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Mulheres na liderança: por que ainda são minoria?

Quantas mulheres na liderança você conhece? Seja na empresa na qual você trabalha, nas maiores organizações do país ou até mesmo no setor público… Esse número com certeza não deve ser muito grande.

Ainda há diversas barreiras que o público feminino precisa enfrentar para conseguir as mesmas oportunidades que os homens. E, mais do que nunca, precisamos falar sobre isso, afinal, por que elas são minoria em praticamente todos os tipos de lideranças?

E quais são os principais desafios que elas ainda enfrentam na nossa sociedade? Todas as respostas e outras informações você pode conferir ao continuar a leitura deste artigo.

Qual é o contexto da liderança feminina no Brasil?

O cenário ainda é difícil é resultado de anos de desigualdade de gênero. Por muito tempo, a mulher foi inferiorizada e destinada apenas às tarefas domésticas e aos cuidados com a família.

Fatores como a pandemia, por exemplo, podem impactar diretamente o tempo necessário para se alcançar a igualdade entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. Segundo o Fórum Econômico Mundial, esse tempo passou de 99,5 para 135,6 anos durante a pandemia e o Brasil ocupa a 93ª posição entre os 156 países.

Além disso, segundo a pesquisa “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, realizada pelo IBGE e divulgada em 2019, as mulheres na liderança representavam apenas 37,4% dos cargos gerenciais e recebiam 77,7% do salário dos homens.

A baixa representatividade feminina também se repete na vida pública. O Brasil é o país da América do Sul com menor proporção de mulheres exercendo mandato parlamentar na Câmara dos Deputados.

Todos estes dados não têm como objetivo causar desânimo, mas apontar a verdadeira realidade da situação no nosso país. Afinal, é apenas com consciência sobre o contexto atual que conseguimos enxergar os reais problemas e traçar ações de melhorias em todos os âmbitos.

Quais são os benefícios das mulheres na liderança?

Nem todo mundo sabe, mas contar com mulheres na liderança é muito positivo para o crescimento dos negócios. É claro que é preciso considerar que cada indivíduo tem determinadas características e uma personalidade, mas, no geral, é importante entender as principais vantagens de contar com mulheres nos cargos mais altos:

Focam na sustentabilidade do negócio

Quando o assunto é sustentabilidade, precisamos falar sobre ESG (Environmental, Social and Governance), que engloba a estruturação de uma cultura e administração mais justas dentro das empresas. Portanto, estamos falando sobre organizações comprometidas com uma atuação voltada para a sustentabilidade do negócio. 

As mulheres têm consciência do que precisa ser feito em relação a estes pontos e vão contra estereótipos masculinos de lideranças que afirmam que é preciso masculinizar para crescer na carreira. Elas utilizam recursos relacionados à maternidade e ao cuidado, que oferecem uma visão de futuro voltada para gestões mais sustentáveis.

São melhores em momentos de crises

Um levantamento da “Harvard Business Review” revelou que empresas com lideranças femininas são mais eficazes e têm uma taxa de engajamento maior. Este cenário foi analisado durante a pandemia, uma crise sanitária recente que afetou bastante o dia a dia de trabalho e exigiu mais dos cargos de gestão.

O estudo apontou que o público feminino se destacou devido às soft skills, entre elas, colaboração, trabalho em equipe e motivação. Além disso, é fundamental não replicar imagens estereotipadas sobre as mulheres e entender que, no geral, elas têm mais afinidade com habilidades comunicativas e flexibilidade, o que faz grande diferença na esfera profissional.

Em momentos de crise, as mulheres tiveram mais conscientização e preocupação em relação aos medos e inseguranças dos colaboradores, o que também foi fundamental para garantir os cuidados nesse período tão turbulento.

Contribuem para uma nova forma de liderar

Por muito tempo, o líder era associado a uma imagem autoritária, sustentada apenas pela hierarquia e o pragmatismo. Com o passar dos anos, esse modelo sofreu alterações significativas e, atualmente, as empresas cultivam uma nova forma de liderar, baseada em outras características.

O tom autoritário e o estímulo à alta performance por meio de punição e medo são substituídos por proximidade, conexão, aprendizado contínuo, colaboração e inspiração. E as mulheres são detentoras de características que ajudam a reforçar tudo isso no dia a dia de trabalho.

Garantem maior pluralidade de ideias

A equidade de gênero nos cargos de lideranças também contribui para que haja maior pluralidade de ideias e perspectivas dentro da empresa. 

Isso é fundamental para garantir representatividade e direitos iguais a todos os colaboradores, além de mostrar que todos podem chegar aonde quiserem se forem competentes o suficiente.

Busca contínua pelo crescimento

Visto que as mulheres são naturalmente diminuídas em vários aspectos, inclusive na vida profissional, com mais dificuldade para terem o reconhecimento merecido, elas tendem a aprimorar as suas habilidades e buscar a superação com mais constância.

Esse tipo de comportamento gera profissionais ainda mais dedicados e competentes, o que é ótimo para todos os envolvidos no negócio.

Quais são os principais desafios que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho?

A equidade de gêneros nas organizações ainda é um problema em muitos países do mundo, inclusive no Brasil. Por mais que elas representem 45% da população economicamente ativa no país e dediquem mais tempo aos estudos em comparação aos homens, ainda assim ocupam menos posições de liderança e têm salários mais baixos.

Por que isso acontece? Estudos sobre liderança feminina apontam os principais desafios das mulheres nesse contexto. Confira quais são:

Maternidade

Quando uma mulher decide ter filhos, infelizmente pode acabar sofrendo preconceitos no ambiente de trabalho. Por isso, não é incomum ouvirmos histórias de mulheres que ouviram perguntas indelicadas em entrevistas de emprego: Você tem filhos?” ou “Pretende ter filhos?”.

Mas por que isso acontece? Simplesmente porque muitas pessoas ainda cultivam a ideia de que as mulheres que são mães não conseguem se dedicar tanto ao trabalho. Realmente, é um desafio, mas isso não quer dizer que ela seja menos competente do que um homem. 

Além disso, outro ponto que influencia é o fato de que a grávida tem direito à licença-maternidade por alguns meses, o que faz com que algumas empresas considerem desvantajoso contar com mulheres em cargos de lideranças.

É importante ressaltar que a vida moderna trouxe vários tipos de facilidades para o dia a dia da mulher que deseja conciliar família e carreira. Um ótimo exemplo é a Rachel Maia, que foi CEO de grandes empresas como Pandora e Lacoste, ou seja, a sua capacidade não foi afetada pelo fato de ser mãe.

Falta de exemplos

É importante que todas as pessoas se sintam encorajadas para crescer na carreira e conquistar cargos de liderança. Quando há poucos exemplos, elas tendem a acreditar que não são boas o suficiente e não aspiram esse tipo de posição. É importante entrar em contato com histórias reais que são fonte de inspiração.

Ambientes sem equidade de gênero não incentivam mulheres a lutarem por posições mais altas nas organizações e, para piorar, podem até mesmo intimidá-las e fortalecer o sentimento de incapacidade: “Se não tem nenhuma mulher na liderança, como eu vou conseguir?”

Preconceito e vieses inconscientes

As mulheres ainda são vistas por muita gente como o “sexo frágil” e “sensíveis demais”. Além de extremamente ultrapassada, esse tipo de visão não condiz com a realidade e gera vieses inconscientes, que são preconceitos pautados em julgamentos, experiências e pensamentos passados armazenados no cérebro.

Homens e mulheres têm características diferentes, mas em hipótese alguma devemos generalizá-los, afinal, cada pessoa tem as suas singularidades. Além disso, atributos como a sensibilidade, que podem ser vistos como negativos por alguns, na verdade têm um enorme potencial no dia a dia de trabalho. 

Elas costumam ter ótimas habilidades relacionadas à inteligência emocional, colaboração, motivação, trabalho em equipe e gestão de pessoas.

Como a terapia pode ajudar as mulheres em suas carreiras?

Ao longo deste texto você aprendeu um pouco mais sobre as principais dificuldades relacionadas à equidade de gênero nas empresas em cargos de lideranças. Para lidar com esse tipo de situação, aquelas que desejam crescer na carreira podem precisar de auxílio psicológico. 

Isso porque a mulher pode precisar enfrentar muitos preconceitos e injustiças ao longo da sua trajetória profissional, além de muitas vezes lidar com o sentimento de inferioridade, incapacidade e até mesmo vários tipos de abusos.

A terapia, portanto, se torna uma grande aliada para que ela desenvolva o autoconhecimento e seja capaz de criar estratégias de enfrentamento às diversas situações que podem cruzar o seu caminho. Além disso, o psicólogo irá auxiliar em questões relacionadas à autoestima, inteligência emocional e muitos outros pontos que influenciam o dia a dia de trabalho.

Fazer terapia pode ajudar, e muito, o crescimento profissional das mulheres. Mas, para enxergarmos uma verdadeira mudança, antes de tudo são necessárias ações dentro das empresas em prol da equidade de gênero. Todo mundo sai ganhando!

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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