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Isolamento social: o que é e como combatê-lo

  |  Tempo de leitura: 10 minutos

Isolamento social é um comportamento complexo oriundo do íntimo do indivíduo que o perpetua. Somos por natureza seres sociais que necessitam de constante contato com nossos semelhantes. 

Embora esse contato seja difícil para algumas pessoas, por inúmeras questões (timidez, ansiedade, depressão, fobia social), ele é necessário para a nossa saúde. 

Os relacionamentos interpessoais que cultivamos influenciam diretamente em nossa personalidade, opiniões e humor. Quando o isolamento ocorre, essa troca deixa de acontecer e a pessoa isolada se tranca em sua própria mente. 

O que é isolamento social?

O isolamento social é o comportamento onde uma pessoa ou um grupo de pessoas, voluntaria ou involuntariamente, se afastam de interações e atividades sociais.

Também ocorre quando pessoas são isoladas por terceiros. Neste artigo, apenas a primeira situação será abordada. 

Geralmente, este comportamento se manifesta em dois cenários. O primeiro é no silêncio. Gradualmente, a pessoa vai deixando de frequentar os locais que antes considerava agradáveis e perde o contato com amigos e colegas. Ela apenas se dá conta de sua atitude quando alguém a aponta. 

O segundo é voluntário. A pessoa sente a necessidade de se afastar por inúmeros motivos. Por vontade própria, ela começa a se isolar de amigos e familiares.

Eventualmente, ela se acostuma com a solidão e consegue navegar neste novo modo de vida solitário. Mas ele não é o ideal. 

Quais as causas do isolamento social?

As motivações que levam uma pessoa ao isolamento são diversas. A dificuldade de se relacionar e formar amizades significativas são comumente os pretextos usados para justificar este comportamento. Para exemplificar, veja, abaixo, cenários possíveis de isolamento social.

Cenário 01 

Assombrada por traumas do passado, a pessoa não consegue aprofundar o relacionamento além da conversa superficial entre conhecidos.

Por acreditar ser socialmente inapta, ela opta por diminuir o convívio social para se preservar e evitar que o evento negativo do passado se repita. O isolamento, então, se torna um mecanismo de defesa. 

Cenário 02

Tomada por pensamentos negativos e uma visão pessimista da vida, a pessoa acredita não ser boa o suficiente para ter amigos ou estar em contato com os demais. Assim, se julga inadequada e procura fugir de situações sociais. 

No meio das pessoas, deixa transparecer o seu nervosismo exacerbado, o que colabora para julgamentos e críticas. Consequentemente, a pessoa se torna ainda mais reservada. É um ciclo vicioso extremamente nocivo. 

Cenário 03

Insatisfeita com sua vida atual, a pessoa perde a vontade de relacionar. Ela não vê utilidade ou significado em conversar com os amigos como fazia antes.

Sem perceber, frequentemente escolhe ficar em casa, recusando quaisquer possibilidades de interação social. As pessoas ao seu redor notam a sua postura antissocial e se afastam por acreditarem ser indesejadas.  

Cenário 04

Sempre ocupada, a pessoa não tem tempo para se relacionar. Sua mente está sempre focada no trabalho, em seus afazeres e nas próximas pendências.

Ela vive para cumprir obrigações e, por isso, acaba se afastando das pessoas queridas e de momentos de lazer. Quando se dá conta de como seu estilo de vida é turbulento, precisa embarcar em uma longa jornada para retomar os relacionamentos esquecidos. 

Cenário 05

O último cenário baseia-se em casos em que a pessoa sente-se inferior aos demais por sua condição financeira, intelectual ou profissional. Este desconforto pode estender-se para sua própria aparência e personalidade.

Ela se deixa levar pelo embaraço, escolhendo afastar-se de grupos específicos os quais acredita serem superiores. 

É possível concluir que não há uma causa única para o isolamento social. A motivação depende da história de cada um, e da maneira como a pessoa reage/reagiu a eventos marcantes de sua vida. 

Porém, em quase todos os cenários acima, nota-se fatores em comum que agravam este comportamento, como a baixa autoestima, o apego ao passado, a ansiedade e a escassez de relacionamentos saudáveis na infância e adolescência.

Importância do convívio social 

Estabelecer laços de amizades significa firmar acordos secretos de influência positiva recíproca. Como assim? Você ajuda o próximo e ele te ajuda em troca, mas tudo de forma espontânea, voluntária e sem cobranças.

É desta maneira que as pessoas encontram oportunidades para o crescimento pessoal. 

Ou seja, relacionamentos interpessoais não servem apenas para fazer aquele happy hour gostoso depois do trabalho ou ir ao cinema ou ter companhia para eventos sociais. 

Eles são importantes para nos tornar pessoas melhores. Com o outro, aprendemos sobre um mundo que não conhecemos. Um mundo com desafios, vitórias, medos, desejos muito diferentes do nosso.

Muitas vezes, esse contato causa estranheza porque ainda não temos a habilidade de lidar com essas diferenças. É através do convívio social que aprendemos a interagir com o mundo a nossa volta. 

Os relacionamentos interpessoais também colaboram para o autoconhecimento uma vez que percebemos diversas características de nossa personalidade no contato     com o outro. 

O isolamento social faz exatamente o oposto: ele alimenta as ideias errôneas de quem deseja se afastar. Sem o outro para mostrar outra perspectiva, a pessoa mergulha nos pensamentos ruins.

O ato de isolar-se também acarreta em uma série de consequências negativas para a saúde mental, como depressão, e física, como problemas cardiovasculares.

4 formas de combater o isolamento social

Primeiro de tudo, estar aberto a novas experiências é fundamental. A pessoa isolada socialmente tem muita insegurança e medo, e esses sentimentos apenas agravam com a falta de experiência em relacionar-se com os demais. É normal no início sentir apreensão diante do desconhecido.

É importante dar o primeiro passo mesmo com medo e com dúvidas. As primeiras mudanças são desconfortáveis mesmo. Estas experiências fazem parte da vivência humana. Lembre-se que todos nós, momento ou outro, enfrentamos desafios semelhantes. 

1. Desenvolva a autoconfiança

O isolamento social está associado à insegurança, incerteza, medo e baixa autoestima.

Para construir uma autoimagem nova e cheia de positividade, você precisa redescobrir a sua identidade. A psicoterapia pode ser uma bela aliada nesse processo.

Foque em suas qualidades, conquistas e sonhos. A fórmula é simples: combata pensamentos negativos com positivos. 

A desenvoltura para lidar com outras pessoas surge com a prática. À medida que nos permitirmos habitar novos círculos sociais, aprendemos mais sobre o comportamento humano e o que é bom para nós e o que não é. 

A confiança se constrói aos poucos. Às vezes, ela chega ao seu ápice inconscientemente. Mas você precisa estar aberto para desenvolvê-la através de novas experiências. 

Você também deve evitar comparações. Admire pessoas confiantes, mas não deseje ser uma cópia 100% idêntica.

Você tem a sua própria história, por isso, age e pensa de maneira única. Comparar-se apenas serve para entristecer o seu emocional. 

2. Procure grupos que tem a ver com você

Se você acredita que não se encaixa em lugar nenhum e suas amizades atuais não fazem mais sentido, procure grupos que tem a ver com você. Hoje, temos a facilidade da internet para ajudar a encontrar nichos perfeitos para nós. 

Por exemplo, se você gosta muito de cinema, procure eventos locais, como mostra de filmes ou grupo de discussões, ou grupos em fóruns e nas redes sociais sobre o assunto.  

Esta dica é fundamental para conseguir seguir as demais e combater o isolamento social, pois, quando estamos cercados pelo que gostamos, ficamos felizes e automaticamente mais abertos para o novo. É também uma forma de praticar como interagir com as pessoas já que esta acontece mais facilmente. 

3. Encontre motivos para sair de casa

Mesmo que não tenha companhia, saia de casa. Vá ao cinema, ao shopping, ao supermercado ou marque uma refeição consigo mesmo. Procure eventos na sua cidade. 

É comum haver encontros em parques ou eventos culturais e esportivos gratuitos aos domingos. A intenção desses é justamente fazer as pessoas aproveitarem o dia livre. Então, tire bastante proveito desses passeios sem compromisso.

Com o tempo, você conhecerá as pessoas que frequentam os mesmo locais e as conversas casuais se tornarão mais naturais. Uma amizade pode se criar de um encontro ao acaso em um passeio no parque. Nunca se sabe, certo? 

Além disso, interagir com as pessoas, mesmo se for com atendentes ou funcionários de estabelecimentos comerciais, ajuda a diminuir o nervosismo em situações sociais. 

4. Visite um psicólogo

A psicoterapia pode auxiliar tanto na procura pela origem do isolamento quanto ao longo da trajetória para superá-lo. O tratamento terapêutico ajuda a identificar o que é bom e o que é prejudicial em nossas vidas. 

Por exemplo, relacionamentos tóxicos, comportamentos autodestrutivos e modos de vida danosos os quais são difíceis de enxergar sem ajuda. 

A pessoa, então, consegue tomar decisões certeiras com confiança para trazer mais facilidade para a sua vida, além de ter um apoio constante no processo de mudança. Este é sempre propício para recaídas e estagnação. Com o suporte de um profissional, todas as pessoas são capazes de atingir a segurança necessária para lidar com potenciais desafios. 

Se você tem dúvidas sobre psicoterapia, marque uma consulta para conhecer o psicólogo e a sua abordagem para saber como ele poderá ajudá-lo. Porém, saiba que o caminho se torna mais fácil com a ajuda profissional.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.