depressao-infantil

Tudo sobre depressão infantil

As pessoas acreditam que como as crianças não têm problemas como os adultos, então não ficam deprimidas. Porém se problemas fossem causa de depressão, todos nós ficaríamos deprimidos. Problemas causam diversos sentimentos e emoções nas crianças, não necessariamente depressão infantil. Pode se tratar de um episódio normal e esperado de tristeza, de luto, ou de adequação diante alguma situação, como o luto devido á morte de alguém próximo.

Quando a criança passa a apresentar vários sintomas persistentes, podemos desconfiar que ela está com depressão. A depressão infantil é um distúrbio de humor que vai além da tristeza normal e temporária, ela é uma perturbação orgânica, que envolve variáveis sociais, psicológicas e biológicas.

Esse transtorno encontra-se cada vez mais frequente em crianças e adolescentes. A ocorrência dos sintomas em crianças têm se mostrado maior na faixa etária entre seis e onze anos de idade. Por isso, faz-se necessário entendermos o que é a depressão infantil, quais são as causas, sintomas, a influência da família e da escola, as formas de tratamento e de prevenção.

A depressão infantil

Como a criança ainda está formando seu repertório de reconhecimento e de comunicação para falar de seus sentimentos, ela não consegue ter claro o que está sentindo e nem consegue exteriorizar adequadamente seus sentimentos. Geralmente elas demonstram por meio de sintomas físicos e comportamentos que diferem dos das crianças com a mesma idade.

A criança com depressão apresenta vários sintomas, desde os mais leves, como reações normais de tristeza frente a situações estressantes, até sintomas mais graves, que podem levar a uma condição clínica, onde há uma vivência de enorme sofrimento.

A depressão infantil é um distúrbio de humor que vai além da tristeza normal e temporária, ela é uma perturbação orgânica, que envolve variáveis sociais, psicológicas e biológicas.

Diante o aspecto biológico, a depressão é vista como uma provável disfunção dos neurotransmissores devido à herança genética e também ao fato de áreas cerebrais específicas terem anomalias e/ou falhas. Na perspectiva psicológica, a depressão está associada ao comprometimento da personalidade, baixa autoestima e autoconfiança. No que se refere ao âmbito social, pode-se considerar como uma falta de adaptação ou um grito de socorro, como também pode ser uma consequência da violação de mecanismos culturais, familiares e escolares. Veremos isso melhor no item abaixo.

Causas da depressão infantil

A depressão em crianças pode ser ocasionada por uma disfunção dos neurotransmissores e neuroreceptores, tendo influências de fatores genéticos e hereditários.

Também é ocasionada por fatores de natureza psicológica, emocionais, como a mudança de cidade, de casa, de escola, de professores, a separação dos pais, presenciar discussões em casa, pertencer a famílias disfuncionais e com altos níveis de depressão, além de abuso de substâncias, ansiedade e comportamentos antissociais por parte dos pais. Filhos de mães deprimidas têm maior chance de não desenvolverem sistemas normais de regulação da atenção, da excitação e dos estados emocionais, ou seja, as primeiras interações com o cuidador podem compor a base para o desenvolvimento da depressão infantil.

Patologias ou situações como, por exemplo, enfermidades crônicas, intervenções cirúrgicas, malformações corporais, diabetes, fibrose cística e hospitalizações prolongadas, podem gerar ansiedade ou quadros depressivos na infância.

Repetidos eventos estressantes experienciados na infância como, por exemplo, vivências repetidas de fracasso, podem alterar a conduta de crianças, gerando sentimentos e pensamentos depressivos e facilitando, assim, o desenvolvimento do transtorno. Problemas de sono também parecem ser fatores importantes para o desenvolvimento de sintomas depressivos.

A quantidade e variedade dessas experiências vivenciadas formam um conjunto de fatores de risco potenciais para o desenvolvimento da depressão.

Sintomas da depressão infantil

Os sintomas depressivos mudam conforme a idade da criança. Crianças de zero a dois anos podem apresentar recusa de alimentos, desenvolvimento tardio, alterações no desenvolvimento psicomotor e na linguagem, problemas de sono e enfermidades somáticas. Já crianças em idade pré-escolar podem manifestar comportamento regressivo, principalmente no aspecto psicomotor, linguagem e controle esfincteriano.

Por natureza, a criança está explorando o ambiente para descobrir coisas novas. Quando fica com medo ou insegura, ela se retrai, aquietando-se e ficando parada, com medo de se separar de seus cuidadores. Quando isto começa a acontecer, é preciso ficar atento, para notar se é algo momentâneo ou não.

Outro ponto a observar é a qualidade de sono. Se o sono da criança começa a ser interrompido por pesadelos e ela começa a ter medo de ficar sozinha na hora de dormir, reclamando e chorando, é importante ficar atento, pois o padrão do sono muda nos quadros depressivos.

São sintomas frequentes do transtorno depressivo infantil a autocrítica elevada, sentimentos de inferioridade e o comportamento agressivo. A agressividade e irritabilidade são vistas mais nos meninos.

É necessário observar como a criança agia antes e como está agindo agora. Se ela era uma criança ativa e ficou sem interesse por nada, se era calma e agora está agressiva. Podem aparecer outros sintomas como diminuição da atenção e da concentração, sentimentos de inferioridade, ideias de culpa e inutilidade, tendência ao pessimismo, queixa de sintomas físicos, ser seletivo com os alimentos que come e dependendo da gravidade do quadro, ideias de suicídio.

Sintomas que também são percebidos: tiques, anorexia, medos, problemas de memória, baixa concentração, enurese, encoprese, ansiedade, hipocondria, aumento da sensibilidade, sentimento de rejeição e fobia escolar, comportamentos de extrema obediência ou submissão, distrabilidade, descuido pessoal e corporal, comportamento autopunitivo e sentimento de culpa, olhar muito tempo para o chão, permanecer com postura arqueada, cansaço, hipoatividade, fala monótona, devagar, com ausência de expressão e respostas monossilábicas, fadiga, atividade extrema ou apatia, sentimentos de falta de valor ou inutilidade, mudança de peso e apetite, choros, problemas com o sono, queixas físicas e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.

De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-V), a depressão infantil é semelhante a depressão no adulto, de forma que os mesmos critérios de diagnósticos de depressão no adulto podem ser utilizados para avaliar a depressão na criança. Segundo esse manual, os sintomas de depressão são: humor deprimido na maior parte do dia, falta de interesse nas atividades diárias, alteração de sono e apetite, falta de energia, alteração na atividade motora, sentimento de inutilidade, dificuldade para se concentrar, pensamentos ou tentativas de suicídio.

Diante o Manual, para o diagnóstico de depressão é necessário que o indivíduo apresente pelo menos cinco dos sintomas citados, sendo que um dos sintomas deve ser o humor deprimido em grande parte do dia ou falta de interesse pela maioria das atividades e deve ainda ocorrer em um período de pelo menos duas semanas. No entanto, o Manual faz pequenas ressalvas considerando os níveis de desenvolvimento, a fim de facilitar o diagnóstico de depressão na criança. Mais precisamente, uma criança deprimida pode apresentar humor irritável ao invés de tristeza; ou ainda revelar uma queda no rendimento acadêmico em função do prejuízo na capacidade para pensar e concentrar.

depressao-crianca-triste

Influência da família e da escola diante a depressão infantil

A falta de informações dos pais e professores sobre a depressão infantil pode contribuir para aumentar as dificuldades dos alunos e inúmeras sequelas emocionais no futuro. É evidente que família e educadores não estão preparados para fazer um diagnóstico na criança. Cabe ressaltar que nem é esse o papel dos mesmos. No entanto, com conhecimentos acerca de depressão infantil, estes podem ter um olhar mais atento às crianças que apresentam possíveis sintomas permitindo um encaminhamento oportuno e um diagnóstico mais rápido, o que conduzirá a intervenção adequada, em tempo hábil.

Cabe ressaltar que tanto a escola quanto a família estão relacionadas à depressão infantil, nos aspectos referentes aos padrões de relacionamentos disfuncionais, opressão, humilhação e maltrato, tanto na escola como na família. Problemas de relacionamento com professores e colegas, rejeição pelos amigos, assim como o afastamento de um dos pais do convívio da criança também influencia. É importante que os pais construam um ambiente saudável para o desenvolvimento dos filhos e supram suas necessidades básicas e que a escola seja também um ambiente acolhedor.

Como as crianças ainda estão se formando, elas e seus pais acreditam que isto faz parte do próprio desenvolvimento ou do modo de ser dele. Elas calam e se retraem e os pais demoram de perceber que o filho precisa de ajuda. Além de que, uma criança que é mais quieta, calada e que não faz bagunça muitas vezes é vista como uma boa criança tanto para os pais quanto para a escola.

Quando a escola percebe a mudança nos comportamentos da criança, como por exemplo, a diminuição do rendimento escolar, ela deve encaminhá-la a um profissional e alertar os pais. Quando os pais percebem uma mudança significativa no comportamento do filho, como chorar constantemente, ficar muito irritada ou perder peso sem razão aparente, devem levá-la a um profissional para que seja feito um diagnóstico, mesmo que a escola não tenha percebido os comportamentos.

Além de fazer o diagnóstico, é importante que os adultos próximos a esta criança apoiem e mostrem a ela que não está sozinha, respeitando e compreendendo seus sentimentos, incentivando-a sem pressão a desenvolver atividades que gosta e dar atenção e carinho a ela, quando solicitado.

Tratamento para a depressão infantil

Quando os sintomas são percebidos tanto pela escola quanto pelos pais, muitas vezes eles não sabem exatamente o que trata esses sintomas, levando a criança à profissionais de saúde que não dão a importância necessária aos sintomas depressivos apresentados pelas crianças e adolescentes ou que encontram dificuldade para realizar o diagnóstico, contribuindo, assim, para o agravamento do quadro depressivo.

O diagnóstico de depressão nas crianças é realizado a partir do Manual DSM-V, como a depressão também é sintoma de outros transtornos, acaba não sendo a primeira opção de diagnóstico, alguns profissionais acabam diagnosticando a criança com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno de conduta, transtorno desafiador opositivo e transtorno de ansiedade.

Por isso, é importante o papel da psicoterapia, com abordagem individualizada, para o diagnóstico e tratamento desse transtorno. Quem realiza a psicoterapia com crianças é um psicólogo. Este verificará os sintomas, e em alguns casos encaminhará para um psiquiatra a fim de refutar e confirmar a hipótese diagnóstica, além de que em alguns casos é necessária a medicação, que é feita por um psiquiatra. A psicoterapia pode ser a única forma de tratamento, ou pode haver a medicação caso haja um fator genético ou hereditário. O psicólogo e psiquiatra irão trabalhar em conjunto.

O diagnóstico precoce é muito importante para que o tratamento seja logo iniciado e torne mais fácil a modificação dos comportamentos depressivos, tendo em vista que, ao longo do tempo, estes podem se tornar mais resistentes à mudança. Quanto mais tempo demorar para estabelecer o diagnóstico do transtorno e dar início ao tratamento, mais difícil poderão ser essas modificações, visto que os comportamentos depressivos poderão continuar com o passar do tempo.

Depressão infantil criança chorando

Prevenção para a depressão infantil

O ambiente familiar saudável reflete diretamente no desenvolvimento emocional equilibrado, pois é necessário que supra adequadamente a necessidades básicas da criança, como de proteção e acolhimento. É importante fornecer aos filhos todo o amor e carinho, compreensão, amparo e construindo uma relação de confiança com eles.

O conhecimento do transtorno depressivo infantil por parte das pessoas que estão envolvidas com a criança, como pais e professores, a fim de contribuírem para a identificação precoce dos sintomas.

A criança, quando é bem sucedida na escola, participa de atividades extracurriculares, tem sua capacidade intelectual e social preservada, tem relações positivas com outros adultos fora da família, tem uma percepção positiva de si mesmo e recebe os suportes sociais adequadamente, têm menores chances de desenvolverem a depressão.

Para prevenir que mais problemas se desenvolvam na adolescência e na idade adulta, visto que este transtorno é capaz de comprometer o desenvolvimento das crianças e seu processo de amadurecimento psicológico e social, é necessário que seja realizado um tratamento adequado na infância. Caso contrário, os problemas podem evoluir do menos grave como, por exemplo, ter baixo rendimento escolar e social, ao mais grave, como grande problema de autoestima, dificuldades de relacionamento e de desempenho que podem evoluir para comportamento suicida.

Considerações finais

A depressão é uma condição clínica grave que pode ocasionar graves repercussões na vida da criança e do adolescente. Família e escola devem estar alertas, pois os sintomas de depressão na infância podem passar despercebidos. A depressão em idade precoce pode ter continuidade na idade adulta. Existem vários sintomas que devem persistir por um período de duas ou mais semanas que compõe o diagnóstico de depressão, que é baseado no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-V). Resumidamente, os sintomas são: humor deprimido na maior parte do dia, falta de interesse nas atividades diárias, alteração de sono e apetite, falta de energia, alteração na atividade motora, sentimento de inutilidade, dificuldade para se concentrar, pensamentos ou tentativas de suicídio. É necessário um diagnóstico precoce e tratamento realizado por psicólogo e psiquiatra.

Kelly Justino Zago é psicóloga clínica, atende em consultório na cidade de Franca no interior de São Paulo e virtualmente. Oferece atendimentos presenciais em ludoterapia, psicopedagogia, grupoterapia, psicoterapia e atendimentos virtuais de orientação psicológica para crianças, mulheres e pais. Esta sempre antenada e capacitada diante da profissão. Sempre busca alcançar a melhor versão da pessoa, acredita firmemente no potencial que elas têm em conseguir realizar desejos e solucionar problemas.

Tel.: (16) 3703-8124
Whatsapp: (16) 99460-2313
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC4xoD704IFecS_9jnvvyGlQ
Facebook: https://www.facebook.com/kellyjustinozago/

Bibliografias Consultadas

FRAGA, Bibiana Pereira de. Depressão na Infância: Uma revisão da literatura. Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Instituto de Psicologia – Porto Alegre, junho de 2015. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/141362/000992358.pdf?sequence=1. Acesso em: 07 de junho de 2018.

 CRUVINEL, Miriam; BORUCHOVITCH, Evely. Depressão infantil: Uma contribuição para a prática educacional. Psicol. Esc. Educ. (Impr.),  Campinas ,  v. 7, n. 1, p. 77-84,  Junho  2003 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572003000100008&lng=en&nrm=iso.  Acesso em:  07  de junho de  2018.

 MARCONI, Elizete Venson do Nascimento. Depressão infantil: Uma revisão bibliográfica. Psicologia.pt. ISSN 1646-6977. 2017. Disponível em: http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A1091.pdf. Acesso em: 07  de junho de  2018.

Avalie esse artigo:

Comentários:

Please Login to comment