TOC tem cura

TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo tem cura?

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo, conhecido popularmente pela sigla ‘TOC’, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade descrito na quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, o DSM-V (no termo em inglês) e na décima edição da CID (Classificação Internacional de Doenças). Sua principal característica é a presença de crises recorrentes de pensamentos obsessivos, intrusivos e em alguns casos comportamentos compulsivos e repetitivos.

O ‘TOC’ é conhecido com esse nome pela psiquiatria e algumas linhas da psicologia, porém, para a psicanálise, por não ter os mesmos requisitos de nomes psicodiagnósticos, o que é decorrente do ‘TOC’, apenas significa um tipo de estrutura psicológica, onde não vemos como “doença” nenhuma das afecções psiquiátricas, já que o olhar da psicanálise é mais amplo, justamente para não reduzir o sujeito, que vem para a clínica se queixando de algo, a apenas ao nome da doença diagnosticada com os nomes do CID (DSM-V). O ‘TOC’ é conhecido por inúmeros comportamentos e/ou pensamentos repetitivos que atormentam o sujeito, que como forma de lidar com isso, cria certa compulsão por fazer alguns rituais.

Tais rituais aparecem para encobrir alguma ansiedade e/ou angústia, que está encoberta, por ser inconsciente. Porém, por trás de todo esse funcionamento psíquico, pode haver uma série de angústias e sofrimentos inconscientes, com as quais o sujeito desconhece, e apenas poderá enfrentar esses rituais e pensamentos e/ou comportamentos repetitivos, se o que estiver por trás disso, puder se tornar transparente e puder vir para a consciência.

Freud percebe que existem três tipos de estruturas psíquicas, sendo elas: neurose, psicose e perversão. Ele trabalhou basicamente com a neurose e a neurose se divide em duas outras estruturas, que seriam a histeria e o obsessivo. Freud inicia seus estudos com as pacientes histéricas, e a estrutura do obsessivo Freud coloca em sua obra, como um dialeto da histeria. Cada qual com um tipo de funcionamento psíquico, sendo que o obsessivo, já tem em sua estrutura algumas características genéricas, mas claro que cada sujeito, será exclusivo da sua forma. Dentro dessas características genéricas, estão os chamados comportamentos obsessivos compulsivos, conhecidos pela sociedade em geral, para poder ser diagnosticado. Porém, para a psicanálise, esse é um tipo de estrutura existente, na qual o sujeito que sofre com esses comportamentos e pensamentos obsessivos, deve apenas tornar claros os motivos pelos quais o faz ter esse tipo de funcionamento.

Como a psicanálise trabalha no sentido de trazer para o consciente o que está inconsciente, em um tratamento psicanalítico, é possível descobrir o que tem por trás de tais comportamentos e pensamentos obsessivos e aprender a lidar com esse comportamento, de modo que a pessoa consiga ter controle por seus pensamentos e/ou comportamentos.

Em uma análise é possível curar tais angustias, uma vez que elas podem vir para o consciente e serem conhecidas pelo sujeito, para que, ao invés de o sujeito criar comportamentos ritualísticos, este possa dar vazão aos pensamentos e sentimentos angustiantes, através da fala com o analista.

Freud, inicialmente, tratava dos pacientes com a hipnose. O paciente hipnotizado conseguia falar sobre seus traumas, pois acessava o inconsciente. Porém, Freud percebeu que os sintomas retornavam para o paciente, já que quando este voltava para sua consciência, sem estar mais hipnotizado, os sintomas voltavam, já que o paciente não percebia conscientemente o que lhe acometera, para ter tais sintomas. Foi então que Freud desenvolveu a livre associação, na qual consiste em que o paciente fale à vontade, livre associando, e fazendo com que conteúdos inconscientes possam se tornar conscientes.

Essa é a técnica utilizada até hoje.

Colocando o analisando em livre associação, este pode trazer os conteúdos inconscientes e torná-los conscientes, trazendo à tona, inclusive as angustias e sofrimentos recalcados pelo sujeito. E se, mesmo assim, o sujeito continuar com tais comportamentos ritualísticos, continuará tendo consciência do que estiver por trás disso, e pode continuar a fazer não mais de forma angustiante e sim, somente continuar os comportamentos e pensamentos ritualísticos, que lhe dão prazer.

Porém, é preciso externalizar através da fala, com suas próprias palavras, com um analista, que saiba o escutar com uma escuta clínica, e não, qualquer escuta.

Bibliografia:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-48382015000200012

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