Sexualidade Humana

LGBTQIA+: o que realmente significam a sigla e o movimento?

A sigla LGBTQIA+ e o movimento social LGBT atualmente são termos bastante conhecidos tanto por pessoas fora quanto dentro do movimento. O reconhecimento se deve ao lugar conquistado pela comunidade LGBT na política, na mídia e nos espaços públicos nos últimos anos. Entretanto, “ser reconhecido” não é o mesmo que “ser compreendido”. Ainda existem muitas dúvidas sobre a importância deste movimento social no Brasil e no mundo. 

O que é o movimento LGBTQIA+?

Popularmente conhecido como “movimento LGBT”, esse movimento de origem civil e social busca defender a aceitação de pessoas LGBT na sociedade. Ele está presente em vários países ao redor do mundo. Embora cada grupo organizado trabalhe para alcançar o mesmo objetivo, o foco principal são as questões de necessidade de sua região. 

A defesa da aceitação acontece por meio da conscientização da população em relação ao preconceito contra os homossexuais, bissexuais, transsexuais, pansexuais, assexuais, e outros grupos minoritários. 

Já a garantia da integridade é promovida mediante o enfrentamento do ódio e da discriminação e do fornecimento de locais seguros para pessoas LGBT, como organizações não-governamentais (ONG) e instituições de direitos humanos. A representatividade desses indivíduos em diversos meios sociais, como na política e na mídia, é igualmente importante para combater o preconceito. 

Embora o movimento LGBT não seja um movimento social completamente organizado, pessoas ligadas à causa também promovem ações políticas e culturais, como marchas de rua, pesquisas acadêmicas e reprodução de arte. 

Por que o movimento LGBTQIA+ é importante?

O movimento LGBTQIA+ é de grande importância. O preconceito que ameaça a qualidade de vida, a saúde mental e a integridade física das pessoas LGBT ainda existe não apenas no Brasil, mas em vários locais do mundo. 

Para compreender a importância deste movimento social, é preciso entender alguns pontos da história dos indivíduos LGBT. 

Discriminação contra pessoas LGBT

Historicamente, pessoas LGBTQIA+ sofreram (e ainda sofrem em diferentes níveis) repressões e punições em razão de sua orientação sexual. Registros apontam que já no século XIII, no império do líder mongol Gengis Kahn, a proibição da homossexualidade era vigente nos códigos penais e a sua “prática” era punida com pena de morte.

Com o passar dos séculos, indivíduos LGBT sofreram perseguições semelhantes em diversas partes do mundo que culminaram em atos de extrema violência como assassinato, violência sexual e tortura. Para garantir a sua segurança, muitos passaram a seguir as normas sociais consideradas aceitáveis, se reprimindo sexual, psicológica e emocionalmente. 

No mundo ocidental, somente foram feitos avanços contra a descriminalização da LGBTQIA+ nos últimos anos. Em países orientais, o casamento homoafetivo e a homossexualidade ainda são duramente combatidos pela legislação e, em alguns casos, puníveis com a pena de morte.

Sendo assim, ainda há muito trabalho a ser perfeito para garantir a segurança, a longevidade e a felicidade desses indivíduos. 

Além disso, ainda é pequena a parcela da sociedade que possui conhecimento da perseguição sofrida pelas pessoas LGBT e as leis que combatiam a homossexualidade em várias regiões do planeta, levando a crer que eles não eram “muito comuns” no passado. Essa mentalidade corrobora para o preconceito presente não apenas no Brasil, mas em outros países do mundo. 

Movimento LGBTQIA+ no Brasil

No Brasil, a criminalização da LGBTfobia somente ocorreu em 2019. Embora o casamento entre pessoas do mesmo sexo tenha sido aprovado em 2013, foram necessários seis anos para que atos discriminatórios contra pessoas LGBT se tornasse crime no país. 

A criminalização da discriminação é um passo importante, pois ajuda a modificar o pensamento preconceituoso uma vez que a conduta preconceituosa não é apenas desrespeitosa, mas criminosa. 

Ainda assim, o Brasil é considerado um dos países que mais discrimina e mata pessoas LGBTs no mundo e ocupa o primeiro lugar no ranking de crimes contra esse grupo minoritário nas Américas. De acordo com o Grupo Gay da Bahia (GGB), uma pessoa LGBT é morta no país a cada 19 horas. 

A edição de 2020 do relatório “Observatório das Mortes Violentas de LGBTI+ no Brasil”, desenvolvido pelo GGB em parceria com a Acontece Arte e Política LGBT+, de Florianópolis, revelou que cerca de 237 pessoas morreram em razão da violência LGBTfóbica, sendo que 5,5% delas foram casos de suicídios. 

Como mudar a situação do país para que essas pessoas conseguiam ter uma vida duradoura e satisfatória? Através de ações de conscientização e de combate à discriminação realizadas pelo movimento LGBT. 

Saúde mental de pessoas LGBT

Outro aspecto que merece atenção é os cuidados com a saúde mental de pessoas LGBT. Sofrer violência ou ser discriminado por conta da sua orientação sexual é um trauma que muitas carregam. Episódios violentos podem desencadear depressão, ansiedade, fobia social, agorafobia, estresse pós-traumático, entre outros. 

Do mesmo modo, presenciar recorrentes atos violentos ou somente ter a consciência de que eles são comuns e podem torná-lo uma vítima abala o estado psicológico de pessoas LGBT. Elas podem começar a levantar questionamentos acerca de suas identidades e propósito no mundo, os quais eventualmente podem instigar o desenvolvimento de transtornos mentais. 

A saúde mental das pessoas LGBT também se encontra em risco quando elas decidem, por medo de retaliações e pela vergonha da reação de entes queridos, esconder a sua orientação sexual. 

A repressão da sexualidade, assim como a repressão emocional, é prejudicial para a saúde da mente e a qualidade da vivência diária. Ela denota a repressão de uma parte intrínseca da condição humana e pode causar uma série de consequências emocionais desagradáveis, como insônia, ansiedade, angústia e culpa. 

Neste contexto, a importância do movimento LGBTQIA+ destaca-se pela possibilidade de oferecer acompanhamento psicológico para tratar questões emocionais associadas à orientação sexual, sexualidade e identidade de gênero, bem como na oferta de espaços seguros para pessoas LGBT. Essas iniciativas incentivam o autocuidado e combatem transtornos mentais debilitantes.

O que significa LGBTQIA+?

A sigla do movimento LGBT mudou consideravelmente ao longo dos anos. A primeira transformação aconteceu por volta de 1980, quando o termo LGB (lésbicas, gays e bissexuais) substituiu o termo GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) na mídia e nas comunidades LGBT. Alguns anos depois, a letra “T” foi incluída para representar os travestis, transsexuais e transgêneros. 

Com o tempo, novas letras foram incluídas – Q, I, A, P e N – para fazer a inclusão de pessoas com outras orientações sexuais até chegar à sigla utilizada globalmente: a LGBTQIA+. Os significados das letras são:

  • Lésbicas: mulheres que se identificam com o seu gênero e sentem atração pelo mesmo sexo;
  • Gays: homens que se identificam com o seu gênero e sentem atração pelo mesmo sexo;
  • Bissexuais: homens e mulheres que sentem atração sexual ou afetiva por ambos os sexos. Essa orientação sexual é confundida erroneamente com “indecisão”;
  • Transsexuais, travestis e transgêneros: esses termos se referem aos indivíduos que não se identificam com o gênero biológico. Por exemplo, quando uma pessoa atribuída ao gênero masculino no nascimento por razões biológicas não se identifica com ele, mas, sim, com o gênero feminino;
  • Queer: pessoas que transitam entre os gêneros feminino e masculino. O termo “queer” pertence à língua inglesa e por muito tempo foi utilizado de modo pejorativo. O movimento se apropriou dele para conceder um significativo positivo a ele;
  • Interssexuais: indivíduos que possuem características femininas e masculinas;
  • Assexuais: pessoas que não sentem atração sexual por outras, independentemente do seu gênero.

Como a sexualidade humana é múltipla e complexa, o símbolo de (+) foi adicionado para incluir quem não se inclui nas siglas mencionadas acima.  É o caso dos pansexuais, que sentem atração sexual por pessoas independentemente do seu gênero.

O que significa “orgulho gay”?

O Dia Internacional do Orgulho Gay é comemorado anualmente no dia 28 de junho. Durante esse mês, são realizadas atividades de conscientização e de combate ao preconceito em vários lugares do mundo. Elas são tanto promovidas por instituições e ONGs quanto por pequenos grupos organizados. 

A data também é um lembrete que pessoas LGBTQIA+ devem se orgulhar de suas identidades apesar da discriminação, da violência e das tentativas de repressão. Não importa se uma pessoa é heterossexual, homossexual, bissexual, transsexual ou outros, ela deve ser respeitada por ser, acima de tudo, um ser humano. 

Durante o mês de junho também são realizadas festas, marchas de rua e paradas de orgulho gay para celebrar a igualdade entre os gêneros. A partir de então, o temo “orgulho gay” passou a ser popularmente utilizado para demonstrar que uma pessoa LGBT não precisa ter vergonha, medo ou culpa de ser quem é. 

O Dia Internacional do Orgulho Gay possui, ainda, outro significado. É uma homenagem às pessoas que lutaram contra as invasões policiais aos bares frequentados por homossexuais em Nova York na chamada Rebelião de Stonewall Inn, em 1969. Quem frequentava esses estabelecimentos era preso e sofria represálias das autoridades policiais como forma de “correção” do seu comportamento. 

Diversos protestos surgiram contra a brutalidade policial, dando origem a parada do “Dia da Libertação Gay” em 28 de junho de 1970, em Nova York, para lutar contra o preconceito. 

A Vittude frequentemente aborda temas relacionados à sexualidade humana, à orientação sexual e à identidade de gênero por compreender a necessidade de tanto cessar atos discriminatórios quanto cuidar da saúde mental de pessoas LGBT.

Para mais conteúdos como este, acompanhe o blog da Vittude!

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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Tatiana Pimenta

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