Vamos falar sobre suicídio: Um sorriso, um grito de socorro!

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“não consigo fazer nada
não consigo me esforçar em nada, não consigo superar nada
sempre achei q eu tava sozinho no mundo
q eu era o monstro de bird box, ngm queria me ver
kkkkkk top 10 piadas antes de se matar
era um npc, que só respondia o que perguntavam
eu já tava pensando em quitar desse joguinho merda há mt tempo”

Bruno Pontes, 24 anos

O trecho acima é parte da mensagem de despedida que Bruno Pontes publicou em seu Facebook antes de se suicidar no mar, em Cananeia (SP), no Réveillon deste ano. A mensagem está disponível no site “Ler, Resenhar, Aprender” e mesmo para mim, que sou psicólogo, é um dos textos mais fortes que li sobre depressão.

Na mensagem, Bruno contou que estava com 24 anos e que pelo menos desde os 15 sofria de depressão, tendo seu quadro se agravado depois dos 20. Disse que jamais conseguiu encontrar motivos que o conectassem à vida e que os poucos amigos que fez acabaram cada um seguindo seu rumo, o que ele mesmo considerava natural.

Não que ele não tentasse fazer parte do mundo. É só olhar o Facebook dele ou os depoimentos de amigos para ver que Bruno tinha um dom incrível para rir e fazer piadas. E era isso que usava para tentar agradar as pessoas. “Eu sempre achei q era mais inteligente que a maioria das outras pessoas, mas sempre preferi ser o engraçadão, o que ia pra diretoria, afinal, o que puxa mais atenção do que um palhaço?”, perguntou ele em sua carta.

Self ou selfie?

A tragédia de Bruno deixa claro para todos que, embora algumas pessoas sempre estejam sorrindo, puxando assunto e contando piadas, isso não quer dizer que a vida delas seja completamente saudável.

Infelizmente, é comum vivermos imersos em aparências e muitas pessoas se isolam em uma bolha, protegidos nas redes sociais e nas rodas de amigos. O sorriso e a vida perfeita muitas vezes escondem a verdade, os problemas familiares, os problemas com autoestima e os problemas em olhar para o futuro e se enxergar nele.

Vivemos um tsunami de ostentação digital, sob fotos de locais paradisíacos, carrões e bebidas. No desespero de parecermos “incluídos”, cada vez lotamos mais o feed do Instagram e esvaziamos nosso interior.

A mensagem de Bruno mostra muito isso: são brincadeiras e piadas ao longo de uma carta de suicídio. Por dentro, tudo desmoronando, pedindo desesperadamente por um socorro que não chegou a tempo.

Da mesma forma que Bruno, uma menina exibindo o corpo perfeito numa foto pode dar a entender que a vida dela é perfeita. Mas, e por trás da foto? Qual a realidade dela? Qual é o grito que ela pode estar dando sem ninguém escutar? A atriz mais linda pode estar passando por pressões para manter aquele corpo tão desajado.

A verdade é que, por trás de cada sorriso, existe uma dor também. Todos têm a sua. Acontece que, às vezes, somos iludidos, e quando nos damos conta do que estava acontecendo, essa dor pode ter se tornado uma depressão profunda, e pode até ser tarde demais.

Como furar a bolha?

Não existe receita mágica para sair da depressão, muito menos para conseguirmos ajudar quem apresenta esse quadro. Mas um movimento fundamental, induzido ou não, é o paciente reconhecer que necessita de ajuda.

Após essa etapa crucial, o paciente precisa conversar com alguém com quem consiga compartilhar seus pensamentos, emoções, dores e alegrias, isso de uma maneira aberta e franca, sem precisar temer julgamentos. E se isso é algo muito difícil para qualquer pessoa, que dizer de alguém deprimido?

Mas é o único caminho. Só assim a pessoa que está passando por momentos dolorosos pode vir a se sentir mais aliviada, diminuindo principalmente a pressão que coloca sobre si mesma.

Para isso, é necessário permitir que o indivíduo consiga encontrar respostas dentro de si mesmo, inclusive dentro da própria dor, por meio de uma reflexão profunda do momento que está vivendo.

E num primeiro momento, o mais importante é deixar o indivíduo “descarregar” todas as angústias que tanto o machucam por dentro.

A parte mais linda da vida talvez seja o livre arbítrio que temos. Podemos ser o que quisermos! Essa liberdade, entretanto, esconde uma armadilha: em certos momentos, nos sentimos tão pressionados por sonhos que não conseguimos suportá-los.

A imagem de Atlas carregando o mundo , de certa forma, representa esse desespero. Nessas horas, é importante percebermos, nesse pesado mundo de sonhos, quais são realmente nossos, pois muitos deles não são.

Acontece que nossa sociedade atual foi estruturada sobre uma base muito comum, que envolve estudos, casamento e filhos. E não há nada de mal em quem segue esse ideário naturalmente.

O caso é que não existe uma receita mágica para a felicidade. Não existe uma regra que sirva para todos. Não é preciso ir para a faculdade para ser bem-sucedido; não é preciso ter filhos quando sua vontade é apenas viajar pelo mundo sem preocupações.

Uma das definições que mais gosto de felicidade é: “um momento que valha a pena em ser vivido”. Portanto, se para você vender jabuticabas na beira da estrada é um desses momentos, é nisso que você tem que focar e não no emprego engravatado que é um sonho genérico da sociedade atual.

Ajuda profissional

Sei que dissemos não existir receita para a felicidade. Mas isso não quer dizer que não existam métodos, receitas e mecanismos que nos ajudem a não cairmos nas armadilhas que a vida prepara para nós. Armadilhas como aquelas em que Bruno Pontes caiu.

No caso da depressão, conhecer esses métodos é um dos grandes papéis que exerce o psicólogo.

Exatamente por conhecer esses caminhos e armadilhas da dor e da tristeza, esse profissional terá como combater os pensamentos disfuncionais do indivíduo, ajudando o paciente a minimizar a angústia vivida na situação atual.

Vencida essa etapa, o psicólogo poderá ainda ajudá-lo a encarar os medos que normalmente estão por trás dos ciclos de tristeza em que a pessoa se aprisiona. Sejam eles o medo do futuro, o de dizer que não deseja seguir um caminho pré-estabelecido ou mesmo o medo do sucesso.

Uma janela então se abre e o psicólogo pode enfim oferecer ferramentas para auxiliar a pessoa na escolha de suas próprias direções. Afinal, são muitos os caminhos para a realização pessoal e profissional, para a inspiração e a realização de sonhos. Caminhos que nos permitem agarrar a vida com energia, coragem e, muitas vezes, até mesmo com alegria.

Observação: Caso esteja ou conheça alguém em situação emergencial, entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 188 – Válido em todo território nacional. O atendimento é gratuito,

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