gratidão

Gratidão é a força de agradecer para cultivar coisas boas

Gratidão é a força de agradecer para cultivar coisas boas
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Gratidão é uma emoção social que sinaliza nosso reconhecimento das coisas que os outros fizeram por nós.

A gratidão é um estado cognitivo-afetivo que é tipicamente associado à percepção de que alguém recebeu um benefício pessoal que não foi intencionalmente buscado, merecido ou ganho, mas sim pelas boas intenções de outra pessoa.

Desde o momento em que você acordou hoje, por quantas coisas já agradeceu? Você acordou em uma cama quente e macia? Teve condições de levantar e caminhar por sua casa? Conseguiu preparar seu café da manhã e se alimentar bem? Teve uma forma de chegar até o seu trabalho? Tem condições mentais e físicas para realizá-lo? Consegue falar com outras pessoas e alimentar relações? Tem água potável para beber sempre que quiser?

Tudo isso pode parecer extremamente rotineiro e comum, mas muitas pessoas em todos os lugares do mundo não têm acesso a alguns ou a nenhum desses privilégios. Mais do que isso, mesmo que todos tivessem uma vida similar, só o fato de existirem essas possibilidades já as fazem extraordinárias.

Notar as chances que temos a cada segundo de aproveitar a vida de diversas formas é desenvolver a gratidão. Ser grato nos faz sair do espaço de sentir pena de nós mesmos para nos sentirmos contentes e ativos. Quando chegamos nessa sensação, conseguimos nos libertar das dores emocionais e gerar a motivação de agir em benefício de todos os seres.

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Ser grato não é ver beleza em tudo

Muitas pessoas veem a gratidão como uma bolha de ilusão, como se pessoas gratas fossem otimistas demais, vendo beleza em tudo como Pollyanna. A verdade é que ser grato não é sobre ver beleza em tudo. Ter gratidão é construir uma consciência de que tudo que há ao nosso redor pode ser um propulsor de pensamentos e ações benéficas. Não é olhar para o sofrimento e ignorá-lo, é olhar para o sofrimento e ser grato por ter a capacidade de procurar por soluções para ele.

Quando viajamos para um lugar sem energia elétrica, sem cama, sem esgoto e água encanada, entendemos o quão incrível é chegar em casa, preparar uma refeição em alguns segundos, tomar uma ducha quente, acender uma luz, dormir confortavelmente. Poucos dias depois, isso já se torna tão comum quanto antes e começamos a reclamar de como a cama está velha, o fogão fraco, o banho poderia ser em uma banheira. Como diz Louis CK, “tudo é incrível, mas ninguém está feliz”.

Você não precisa estar assistindo um pôr-do-sol como esse para ser grato. É possível ter gratidão em qualquer ambiente.

Ao contrário do que imaginamos, não é somente a felicidade que nos leva a gratidão. Ser grato leva a felicidade. Isso é o que David Steindl-Rast apresenta no TED de 2013 que você vê abaixo. Ative as legendas em português do vídeo para assistir.

Use a gratidão como combustível

O contato com o sofrimento do mundo nos faz mais gratos do que temos e nos impulsiona a cultivar coisas boas para nós e para os outros. Reconhecer o quão extraordinária são as coisas do nosso cotidiano nos ajuda a manter o equilíbrio com relação às tragédias do mundo e, somente em equilíbrio, conseguimos agir. Quando você muda a si mesmo, você tem o potencial de mudar o mundo.

A oportunidade nos é dada a cada novo segundo de vida. Na maioria das vezes congelamos nossa existência em planos muito bem definidos em nossas mentes e, quando eles dão errado, caímos no desespero e na depressão. Poderíamos ser mais livres, permitindo que essas oportunidades se abram para nós e aproveitando o movimento da vida, a transitoriedade, dançando junto com a música.

Quando reconhecemos essas oportunidades, aceitamos os desafios de aprender coisas novas, mesmo que dolorosas e, a partir desses aprendizados, geramos transformação. Mas como começar a fazer isso?


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Como ser grato?

Parando. Olhando. Sentindo. Agindo.

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A riqueza da vida está em aproveitar o que nos é dado e abrir o coração para novas oportunidades, agindo logo em seguida. Entretanto, quando vivemos um segundo atropelando o outro, sem o sinal de “Pare” ligado para que a gente note tudo o que nos rodeia, não é possível olhar, escutar, seguir com consciência.

Parar e olhar de vez em quando para tudo o que nos acontece nos faz criar relações com as pessoas a partir de suas qualidades positivas, e não negativas. Nos faz apreciar nossas próprias qualidades. Nos faz enxergar o caminho que nos trouxe até onde estamos, sermos gratos por tudo o que nos trouxe até ali e ter mais forças para continuar construindo de forma saudável.

“Pode-se falar da banalidade do mal (Hannah Arendt), mas podemos também falar da banalidade do bem, evocando as mil e uma expressões de solidariedade, de atenção e de compromisso a favor do bem de outros que balizam as nossas vidas cotidianas e exercem uma influência considerável sobre a qualidade da vida social. Além do mais, aqueles que realizam estes inumeráveis atos de entreajuda e de solicitude dizem em geral que é plenamente ‘normal’ ajudar o seu próximo. […] A bondade de todos os dias é anônima; ela não ocupa o centro das atenções dos órgãos de comunicação como um atentado, um crime horrendo ou a libido de um político.” —Matthieu Ricard (“A revolução do altruísmo”)

Uma atividade simples de gratidão

Para despertar a gratidão em você, experimente fazer essa atividade. Pense em alguém que teve uma grande influência em sua vida. Pode ser um parente seu, mãe, irmão, um amigo, uma professora. Escolha essa pessoa, pegue papel e caneta e escreva tudo o que você conseguir escrever sobre a influência positiva dela para você. Procure descrever detalhadamente sobre ela, suas características positivas, tudo o que você vê de bom na pessoa para além de sua relação com ela e, depois, tudo o que ela já fez por você.

Quando terminar, pegue o telefone, ligue para essa pessoa e leia tudo o que escreveu. Se não for possível falar com essa pessoa de nenhuma maneira, fale com outra pessoa muito próxima dela ou leia para si mesmo. Depois disso, apenas aproveite a sensação de fazer grato pelo outro e de sentir a alegria do outro em sua gratidão. Procure fazer esse mesmo exercício escrevendo uma carta para você como se fosse para um amigo. Você não irá ser cruel com um amigo, então não seja cruel com você. Relate apenas as coisas boas e leia sempre que estiver em dúvida sobre si.

“Se você não está se alegrando com a bondade do mundo, você não está prestando atenção.”

— Alan Wallace