fala-se em consumismo, em amor líquido, criam-se teorias… Mas, a pergunta que não se cala: todo relacionamento acaba?

E se a resposta for: SIM! (Calma, não se angustie ainda, não estou propondo o fim dos relacionamentos, tampouco dizendo que deva desistir do seu namoro ou casamento feliz, agora). 

 

Não vou entrar na discussão social sobre as dificuldades de desfazer laços conjugais, independente da qualidade desses, de décadas anteriores. Mas, há algo muito importante de ser pensado em relacionamentos longos: a possibilidade de mudança. 

Quais mudanças você almeja? Quais mudanças aceita no seu parceiro? O que espera dessa relação amorosa? Quais mudanças você permite?

 

Mas há um dado importante a ser considerado: não há unidade! São dois seres que vão mudar com o passar do tempo, se ressignificar ou se reapresentar. A ilusão de que no casal há um ser único embala sonhos românticos, mas desfaz parcerias. Não há um ser completo formado por duas metades e pressupor isso é impor ao outro e a si mesmo a impossibilidade de mudar. 

 

O caminho de uma parceria amorosa há de ser compartilhado por dois inteiros distintos que de tempos em tempos se desencontrarão. E nesse momento, decidirão como recomeçar: juntos ou separados. São dois diferentes daqueles que iniciaram a jornada. 

 

Se buscarmos o ideal do um, qualquer mudança no outro será o fim. E vítimas da busca pela completude os sujeitos contemporâneos seguem sozinhos. 

 

Todo relacionamento que se inicia acaba – como disse acima – mas, ele pode ser reinventado pelos mesmos parceiros. Quando falamos em uma parceria longa, em geral, temos vários relacionamentos dentro de um. Cada qual tendo habitado a parceria em um momento distinto. Uma relação é feita e refeita periodicamente. 

 

O que não funciona é tentar manter a ilusão de que será tudo igual, impor uma unidade. Como se o outro fosse “isso” e você o “aquilo” que o complementa. Essa constatação pode ocorrer agora, mas mudará em breve, ainda que as duas partes não estejam de acordo.  Acreditar na unidade imaginária é barrar qualquer alteração e compreender a ruptura como uma devastação do que foi construído. 

 

O verdadeiro amor é aquele que tem força para criar e essa força não se sustenta sem a possibilidade de renovação. Amar como sempre, como mais um igual a antes pode ser seguro, mas nem sempre é verdadeiro. Por isso, quando se rompe devasta, tira o chão. Aceitar desde o começo que amar é movimento permitirá aceitar o risco, amparado na parceria de desejo. Para isso é importante saber mais sobre si, identificar seus desejos, saber quem é você quando partilha a vida a dois. 

E um processo de psicoterapia ou análise poderá te auxiliar na identificação das suas angústias e das suas possibilidades e desejos dentro de uma parceria amorosa. Afinal, mais bonito do que um casal unido pelos anos é um casal unido e sustentado pela via do desejo. 

 

Ressignificar tantas coisas é um longo caminho, mas certamente será mais gratificante saber que o outro está ao seu lado por uma escolha e não por uma impossibilidade é um dos fatores que pode auxiliar na diminuição da ansiedade dentro de um relacionamento amoroso. 

 

Busquemos um amor que não seja complacente nem autoritário e, sim, um que possa ser inventivo. Nesse sentido, haverá beleza em um casal de senhores que optou por compartilhar UM caminho a DOIS.

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