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Sobre minimalismo e porque ele é essencial para sua saúde mental

Dentre os tantos termos da moda hoje em dia, um super relevante que podemos destacar tranquilamente é o Minimalismo. 

Você já deve ter visto algo sobre, principalmente quando falamos de acúmulo de coisas em casa: Descartar quinquilharias velhas, roupas que não usamos, arrumar os cômodos, encurtar os espaços… 

Sim, essas condutas são ótimas, claro! Mas o que temos de mais interessante nisso, é o fato do Minimalismo ter tudo a ver quando transferimos esse funcionamento para o campo da saúde mental.

Mas como assim?

Menos é mais

Voltando um pouco ao conceito primordial, a frase que mais resume o ideal minimalista seria a utilização do lendário clichê “menos é mais”: Menos quando falamos de quantidade, e mais quando falamos de qualidade. 

Como indivíduos, não ficamos de fora dessa; é só pensar em quantos pensamentos, emoções, comportamentos e relações que por sua grande exposição, nos coloca em tamanho sofrimento.

Não é incomum que tenhamos um certo conflito existencial, em que nos vemos desorientados e alguém acolhe nosso problema com frases do tipo “você se preocupa demais”, “você é muito isso”, “você deveria fazer mais daquilo”. Parece que somos constantemente forçados a pensar no que estamos fazendo de errado ao ponto em que o dia parece não comportar 24 horas!

E nesse sentido, entender como fazer menos frente a tantos estímulos de nossa era digital, é além de um grande desafio, uma grande necessidade.

Tecnologia, possibilidades e F.O.M.O

Já estamos carecas de saber que o mundo está em constante avanço tecnológico e o quanto este facilitou as nossas vidas em muitos sentidos. Contudo, não podemos nos resignar quanto às consequências negativas que o progresso nos contempla.

A internet nos deixou impacientes com a velocidade em que as coisas acontecem. Segundos de espera nos mergulham em irritabilidade. E quantas alternativas que nos surgem! São tantas as oportunidades e possibilidades, que querendo abraçar todas acabamos por nos frustrar com expectativas irreais de cumprimento, gerando um bocado de frustração quando não damos conta de tudo (óbvio!).

E olhando nas redes sociais, parece que tudo está correndo bem para todos, despertando uma ideia estranha de que não estamos sendo suficientes. São pensamentos contínuos e angustiantes, martelando na cabeça que devemos fazer mais e mais, gerando medo sobre nosso futuro e sua intrínseca incerteza.

Inclusive, sobre esse movimento de angústia quanto às perdas de oportunidades e informações sobre o mundo, foi dado o nome informal de F.O.M.O. (Medo de Ficar de Fora, traduzido livremente de Fear Of Missing Out, do inglês), caracterizado em grande parte por esse funcionamento citado acima 

E com isso, o que temos quanto à quadros patológicos? Grandes índices de transtornos de humor (como a depressão) e diversas problemáticas atreladas a ansiedade e estresse (transtorno de ansiedade generalizada, Burnout e síndrome do pânico). 

Mas e aí? O que fazer?

Se o minimalismo de trata de preservar e cultivar o essencial, descartando os excessos, está na hora de fazer um pente fino em todas as áreas da nossa existência; afinal, tudo que faz parte de nossas vidas afeta nossa saúde mental.

Talvez seja interessante desativar a maioria das notificações do celular, desinscrever de todas aquelas newsletters inconvenientes que não fazem mais sentido na sua caixa de e-mails e procurar por conteúdo mais alinhado com seu momento atual.

Ou quem sabe você não precise ler sobre todas as mortes, acidentes e infortúnios todos os dias (aliás, já se perguntou porque a mídia vende tanta tragédia?) e tirar a poeira daquele livrinho que você comprou há 3 anos atrás e já estava quase desistindo de ler.

Ou ainda, rever a relação que você tem com os 1200 amigos do Facebook, os 900 seguidores do Instagram e mesmo aqueles follows do Twitter que derretem toxicidade sempre que você abre o aplicativo.

Eu sei, é difícil pra caramba! Não é algo que estamos acostumados a fazer, afinal, boa parte deste funcionamento vem de uma natureza primal, sobre coletar recursos e prolongar a existência, diferente da proposta minimalista de lapidação e descarte que estamos propondo.

Costumo falar em consultório que “é difícil mudar o mundo quando temos dificuldade de arrumar a cama”, numa analogia que eu acho muito pertinente e verdadeira (e de certa forma, engraçada). 

Contudo, pequenos passos constantes fazem parte de grandes objetivos, criando não só feitos das quais orgulhamos, mas hábitos mais saudáveis que nos trarão uma imensa melhoria na qualidade de vida e bem estar.

E novamente usando uma analogia, voltando a parafrasear o minimalismo sobre coisas: Pode ser difícil mudar tudo aquilo que nos incomoda: Mas que tal começar por arrumar uma gaveta?

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