Autocuidado

O que podemos aprender com o Dia da Não Violência?

O dia 30 de janeiro é o Dia da Não Violência, celebrado em todo o mundo. A cada ano, os ensinamentos advindos desta comemorativa se tornam mais relevantes. Muitas brigas em família, conflitos conjugais e discussões no trabalho poderiam ser evitadas com o aprendizado e a aplicação dos princípios da não violência.

Assim como outras datas emblemáticas, este dia nos proporciona um momento de reflexão e de aquisição de conhecimento. 

O que é o Dia da Não Violência?

O Dia da Não Violência, celebrado a cada 30 de janeiro, relembra as pessoas do mundo todo das tragédias oriundas de posturas violentas. Com isso, busca reforçar a importância de escolher um caminho pacífico para lidar com conflitos e, consequentemente, viver bem consigo mesmo e os outros. 

Não é necessário brigar, discutir ou partir para agressão física para solucionar pequenos ou grandes impasses. Qualidades como paciência, compreensão e empatia demonstram mais eficácia e, ainda, inspiram os demais a adotarem a mesma postura.

O Dia da Não Violência também nos encoraja a não cometer microagressões contra nós mesmos ou pessoas queridas, tais como mentir, ser mal-humorado e fazer pouco caso de sentimentos. 

Como surgiu a data?

Estipulado pela Organização das Nações Unidas, o Dia da Não Violência é uma homenagem a Mohandas K. Gandhi, o percussor principal do conceito da não violência. Ele foi assassinado no dia 30 de janeiro de 1948.

Gandhi lutou pela justiça, pelo respeito e pelos direitos humanos do povo indiano. Graças aos seus ensinamentos sobre manifestações pacíficas, a Índia conquistou a independência da Inglaterra em 1947, perdendo o seu status de colônia. 

Os seus princípios pregavam a manifestação através de diálogos, orações, jejuns, testemunhos e marchas pacíficas. Ele também estimulou os indianos a boicotarem os produtos ingleses vendidos no país como forma de protesto silencioso.

Os feitos de Gandhi ficaram conhecidos no mundo inteiro e ele se transformou em uma figura célebre do pacifismo, inspirando outros líderes a adotarem posturas pacíficas. Martin Luther King Jr., por exemplo, se inspirou fortemente nos ideais de Gandhi para combater a segregação racial nos Estados Unidos. 

O que se pode aprender com o Dia da Não Violência?

A ONU define a não violência como o princípio que rejeita o uso de violência física para alcançar mudanças sociais e políticas. Esse tipo de manifestação é empregada por populações de massa ao redor do mundo para pedir por justiça social. 

Ela não deve ser confundida com submissão ou passividade. As manifestações não violentas são lideradas por indivíduos ativos nos campos social e político, mas que se recusam a cometer atos de violência para espalhar a sua mensagem e exigir justiça. 

Essa definição por si só traz uma grande lição: podemos conquistar tudo o que desejarmos ao optarmos pelo caminho menos hostil. A postura paciente de Gandhi nos conflitos que ocorriam durante o processo de independência da Índia é igualmente inspiradora. 

Todavia, existem muitos outros aprendizados que podemos absorver do Dia da Não Violência.  

Os ideais da não violência podem ser aplicados em situações do dia a dia. Por exemplo, na maneira como interagimos com as pessoas, especialmente as de temperamento difícil, solucionamos problemas e tratamos a nós mesmos. 

Cabe a você aceitar o convite para a reflexão nesta data. De que modo você age com quem está a sua volta? De que modo trata entes queridos? De que modo trata a si mesmo? 

Após identificar condutas e padrões de pensamento impróprios, você pode trabalhar para modificá-los. Assim, poderá dar lugar a comportamentos menos abrasivos e melhorar a convivência com os outros e consigo mesmo. 

Lições da Não Violência para o dia a dia

A não violência deve ser parte do nosso cotidiano. Veja algumas maneiras de praticá-la em todas as esferas de sua vida:

Comunicação

O método da Comunicação Não-Violenta (CNV) foi elaborado pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg durante a segregação racial nos Estados Unidos. Ele consiste em técnicas de comunicação compassivas, visando à dissolução pacífica de atritos.  

A CNV pode ser facilmente aplicada em nosso dia a dia. Ao conversarmos com outras pessoas, devemos ter em mente a maneira menos hostil de expressar opiniões e de fazer observações para o bem do outro. 

O ambiente de trabalho é um dos locais mais favoráveis a discussões e embates entre personalidades diferentes. Com a promoção da comunicação não-violenta, essas intrigas podem ser facilmente evitadas. 

Compaixão

A compaixão incentiva as pessoas a ajudarem outras em momentos de necessidade. O indivíduo compassivo se sensibiliza com o sofrimento alheio e o seu próprio, procurando suavizá-lo ou dissipá-lo.

Cultivar essa virtude irá torná-lo mais empático com o sofrimento do outro, mesmo quando esse “o fez por merecer”, como se costuma dizer popularmente. 

Embora seja difícil, é importante praticar a compaixão neste contexto. Em vez de revidar na mesma moeda, você será capaz de compreender as ações de quem lhe causou mal e deixar pra lá. 

Educação

A educação neste caso refere-se à aquisição de conhecimento. 

Conforme a ONU, a compreensão dos princípios desta forma de resistência pacífica abre portas para outras áreas do conhecimento, como direitos humanos, história, diversidade e ecologia. Conhecer os detalhes dos eventos políticos e sociais marcantes coibi comportamentos semelhantes no presente. 

Além disso, aprender sobre o valor da não violência aprofunda o entendimento de comportamentos alheios, beneficiando a convivência em sociedade.

Contemplação

A contemplação nada mais é do que a reflexão ou a meditação. Esses exercícios contemplativos relaxam, modificam crenças e proporcionam insights preciosos sobre nós e o mundo que nos cerca. Quem é adepto dessas práticas tem mais facilidade para solucionar impasses já que conserva um estado emocional de tranquilidade. 

Integridade

Integridade significa ser honesto e fazer o que é correto. Uma pessoa íntegra é valorizada por seguir os seus valores mesmo em momentos críticos. Essa qualidade, contudo, é deixada de lado quando se engaja em ações violentas. 

O próprio Martin Luther King Jr. afirmou que: “a verdadeira face de um homem não se vê na forma como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsias e desafios”. 

Harmonia

A harmonia nos ambientes que frequentamos pode ser alcançada (ou, pelo menos, incentivada) através de nossas escolhas. Você cultiva a harmonia ao optar por:

  • não responder àquele colega de trabalho desrespeitoso com grosseria nem fazer fofoca quando ele deixar o recinto;
  • não participar de discussões estressantes ou polêmicas sem fundamento;
  • não fazer julgamentos, independente da situação;
  • não guardar sentimentos ruins após um impasse;
  • elogiar em vez de menosprezar;
  • buscar o lado bom de cada pessoa, mesmo as que lhe despertam raiva;
  • resolver mal-entendidos diretamente com os indivíduos envolvidos.

Respeito

Ao utilizar uma linguagem ofensiva ou rude, você ao mesmo tempo desrespeita o outro e consolida a sua imagem como uma pessoa que não merece respeito algum. Portanto, converse e se expresse por meio de uma linguagem apropriada. 

O tom de voz também é importante na hora de expressar respeito por outro indivíduo. As pessoas conseguem perceber quem possui más intenções ao dizer algo considerado positivo.

Do mesmo modo, aja com integridade para não ofender ou ultrapassar os limites impostos por outra pessoa. Lembre-se de que ninguém é culpado pelo momento ruim que você está passando, por isso, não despeje a sua impaciência em terceiros.  

Perdão

A não violência não pode ser praticada sem o perdão. Neste 30 de janeiro, Dia da Não Violência, escolha perdoar-se por não ter tido consciência das consequências dos seus atos no passado. Perdoe-se por ter motivado intrigas, seja consciente ou inconscientemente, ou por ter errado com uma pessoa querida.

Perdoe também aqueles que lhe fizeram mal para deixar o ocorrido no passado. Alimentar mágoas é uma forma de se machucar. 

Quando não conseguimos perdoar os nossos algozes, carregamos por toda a vida os mesmos sentimentos ruins sentidos na época ruim. Sendo assim, você estimula o estresse, a ansiedade, a depressão e outros problemas psicológicos.

Paciência

Os grandes líderes pacifistas teriam obtido o resultado desejado sem a paciência? Provavelmente não.

Diante das inúmeras demonstrações de violência e de preconceito, se mantiveram fortes e serenos. Eles tinham consciência que os seus esforços valeriam a pena um dia, por isso, não apressaram o desenrolar natural dos conflitos. 

Você tem o costume de perder a calma com os eventos da vida? Faça reflexões a cerca do seu jeito de encarar imprevistos. 

Compreenda que com ou sem paciência, você não tem poder para modificar muitos dos elementos que estruturam a sociedade. As filas do banco continuarão longas. Então, por que não escolher viver do modo menos prejudicial à sua saúde mental?

Amor

É claro que o amor marcaria presença nesta lista! Sem ter amor a si mesmo e ao próximo não conseguiríamos seguir os demais princípios da não violência.

Como tudo se origina dentro de nós, se não conseguimos nos aceitar e nos amar como nós somos, não conseguimos expressar o amor aos outros. O amor-próprio é, então, indispensável para termos bons relacionamentos.

Neste 30 de janeiro, Dia da Não Violência, aproveite para fazer demonstrações singelas de amor tanto a você quanto aos outros. Esta atitude pode ser o pontapé necessário para você propagar mais amor em sua vida.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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