Categories: Saúde e Bem-estar

Mulher cansada: por que não é um “simples cansaço”?

Você já parou para pensar no que torna a mulher cansada na nossa sociedade? E não estou me referindo a um cansaço simples e passageiro, mas a uma sobrecarga mental que pode se tornar realmente preocupante. 

Por mais que em muitos lares já haja uma divisão de tarefas domésticas, nem sempre isso parece ser o suficiente. Neste artigo, você poderá entender um pouco mais sobre este contexto, suas consequências e como lidar com essa carga mental feminina. Continue a leitura para conferir!

Mulher cansada: quais são as causas deste problema?

Filha, mãe, esposa, namorada, empreendedora, funcionária… São muitos papéis que a mulher pode ocupar ao longo de uma vida. Mesmo com a busca por um dia a dia pautado na igualdade de gêneros, elas ainda sofrem com uma sobrecarga mental e precisamos falar a respeito disso.

Em primeiro lugar, não podemos menosprezar o cansaço sentido pela mulher. Dormir um pouco à tarde ou tirar um dia de folga nem sempre vai melhorar a situação, combinado? É uma questão que vai muito além.

A necessidade de se provar no ambiente de trabalho

A equidade de gênero no meio corporativo é uma luta diária. As mulheres ainda sofrem com preconceitos, vieses inconscientes e abusos de vários tipos. O que comprova a desigualdade é a diferença gritante de mulheres em cargos de lideranças nas empresas.

Além disso, em momentos de crise, como a pandemia da Covid-19, muitas delas acabam deixando seus negócios de lado e focando nas responsabilidades dentro de casa. Segundo o Sebrae, entre 2019 e 2020, o Brasil perdeu 1,3 milhão de empreendedoras (a pandemia exigiu mais das mulheres em tarefas domésticas e elas precisaram abandonar suas iniciativas de negócio).

Todo esse contexto faz com que seja muito mais exaustiva para as mulheres a inserção e o crescimento no mercado de trabalho. É claro que cada uma encontra certas dificuldades dentro da sua realidade, mas, no geral, todas se deparam com injustiças e desigualdades que fazem com que elas duvidem de suas capacidades e precisem o tempo todo provar que são boas o suficiente.

Apenas dividir as tarefas domésticas não é o suficiente

No lar, é preciso entender a diferença entre executar e planejar as tarefas de casa. Por mais que muitos homens já dividiam as responsabilidades diárias, como ir ao supermercado, arrumar a cama e fazer pagamentos, em boa parte dos casos as mulheres assumem o planejamento sozinhas.

Normalmente, são elas que programam, fazem planos e preveem problemas a fim de garantir a manutenção do dia a dia. As mulheres atuam como chefes da casa, ou seja, as decisões dependem delas e é comum os moradores da residência recorrerem a ela quando precisam de alguma coisa.

De certa forma, ela passa a ocupar um papel de antecipar a necessidade do outro de conforto, segurança e presença. E tudo isso gera uma sobrecarga emocional muito grande. Como se ela sempre precisasse prestar atenção em tudo, estar disponível e garantir a harmonia.

Um cansaço que é resultado de problemas de anos

Mas por que tudo isso acontece? Por vários motivos, um deles é aquele que já conhecemos muito bem: a sociedade ainda coloca a mulher no papel de rainha do lar. Desde pequena, brincam com bonecas, casinhas e panelinhas e, além disso, as mães tendem a repassar esse tipo de ensinamento e experiência somente às filhas e não aos filhos.

Por muitos anos os homens foram vistos como provedores do sustento da família e as mulheres apenas como mães e donas de casa. Além disso, as diferenças entre licença maternidade e paternidade ainda são gritantes. Enquanto a mulher tem direito a quatro meses, os homens dificilmente conseguem se afastar por mais do que duas semanas na maioria das empresas.

Para alguns, talvez pareça algo natural, mas pode ter certeza de que não é normal se sentir tão cansada como as mulheres se sentem. Tudo isso é resultado de anos de estereótipos e construções equivocadas que impõem um papel exaustivo.

Quais são as consequências desse cansaço na saúde mental?

A sobrecarga mental que a mulher sofre tem severas consequências na sua saúde mental. Entre os principais sintomas que sinalizam que algo não vai bem, podemos citar:

  • piora na qualidade do sono;
  • dificuldade de concentração;
  • dores no corpo;
  • irritabilidade;
  • dificuldade para desligar a mente;
  • cansaço;
  • ansiedade.

Em alguns casos, a mulher cansada pode desenvolver transtornos mentais que afetam a sua qualidade de vida. Estudos até apontam que a depressão e a ansiedade, por exemplo, atingem duas vezes mais as mulheres do que os homens.

Claro que esse não é o único fator, afinal, existem outras questões que podem influenciar no desenvolvimento de doenças mentais, mas é  importante levar em consideração a sobrecarga mental que a mulher carrega ao longo de toda a sua vida.

Como lidar com a sobrecarga mental?

Lidar diariamente com a sobrecarga mental não é tarefa fácil, mas é possível mudar, mesmo que aos poucos, algumas questões que interferem bastante na desigualdade de pesos e responsabilidades diárias. Confira algumas dicas:

Faça a sua parte na desconstrução

Em casa, procure conversar com o seu parceiro para alinhar o planejamento e a execução das tarefas cotidianas para dividir as responsabilidades. Não adianta ficar esperando o outro adivinhar o que você está sentindo: comunicação é tudo e fundamental para alinhar expectativas e emoções.

Tenha em mente que para essa desconstrução acontecer, também é preciso abrir mão de ser um eixo centralizador de tudo. Algumas mulheres têm dificuldade para abrir mão daquilo que acreditam fazer melhor do que os homens. Ensine, converse e saiba aceitar que nem sempre um jeito diferente do seu significa que seja o jeito errado.

Preste atenção nos sinais

Muitas mulheres reclamam da sensação permanente de cansaço sem se dar conta dos sinais que apontam que algo não vai bem. Perceba se você anda com dificuldade de se concentrar ou se acorda se sentindo exausta. Conhecer o seu corpo e a sua mente é fundamental para ficar ligada nas mudanças que podem sinalizar problemas mais graves.

Faça meditação

Técnicas de meditação e mindfulness também são uma forma de relaxar. Muitas pessoas têm dificuldade para criar o hábito, por isso, procure por meditações guiadas e comece com poucos minutos por dia. Os benefícios são sentidos a longo prazo e incluem redução da ansiedade e do estresse.

Pratique esportes

Ao realizar exercícios com regularidade, você irá se sentir melhor, pois há redução dos níveis de ansiedade e estresse, além do aumento de energia. É fundamental para manter uma boa qualidade de vida, regular o sono e se sentir mais disposta e bem-humorada.

Faça terapia

Não se esqueça de que a terapia pode ser a sua grande aliada no combate à sobrecarga mental. O acompanhamento de um psicólogo é ideal para aumentar o seu autoconhecimento, entender padrões de comportamento e criar estratégias de enfrentamento para lidar com o cansaço extremo.

Além disso, imagine que a sessão com o terapeuta será um momento seu toda semana, em que você pode simplesmente contar como está se sentindo e se entender melhor. 

Aprenda a dizer “não”

Isso vale tanto para a vida pessoal como profissional. Muitas mulheres têm dificuldade de dizer não, o que gera muito estresse no dia a dia. É preciso conhecer os seus limites para saber quando eles já foram alcançados e você terá que recusar uma tarefa.

Não normalize “a mulher cansada”, procure ajuda

Se você é mulher e está sempre cansada, não acredite que isso é normal. Tenha em mente que se sentir exausta o tempo todo significa que algo não vai bem, por isso, procure ajuda e procure aprofundar o seu autoconhecimento para entender as causas específicas do seu problema.

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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Tatiana Pimenta

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